CNJ faz operação em gabinete de desembargador ligado a Kassio Nunes Marques
Corregedoria apura conduta do desembargador Newton Pereira Ramos Neto em decisões que teriam beneficiado o ex-banqueiro Daniel Vorcaro
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O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) realiza nesta quinta (24) uma operção no gabinete do desembargador Newton Pereira Ramos Neto, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). A informação é da colunista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S. Paulo.
A Polícia Federal (PF) participa, em apoio à Corregedoria Nacional de Justiça, que é vinculada ao CNJ.
Ramos é citado em diálogos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro como integrante da “Turma do KN”, uma referência ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Kassio Nunes Marques.
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A mulher do magistrado, Camila Ramos, firmou um contrato de R$ 470 milhões com o Banco Master para defender os interesses da instituição relacionados a precatórios bilionários do setor sucroalcooleiro. Ela visita Vorcaro regularmente na prisão.
O casal é amigo íntimo de Kassio. Diálogos mostram que o ministro viajou em uma aeronave de Vorcaro para celebrar o aniversário da advogada em Alagoas. Já o desembargador Newton Ramos aparece em diálogos pedindo a reserva de quartos em hotel de luxo para o magistrado.
Kassio Nunes Marques diz que nunca trocou mensagens com o banqueiro e que nunca autorizou terceiros a falarem em seu nome.
Ramos é alvo de um procedimento no CNJ que apura a conduta dele em casos de interesse do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo o jornal o Estado de S. Paulo, o desembargador proferiu ao menos dois votos favoráveis aos interesses do Master em um processo envolvendo a Usina Cansanção de Sinimbu, em Jequiá da Praia, Alagoas.
Em recuperação judicial, a empresa busca definir o valor da indenização devida pela União por supostos prejuízos causados pela política de preços do setor sucroalcooleiro.
Nas operações da corregedoria do CNJ são recolhidos materiais de computadores e outros documentos para embasar os procedimentos de investigação contra magistrados.
O advogado Kevin Marques, 25, filho do ministro Kassio, também é citado no celular de Vorcaro, em diálogos em que o ex-banqueiro trata de pagamentos que seriam destinados a ele.
Eles seriam feitos por meio da Consult Inteligência Tributária e envolveriam casos igualmente relacionados a precatórios de interesse do Master.
As mensagens foram trocadas entre Luiz Rennó, então diretor jurídico do Banco Master, e o ex-banqueiro. Nelas, Rennó fala em pagamentos mensais de R$ 500 mil.
Em uma das mensagens, Rennó repassa a Vorcaro, no dia 1 de outubro de 2024, a informação de que o STF tinha tomado uma decisão favorável à destilaria Alcídia, de Teodoro Sampaio, que reconhecia a responsabilidade da União sobre prejuízos causados a usinas do setor sucroalcooleiro nas décadas de 1980 e 1990.
Com isso, a União teria que pagar indenizações bilionárias às usinas. Vorcaro tinha negócios e interesse na área, já que o Banco Master mantinha em seu balanço carteira de precatórios do setor estimada em R$ 10 bilhões.
Votaram a favor da tese os ministros Edson Fachin, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques. Ficaram vencidos Gilmar Mendes e André Mendonça.
Nunes Marques inicialmente se declarou impedido de votar, mas depois reviu a posição e desempatou o julgamento a favor da destilaria.
Em seguida, Rennó envia o print com os contatos de Kevin Marques, e embaixo a legenda: “Dominado aqui”.
No ano seguinte, em 4 de julho de 2025, Rennó volta a falar do assunto com Vorcaro. Ele envia o print com os mesmos contatos de Kevin Marques e escreve: “Esse aqui _ 500 mil mês – mantém? Kkkkkkkkk. Então esse aqui já era, né?”. Vorcaro responde: “Kkkkkkk”.
Em 8 de agosto de 2025, Rennó diz a Vorcaro: “Dos pagamentos essenciais está faltando a Consult”. Em seguida, envia o mesmo print com os contados de Kevin Marques, e escreve: “Aqui. Esse aí. Único ‘meu’ que faltou”.
Procurado, o ministro Kassio Nunes Marques não se manifestou, na época, sobre os diálogos que citam Kevin Marques.
A assessoria do filho do magistrado afirmou por meio de nota que “o advogado Kevin Marques não prestou serviço ao banco Master nem recebeu dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro. Como informado anteriormente, o advogado Kevin Marques recebeu R$ 281,6 mil da Consult, empresa à qual prestou serviços jurídicos especializados na área tributária administrativa. A atuação profissional do advogado Kevin Marques em favor da Consult não tem qualquer relação com o Supremo Tribunal Federal”.