Dia dos Pais deve levar 104 milhões às compras; Região da 44 espera aumento no movimento
Pesquisa de 2026 prevê movimentação de R$ 29,7 bilhões no país; endividamento pressiona orçamento e amplia busca por preços menores
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O Dia dos Pais, celebrado em 9 de agosto, deve levar cerca de 104 milhões de consumidores às compras e movimentar R$ 29,7 bilhões no comércio e no setor de serviços no Brasil. Em Goiânia, empresários da Região da 44 esperam aumento na procura por roupas, calçados e acessórios, mas o endividamento das famílias pode limitar o valor destinado aos presentes.
Os dados nacionais constam em uma pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e do SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas. O levantamento mostra que 63% dos consumidores pretendem comprar presentes em 2026.
Apesar do crescimento previsto na movimentação financeira, o número de compradores deve cair. Em 2025, a expectativa era de 106,3 milhões de consumidores e R$ 27,13 bilhões em vendas. Para 2026, a projeção indica redução de 2,3 milhões de compradores, mas avanço nominal de 9,5% no faturamento.

O gasto médio previsto passa de R$ 255, em 2025, para R$ 286 neste ano, aumento nominal de 12,2%. Cada consumidor pretende comprar, em média, 1,8 presente. Entre os entrevistados, 36% afirmam que gastarão mais que no ano anterior, enquanto 34% manterão o valor e 17% reduzirão a despesa.
Região da 44 aposta na procura por moda masculina
Roupas, calçados e acessórios lideram as intenções de compra, com 62% das respostas. Cosméticos e perfumes aparecem com 27%, seguidos por ferramentas, com 18%, e eletrônicos e artigos esportivos, ambos com 16%.
O resultado coloca a Região da 44 entre os pontos de Goiânia que podem receber parte dessa demanda. O polo reúne mais de 12 mil pontos de venda, segundo estimativa da Associação Empresarial da Região da Rua 44 citada pelo Mais Goiás em reportagem sobre o comércio local.

Para Sofia Albuquerque, proprietária de uma marca de moda masculina na Região da 44, o movimento começa com os pedidos de atacadistas do interior de Goiás e de outros estados. A procura do consumidor de Goiânia tende a aumentar na semana que antecede a data.
“Camisas, polos, calças e conjuntos atendem diferentes faixas de preço. O cliente procura uma peça que o pai consiga usar no trabalho, em compromissos familiares e nos fins de semana. Também compara valores e verifica a política de troca antes de decidir”, afirma Sofia.
A empresária também identifica uma integração entre as redes sociais e a loja física. “Muitos consumidores veem a peça nas redes sociais, perguntam preço, tamanho e disponibilidade pelo WhatsApp e depois vão à loja para experimentar ou retirar. O canal digital funciona como vitrine e o espaço físico conclui parte das vendas”, explica.
Conforto, preço e utilidade
André Augusto Costa, proprietário de outra marca masculina da Região da 44, afirma que o comportamento de compra varia conforme o perfil do pai. Segundo ele, parte dos consumidores chega à loja com fotografias, referências de estilo ou informações sobre o tamanho usado pelo presenteado.
“Quando o pai participa da escolha, conforto, tecido, caimento e utilidade pesam na decisão. Os pais que preferem um estilo clássico procuram cores sóbrias e peças que possam ser usadas em diferentes ocasiões. Os mais jovens demonstram maior abertura para cores, estampas discretas e cortes atuais”, afirma André.
O empresário acrescenta que o consumidor costuma definir um limite antes de entrar na loja. “A oferta de produtos em diferentes faixas de preço ajuda o cliente a respeitar o orçamento. A política de troca também influencia porque quem compra para outra pessoa teme errar o tamanho ou o modelo”, explica.

A pesquisa nacional confirma a busca por lojas físicas. Cerca de 72% pretendem comprar presencialmente: 27% escolhem shopping centers, 17% lojas de departamento e 16% lojas de rua. Outros 16% citam os shoppings populares.
Ao mesmo tempo, 47% pretendem comprar pela internet. Os percentuais ultrapassam 100% porque o consumidor pode usar mais de um canal. Entre os compradores digitais, 71% recorrem a aplicativos, 57% a sites e 23% ao Instagram.
Endividamento limita o orçamento
O endividamento aparece como um dos fatores de pressão sobre as vendas. Entre os consumidores que pretendem presentear, 37% possuem contas em atraso. Nesse grupo, 73% estão com o nome negativado. Além disso, 14% admitem que podem deixar alguma conta sem pagamento para comprar o presente e 30% reconhecem que gastam além das próprias condições financeiras.
Para o economista e contador Marcelo Marques, a renda comprometida com dívidas reduz a margem destinada às compras e pode deixar o tíquete médio de determinados estabelecimentos abaixo da expectativa.
“O consumidor chega ao Dia dos Pais com parte da renda comprometida por parcelas, cartão de crédito e contas atrasadas. Esse cenário reduz o espaço para compras de maior valor e leva as famílias a pesquisar preços, substituir produtos e priorizar o pagamento à vista. Por isso, mesmo com o aumento nominal do gasto previsto no país, o tíquete médio real pode sofrer pressão e ficar abaixo da expectativa de parte dos comerciantes”, analisa Marcelo Marques.
O economista explica que o aumento nominal do gasto médio, de R$ 255 para R$ 286, não significa, por si só, ampliação do poder de compra. “Parte dessa diferença decorre dos preços. A própria pesquisa mostra que 38% dos consumidores que gastarão mais atribuem a decisão à alta dos produtos. O comprador pode desembolsar um valor maior e levar a mesma quantidade de itens ou escolher alternativas de menor preço”, acrescenta.
A forma de pagamento também reflete a tentativa de controlar o orçamento. A pesquisa aponta que 81% pretendem pagar à vista, principalmente pelo Pix, citado por 52%. O cartão de débito aparece com 17%. Outros 41% consideram parcelar a compra, com média de 3,4 prestações.
Preços variam até 226% em Goiânia
A pesquisa do Procon Goiânia, realizada nos dias 27 e 28 de julho de 2026, identifica variação de até 226,22% nos preços dos presentes. O levantamento compara 26 produtos em 20 estabelecimentos físicos e virtuais.
A camisa social masculina de manga longa custa entre R$ 32,49 e R$ 105,99. A camisa de manga curta varia de R$ 38 a R$ 105,90, diferença de 178,68%. Já a camisa polo lisa apresenta preços entre R$ 35,20 e R$ 85,90, variação de 144,03%.
A soma dos cinco produtos com as maiores diferenças chega a R$ 1.049,48 nos menores preços e a R$ 1.824,79 nos maiores. A pesquisa pode representar economia de R$ 775,31 para quem compara os valores.
Em 2025, levantamento do Procon Goiás encontrou variação de até 209% nos presentes para o Dia dos Pais. As pesquisas possuem listas e estabelecimentos diferentes, por isso os percentuais não representam uma série de inflação.
O Procon orienta o consumidor a conferir a política de troca antes da compra. Nas lojas físicas, a troca por tamanho, cor ou preferência não é obrigatória, salvo quando o estabelecimento assume esse compromisso. Nas compras feitas pela internet, telefone ou redes sociais, o consumidor possui prazo de sete dias para desistir, contado a partir da assinatura do contrato ou do recebimento do produto.
A pesquisa da CNDL e do SPC Brasil ouviu 978 consumidores das 27 capitais entre 23 de junho e 1º de julho de 2026. Na segunda etapa, 636 pessoas com intenção de compra responderam ao questionário. A margem de erro varia entre 3,1 e 3,9 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.