Em evento público, primeira-dama de Mineiros relata abuso sexual na infância
“É fundamental não transformar essas questões em politicagem em redes sociais", diz primeira-dama
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Durante evento em uma unidade de saúde na quinta-feira (20), a primeira-dama de Mineiros, Ana Paula Oliveira, abordou as recentes denúncias e prisão preventiva do ex-diretor da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) local, acusado de crimes de violência sexual, assédio moral e estupro contra funcionárias da instituição, e revelou sua própria experiência como vítima de abuso sexual aos 8 anos.
“Como eu fui vítima, hoje a ferida está aberta, foi amargamente aberta. Mas eu fui abusada sexualmente”, relata a primeira-dama de Mineiros. Com um depoimento forte, ela destaca a importância de apoiar e proteger as vítimas, e enfatiza que a sociedade deve estar unida para combater qualquer tipo de assédio e abuso, com medidas protetivas para mulheres, crianças e adolescentes.
Ana Paula expressou total apoio às vítimas e destacou a importância de denunciar tais crimes. Ela enfatiza que “é fundamental não transformar essas questões em politicagem em redes sociais, mas sim tratá-las com seriedade e gravidade”. A secretária enfatiza a necessidade de acolher e apoiar as vítimas, encorajando-as a buscar ajuda e denunciar às autoridades responsáveis.
A secretária fez um apelo para que as pessoas não julguem as vítimas nas redes sociais, mas as apoiem durante todo o processo. Ela também ressaltou a importância de denunciar os criminosos e colocá-los fora de circulação, para que não possam continuem a causar danos a outros inocentes.
Ana Paula encerrou o pronunciamento ao reafirmar o compromisso de manter firme a bandeira contra o assédio, abuso e violência sexuais. Ela reforça a importância de se trabalhar em conjunto para garantir um ambiente seguro para todos os cidadãos e cidadãs, especialmente os mais vulneráveis.
O depoimento da primeira-dama Ana Paula ressalta a gravidade desses crimes, e a urgência de se conscientizar a sociedade sobre o tema. Ela encoraja a denúncia, o combate ao assédio e à violência sexuais em todas as formas.
“Não façam disso uma politicagem em redes sociais. Isso é grave, é sério. Quem tem propriedade para falar sobre isso são os que viveram esse problema. Hoje eu posso falar muito claramente a todos vocês. Eu passei por isso. Eu levanto essa bandeira de combate ao crime de abuso e violência sexuais. Contem comigo. Eu faço parte do time de vocês”, afirma Ana Paula durante o depoimento.
“Eu tinha uma ferida cicatrizada. Hoje ela se encontra aberta, porque eu nunca esperava por isso. Foi um golpe duro. E, agora, vimos pessoas que fazem política em cima de crimes graves, doentios, bárbaros. Eu não aceito. Eu acolho. Podem me procurar. Eu não aceito nenhum tipo de assédio, de abuso com crianças, adolescente, mulheres. Contem comigo”, destaca a primeira-dama.
“Duas mães me procuraram já, essa semana. Não sobre o ex-diretor da UPA, que está preso, e será julgado. Recebi denúncias de uma mãe, de uma empresa grande aqui de Mineiros, na qual a filha dela foi estuprada pelo chefe, e demitida injustamente. O processo dela corre em segredo de justiça. Ela se mudou de Mineiros. Ela tem medo”, relata Ana Paula.
“As vítimas têm medo. Ter coragem de enfrentar tudo isso não é fácil. Não é para qualquer um. Tem que ser forte, firme, ter determinação. Hoje foi conosco. Amanhã, se a gente não tirar esse réu de circulação, do nosso meio, pode ser os nossos filhos e filhas, os nossos netos e netas. Por isso, denunciem aos órgãos competentes, à Delegacia da Mulher, ao Ministério Público e ao Poder Judiciário. Eles estão prontos para receber a denúncia”, aponta a secretária de Saúde.
“Eu recebi outra denúncia de uma senhora que sofreu assédio sexual de uma pessoa que esse ex-diretor da UPA passava informações. Inclusive, quem arrumou o advogado foi ele. É denúncia antiga. Eu não sei quando essa lei prescreve. Mas, tinha muito poder, e assediava mulheres também”, informa Ana Paula.
“Eu vou contar um pedaço do meu caso, para vocês ficarem atentos. Como eu fui vítima, hoje a ferida está aberta, foi amargamente aberta. Vou explicar para vocês, o jeito que eu senti. Pegaram sal e limão e jogaram numa ferida grande. Dói, gente. Foram vários dias sem dormir, sem comer, o corpo tremendo, lembrando de tudo que eu passei. Não critiquem, apoiem quem tem coragem de denunciar, elas precisam de apoio, e não é de crítica”, diz a primeira-dama no depoimento em público.
“O meu caso foi dentro da minha casa. Tinha um fatídico professor de música que passava na porta todos os dias, em Goiânia. Eu tinha 8 anos de idade. Ele batia na porta, tocava a campainha. Minha mãe abria e ele perguntava: ‘Você não quer fazer um teste para ver se seus filhos têm aptidão a algum instrumento musical?’ Ia sempre na hora do almoço. Era ou é – eu não sei, nunca o encontraram-, um pedófilo”, relata Ana Paula.
“Ele passava na hora que minha mãe fazia comida. Acho que pensava assim: ‘ela vai deixar, e aí eu vou abusar das filhas dela’. Mas, graças a Deus, não chegou perto da minha irmã. Eu tive coragem de relatar. Eu contei para a minha mãe o que aconteceu na hora, porque ela perguntou. Mas, como uma criança de 8 anos de idade, eu não sabia com propriedade. Eu nunca imaginava o que estava acontecendo. Naquela época, a gente tinha muito menos informações do que temos hoje”, continua o relato a primeira-dama.
“Aí um dia a minha mãe falou para ele assim: ‘Então você vem amanhã, que eu vou fazer o almoço mais cedo, e eu acompanho vocês’. No outro dia, ele chegou na hora marcada. Só que o inimigo age de longe. Chegou uma visita junto na nossa casa”, conta Ana Paula.
“A minha mãe se sentou na cabeceira da mesa, tinha a cozinha, a copa e a sala. A sala era separada da copa com uma parede, e tinha uma porta. E eu fiquei no sofá, mas com a parede que dividia o ambiente. Então, aquela visita foi a oportunidade que ele teve. Eu me lembro perfeitamente dele sair da sala e ir à copa, pegou um pano de prato que estava em cima da mesa e tapou os meus olhos. Até hoje eu sinto o cheiro de alho no meu nariz”, relata a primeira-dama de Mineiros.
“Por isso eu falo para vocês que a ferida foi aberta, e amargamente aberta. Por isso eu luto e levanto a bandeira. Contem comigo. Daí para frente, ele fez coisas que eu não vou falar para vocês. Mas eu fui abusada sexualmente. Depois, minha mãe perguntou o que tinha acontecido. Eu contei que ele tapou meu olho. Ela já ficou esperando meu pai chegar. Foram na delegacia. Não tinha delegacia para criança e adolescente naquela época, ainda. Procuraram por ele ao longo de muitos anos. Nunca o encontraram. Eu lembro da fisionomia dele perfeitamente na minha mente, até hoje. Me lembro de uma vez, a gente subiu na Avenida Mutirão, em Goiânia. Eu vi uma pessoa no meio da ilha muito parecida com ele. Ainda falei para o meu pai. Quando foi atrás, já não estava mais”, conclui Ana Paula.