Governo Federal avalia retirar subsídios a combustíveis se petróleo ficar perto de US$ 80
Os próximos 30 dias serão usados para observar se o novo cenário será consolidado
O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, afirmou que o governo deve encerrar os subsídios aos preços dos combustíveis, como diesel e gasolina, caso o barril de petróleo se estabilize em torno de US$ 80. A avaliação ocorre após o acordo temporário de paz entre Estados Unidos e Irã, que reduziu a pressão sobre o mercado internacional de energia.
Nesta quarta-feira (17), o contrato de agosto do petróleo Brent, referência global, oscilava próximo de US$ 80 e chegou a cair para US$ 77,76. Segundo Ceron, os próximos 30 dias serão usados para observar se o novo cenário será consolidado. “Se estabilizar (em torno de US$ 80 o barril), realmente não há necessidade de continuidade das medidas. A gente vai retirar por prudência, com toda certeza”, afirmou.
Desde o início da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, no fim de fevereiro, o governo adotou ações emergenciais para conter os efeitos da alta do petróleo sobre diesel, gasolina, querosene de aviação e gás de cozinha. Parte das medidas, que incluem reduções tributárias e subvenções, tem validade até julho.
Ceron também afirmou que o fim do conflito tende a aliviar as projeções de inflação e reduzir a pressão sobre os juros futuros. Para ele, a alta recente das expectativas para o IPCA foi influenciada principalmente pela guerra no Irã, e não pelas medidas de estímulo do governo. “Se você excluir o impacto da guerra, você não tem um cenário de um estresse inflacionário relevante”, disse.
Na área fiscal, o secretário reconheceu que o país precisa discutir o crescimento das despesas obrigatórias, mas disse não haver espaço para novas propostas às vésperas da campanha eleitoral. Ceron também afirmou que o Brasil deve realizar uma nova emissão soberana de títulos sustentáveis no segundo semestre, além de preparar a primeira emissão de títulos em iuanes, conhecidos como “panda bonds”.
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