Sexta-feira, 11 de Setembro de 2026
INVESTIGAÇÃO

Flávio Bolsonaro negociava recursos para ‘Dark Horse’ com Vorcaro, e Eduardo era gestor do dinheiro, diz PF

Senador e candidato à Presidência é formalmente investigado pela polícia por sua atuação sobre o filme

Da Redação
Por - Goiânia, GO
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Flávio Bolsonaro negociava recursos para 'Dark Horse' com Vorcaro, e Eduardo era gestor do dinheiro, diz PF

BRASÍLIA (FOLHAPRESS) – Documentos da Polícia Federal (PF) e da Procuradoria-Geral da República (PGR) que tiveram o sigilo levantado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) apontam que o senador Flávio Bolsonaro era interlocutor direto do ex-banqueiro Daniel Vorcaro na negociação para investimentos no filme “Dark Horse”, que conta a história de seu pai, Jair Bolsonaro, hoje preso por liderar a tentativa de golpe de 2023.

O material também indica que Eduardo Bolsonaro, outro filho do ex-presidente e que vive nos Estados Unidos, atuava como gestor do dinheiro levantado para o longa-metragem.

Na noite desta quinta-feira (10), o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, determinou que o material sobre o Master fosse tornado público. A demanda foi atendida pelo relator do caso, o ministro André Mendonça.

O fim do sigilo sobre a investigação também havia sido defendido, anteriormente, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Nesta sexta, após parte dos documentos ser revelada, Flávio Bolsonaro pediu o fim da confidencialidade sobre o material envolvendo o Dark Horse.

“Para mim, a melhor coisa que pode acontecer é a transparência total sobre esse assunto. Porque vão só confirmar o que eu sempre falei, que não tem nada de errado em relação ao filme”, disse o senador, durante entrevista no final desta manhã.

Como mostrou a Folha, a Polícia Federal investiga a atuação do senador para arrecadar dinheiro para o longa e suspeita que parte dos recursos arrecadados tenha sido usada para bancar as despesas do seu irmão, Eduardo Bolsonaro, nos Estados Unidos.

A PF mostra que o senador trocou mensagens com Vorcaro e seus interlocutores, encontrou pessoalmente o dono do Banco Master e fez “reiteradas cobranças” para que o ex-banqueiro fizesse investimentos no filme.

“Tais elementos indicam que o senador Flávio Nantes Bolsonaro não aparece apenas como terceiro mencionado em comunicações de outras pessoas, mas como interlocutor direto de Daniel Vorcaro em tratativas relacionadas ao financiamento da produção, inclusive com cobranças de pagamentos, reuniões presenciais e acompanhamento do andamento das gravações”, diz relatório da investigação.

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Como revelou o site The Intercept, Flávio negociou diretamente com o ex-banqueiro, Daniel Vorcaro, o repasse de pelo menos US$ 24 milhões (hoje, aproximadamente R$ 122,7 milhões) para a produção do filme.

Desse montante, foram pagos efetivamente pelo menos US$ 12,3 milhões (hoje, cerca de R$ 62,9 milhões), segundo documentos da investigação noticiados pela revista piauí.

A PF também diz que as mensagens indicam que Eduardo Bolsonaro dava “orientações sobre a forma pela qual os recursos poderiam ser geridos nos Estados Unidos”.

A administração dos recursos seria feita por meio do fundo Havengate, que é ligado a Paulo Calixto, advogado de Eduardo.

A conclusão é de que as informações “constituem, em juízo de cognição sumária, um conjunto coerente de elementos que evidencia justa causa para a instauração da investigação, a fim de esclarecer a origem, o trânsito, a destinação e os beneficiários finais dos valores movimentados”.

As afirmações são endossadas pela Procuradoria-Geral da República, que pede ainda que seja feita uma relação das propostas legislativas apresentadas por Flávio Bolsonaro e também pelo deputado Mário Frias (PL-SP) que possam ter beneficiado Daniel Vorcaro ou o Banco Master.

Nesta quinta, a Polícia Federal realizou operação autorizada pelo ministro Flávio Dino sobre o filme, que apura o possível desvio de R$ 750 mil da produção do filme, além de uso de verba pública.

Dentre os alvos, estão o deputado Mário Frias (PL-SP). Segundo relatório, ele enviou R$ 2 milhões em emendas parlamentares para o ICB (Instituto Conhecer Brasil), ONG presidida por Karina Gama, também dona da Go Up Entertainment, produtora do filme.

Na quinta, Flávio Bolsonaro chamou a operação de “fajuta”. “Faltam 24 dias para a eleição, eles precisam inventar alguma coisa contra mim”, disse.

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