Segunda-feira, 21 de Setembro de 2026
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Oito em cada dez religiosos rejeitam política na igreja, mas lideranças buscam influenciar voto

Pesquisa do Instituto de Estudos da Religião (Iser), em parceria com a Quaest, ouviu 15 mil brasileiros sobre o tema

Por - Goiânia, GO
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Oito em cada dez religiosos rejeitam política na igreja, mas lideranças buscam influenciar voto Instituto de Estudos da Religião (Iser)

Oito em cada dez brasileiros são contrários à discussão de política em espaços religiosos, enquanto nove em cada dez não querem que candidatos tenham presença em igrejas. Os dados são da pesquisa Religião e Vida Pública no Brasil, realizada pelo Instituto de Estudos da Religião (Iser) em parceria com a Quaest, que ouviu 15 mil pessoas presencialmente em todo o país.

Apesar da rejeição à presença da política nos templos, o levantamento mostra que lideranças religiosas, especialmente pastores, tiveram participação na orientação de votos nas eleições de 2022. Entre os entrevistados, 11% disseram ter recebido indicação para votar no então presidente Jair Bolsonaro (PL), enquanto 5% afirmaram ter sido orientados a votar em Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Entre os evangélicos, os percentuais são maiores. No grupo dos protestantes, que inclui denominações como batistas e presbiterianas, 20% afirmaram ter recebido orientação para votar em Bolsonaro. Entre os pentecostais, grupo que reúne igrejas como Assembleia de Deus, Universal e Quadrangular, o índice chegou a 23%.

Influência varia entre igrejas

A pesquisa também mostra diferenças de acordo com a denominação religiosa. Entre os fiéis da Igreja Universal, 27% disseram ter recebido recomendação de voto em Bolsonaro nas eleições de 2022, enquanto 12% afirmaram ter sido orientados a votar em Lula.

No mesmo grupo, 26% dos entrevistados disseram concordar que o pastor indique em quem votar. O percentual é aproximadamente o dobro da média geral registrada pela pesquisa.

Os dados também apontam diferenças regionais. Entre os evangélicos do Nordeste, Lula recebeu 35% dos votos no segundo turno de 2022, enquanto Bolsonaro teve 38% nesse segmento, segundo o recorte apresentado pelo levantamento. O resultado é apontado pelos pesquisadores como um exemplo da diversidade do comportamento eleitoral entre os evangélicos.

Política também circula nas redes sociais

A influência política não se limita ao interior das igrejas. Segundo a pesquisa, um em cada cinco entrevistados participa de grupos ou comunidades religiosas nas redes sociais.

Entre essas pessoas, 48% afirmaram ver sempre ou frequentemente conteúdos políticos compartilhados por outros participantes em grupos do Facebook. No WhatsApp, o percentual foi de 34%. Católicos praticantes, pentecostais e protestantes relataram maior contato com esse tipo de conteúdo em comparação com católicos não praticantes e evangélicos sem igreja.

Para os pesquisadores, os resultados indicam que a religião é apenas um dos fatores que podem influenciar o comportamento eleitoral. O levantamento também aponta que não existe um comportamento político único entre os evangélicos, com diferenças importantes entre denominações, regiões e formas de participação religiosa.

*Com informações do O Globo

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