Odebrecht e Andrade Gutierrez lideravam cartel de empreiteiras, dizem PF e MPF
Além do esquema de fraudes na Petrobras, as investigações identificaram que a Odebrecht também pode ter fraudado contratos para as obras da usina nuclear Angra III
Ir direto pra matériaAs investigações que resultaram na 14ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada nesta sexta-feira pela Polícia Federal, revelam que as empreiteiras Norberto Odebrecht e Andrade Gutierrez lideravam o cartel de empreiteiras que superfaturavam contratos da Petrobras. De acordo com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, as duas empreiteiras, no entanto, diferentemente das demais investigadas, usavam um esquema “mais sofisticado” de pagamento de propina a agentes públicos e políticos por meio de contas no exterior, o que exigiu maior aprofundamento das investigações, antes do pedido de prisão dos diretores das empresas.
De acordo com o procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima, três colaborados, entre eles os ex-diretores da Petrobras — presos em fases anteriores da Lava Jato —, Paulo Roberto Costa e Pedro Barusco, disseram que receberam propina da Odebrecht no exterior, por meio de empresas offshore. Esses pagamentos, segundo Lima, foram identificados pela PF e pelo MPF após colaboração com autoridades estrangeiras.
“Observou-se que, nas empreiteiras que foram denunciadas até aqui, o contato era diretamente com o [doleiro] Alberto Youssef e as empresas dele, em um esquema relativamente simples e fácil de comprovar. Entretanto, o esquema de lavagem que deparamos agora é de depósito no exterior”, explicou Lima.
“Uma série de colaboradores nos indicaram os caminhos dos valores no exterior e isso reforçou, nesse momento, a necessidade do pedido da prisão dos executivos dessas empresas”, acrescentou o procurador. “Esses colaboradores indicam que essas empresa fizeram pagamentos no exterior, então identificamos as empresas offshore que intermediaram os pagamentos. Quando temos três colaboras, o nível de confirmação aumenta consideravelmente”.
Além do esquema de fraudes na Petrobras, as investigações que resultaram na deflagração da operação Erga Omnes identificaram que a Odebrecht também pode ter fraudado contratos para as obras da usina nuclear Angra III, no Rio de Janeiro.
A 14ª fase da Operação Lava Jato prendeu, até as 10h desta sexta-feira, nove dos 12 mandados de prisão. Entre os detidos estão Marcelo Odebrecht — presidente da Odebrecht — que foi preso em casa, em São Paulo, e Otávio Marques Azevedo, presidente da Andrade Gutierrez.
Trinta e oito mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos, nove de condução coercitiva, oito de prisão preventiva e quatro de prisão temporária em quatro estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Além da Odebrecht, a empreiteira Andrade Gutierrez também está na mira das autoridades.
Os detidos serão transferidos ainda nesta sexta-feira para a Superintendência da Polícia Federal em Curitiba onde permanecerão à disposição da Justiça Federal.