Sexta-feira, 31 de Julho de 2026
ILEGAL OU IMORAL?

Casa de espetáculos sueca mantém shows ao vivo, na contramão do mundo

Na Suécia, onde não há medidas de isolamento social como nos outros países europeus, o club Plan B recebe no máximo 40 pessoas por apresentação

Por - Goiânia, GO
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Na contramão do mundo, uma casa de espetáculos sueca mantém shows ao vivo. Local recebe no máximo 40 pessoas por apresentação. (Foto: Divulgação/Gianluca La Bruna)

“Foi especial, tentamos agir como se fosse um show normal”, diz a vocalista Lina Paasijoki, integrante da banda de hard rock The Hypnagogics, sobre uma apresentação realizada na Plan B, na pequena cidade de Malmö, na Suécia, provavelmente a única casa de espetáculos da Europa funcionado durante a pandemia do coronavírus.

Enquanto outros países vetam a realização de eventos culturais, o club Plan B continua a pleno vapor, conforme noticiou a revista britânica “NME”. O espaço, no entanto, recebe no máximo 40 visitantes por noite — bem menos que sua capacidade, de 350 pessoas. E também não há aglomeração no balcão, a turma do bar é que vai até o cliente, na pista.

Da cidade vizinha Kristianstad, a banda The Hypnagogics foi uma das atrações na programação.

— Tocamos lá numa sexta-feira (dia 10/4). Havia cerca de 40 pessoas. Talvez menos. Na Suécia, ainda é legal se reunir com 40 pessoas — diz a vocalista Lina Paasijoki. — Não sei de outras salas de espetáculos abertas no país.

A cantora conta ainda que chegou a imitar, no palco, a publicação de Cardi B no Instagram sobre a pandemia, que viralizou: “Coronavírus! Essa merda está ficando real!”.

Você participaria de um show socialmente distanciado? Um risco desnecessário ou, mais ainda, loucura mesmo?

Para o público da Plan B, nenhuma das duas opções é a resposta. Uma frequentadora de 28 anos afirmou à “NME”que “não é um risco enorme porque não há muitas pessoas”. Sua amiga, de 31, segue outro raciocínio: “As pessoas estão levando (o coronavírus) muito a sério. Qualquer pessoa que esteja doente ou tenha algum sintoma está ficando em casa. Então, sinto que aqueles que saem são seguros para estar por perto”.

O número de casos confirmados de Covid-19 na Suécia chegou a, ao menos, 14.777 casos confirmados e 1.580 mortes, índices bem mais elevados que os vizinhos Noruega, Dinamarca e Finlândia. Em entrevista ao canal de TV SVT2, o primeiro-ministro sueco Stefan Löfven (Partido Social-Democrata) reafirmou que as regras de confinamento lá são mais brandas.

Imoral ou ilegal?

A maioria dos espaços de música na Suécia começou a fechar na segunda semana de março, e o fundador e proprietário do Plan B, Carlo Emme (“ironicamente, não há plano B para a Plan B”), segundo contou a “NME”, entrou em contato com as autoridades antes de reabrir em 7 de abril. “É mais do que apenas um trabalho; é a nossa vida”, disse Emme à publicação.

De acordo com o primeiro ministro Stefan Löfven, as diretrizes atuais do governo sueco permitem reuniões de 50 pessoas ou menos, bares e restaurantes podem abrir, mas devem oferecer apenas serviço de mesa. Ou seja, o Plan B não está quebrando regra alguma.

“É bizarro ver uma banda subir ao palco e sentir a onda de euforia que a música ao vivo gera, depois de semanas sem isto. No início, ninguém sabe ao certo como reagir; algumas pessoas trocam olhares nervosos, outras olham para os telefones. Ninguém ousa tossir”, relatou um frequentador em comentário no perfil do Plan B no Instagram.

A sala de espetáculos foi inaugurada em 2014 originalmente como uma gravadora, e só em 2018 virou um clube de rock, mas sem permissão para servir bebida alcoólica. A liberação só veio no ano seguinte. Como resume Carlo Emme na reportagem, “um jeito incomum de fazer as coisas e sobreviver”.

O avanço da Covid-19 obrigou artistas do mundo inteiro a cancelarem ou adiarem shows programados para os meses de março, abril e maio. O oncologista e bioeticista americano Zeke Emanuel afirmou, esta semana, ao jornal “The New York Times”, que eventos marcados por aglomerações, como shows e partidas esportivas, provavelmente serão os últimos a voltar à normalidade. Para ele, a expectativa mais realista é que só voltem ao normal no segundo semestre de 2021.rimeiro ministro sueco Stefan Löfven (Partido Social-Democrata) assumiu que as regras de confinamento lá são mais brandas.

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