Segunda-feira, 14 de Setembro de 2026
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Missionária e pais pastores são investigados por ligação com o Comando Vermelho no MT; entenda o caso

Família usava projeto de assistência religiosa em presídios para movimentar dinheiro e manter contato com facção

Por - Goiânia, GO
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Família usava projeto de assistência religiosa Missionária e pais pastores são presos suspeitos de ligação com o Comando Vermelho no MT

A missionária Rhavenna Barcelos de Almeida e os pais, os pastores Orminda e Nivaldo de Almeida, são investigados por suspeita de envolvimento com o Comando Vermelho (CV) em Mato Grosso. Segundo a Polícia Civil, a família usava um projeto de assistência religiosa em presídios para repassar recados, levar celulares e movimentar dinheiro ligado à facção.

A investigação também apontou que Rhavenna mantinha um relacionamento com Jonas Souza Gonçalves Júnior, conhecido como Batman, apontado pela polícia como um dos chefes do Comando Vermelho em Mato Grosso. Depois de fugir de uma unidade prisional de Cuiabá, ele se escondeu no Rio de Janeiro e, segundo os investigadores, compartilhava com a missionária informações sobre seu paradeiro e operações policiais.

O caso foi revelado pelo Fantástico, da TV Globo, neste domingo (13), a partir do relatório final da investigação da Polícia Civil de Mato Grosso.

Projeto religioso era usado para entrar em presídios

Rhavenna e os pais integravam o projeto Equipe Evangelismo Resgatando Vidas, autorizado pelo governo de Mato Grosso a prestar assistência religiosa dentro de unidades prisionais.

A polícia passou a investigar a família após receber uma denúncia de ligação com uma organização criminosa. Segundo o inquérito, a atividade religiosa teria sido usada como pretexto para facilitar o acesso aos presídios e permitir o repasse de mensagens e celulares, além da movimentação de dinheiro.

A família frequentava a Penitenciária Central de Cuiabá, onde estão mais de 3 mil presos, incluindo integrantes e lideranças do Comando Vermelho.

“Eles levavam recados, lavavam dinheiro, emprestavam as contas bancárias para que fosse feita a ocultação e a dissimulação de valores e tudo isso era revertido em prol da facção criminosa”, afirmou ao Fantástico o delegado Victor Hugo Caetano, da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado.

De acordo com a investigação, foram encontradas no celular de Rhavenna mensagens relacionadas à movimentação de dinheiro e vídeos de criminosos armados. Em uma ligação, o pai dela, Nivaldo, aparece mostrando uma pistola à filha e fazendo um gesto que, segundo a polícia, seria um símbolo da facção.

Missionária mantinha contato com chefe do CV

Um dos principais pontos da investigação é a relação de Rhavenna com Jonas Souza Gonçalves Júnior, o Batman.

Condenado a 49 anos de prisão, ele cumpria pena na Penitenciária Central de Cuiabá, onde a família atuava no projeto religioso. Em setembro de 2024, passou para o regime semiaberto e rompeu a tornozeleira eletrônica três dias depois. Em seguida, fugiu para o Rio de Janeiro e passou a integrar a lista dos criminosos mais procurados do país.

Segundo a Polícia Civil, Batman enviava a Rhavenna informações sobre seu esconderijo no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio. Os dois também teriam se encontrado diversas vezes na capital fluminense.

Em uma conversa obtida pelos investigadores com autorização judicial, o traficante avisou à missionária sobre uma operação policial no Complexo do Alemão. Durante a madrugada, informou que havia deixado o local e estava em outra favela.

A investigação também reuniu imagens que mostram Rhavenna na companhia de Batman e de outros homens armados. Em um vídeo, ela aparece em um encontro na Rocinha, onde, segundo os investigadores, havia integrantes da facção.

Família é investigada por lavagem de dinheiro

Além da relação com Batman, a investigação aponta que Rhavenna e os pais teriam mantido contato com outros integrantes do Comando Vermelho.

A polícia também identificou uma relação da missionária com Renildo Silva Rios, preso há mais de duas décadas por homicídio, tráfico de drogas e organização criminosa. Ele é apontado como um dos fundadores do Comando Vermelho em Mato Grosso.

Segundo o delegado Victor Hugo Caetano, Rhavenna e os pais também teriam lavado dinheiro para Renildo. Em mensagens, ela chegou a descrevê-lo como “conselheiro final” da facção e afirmou que ele tinha dinheiro.

De acordo com o material apresentado pelo Fantástico, Rhavenna também teria recebido presentes de integrantes da facção, entre eles uma pulseira de ouro e um carro.

O que aconteceu com os investigados

Rhavenna, Orminda e Nivaldo foram indiciados por organização criminosa e lavagem de dinheiro. Outras mulheres ligadas ao grupo religioso também foram investigadas e indiciadas por falso testemunho, sob a suspeita de terem mentido em depoimentos sobre relações com traficantes.

Na última sexta-feira (11), o Ministério Público denunciou Rhavenna, Orminda e Renildo pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Nivaldo morreu na semana passada em decorrência de um câncer.

A defesa de Rhavenna negou as acusações e afirmou ao Fantástico que os fatos serão esclarecidos durante o processo. A defesa de Orminda também negou qualquer participação dela em organização criminosa. Durante o interrogatório policial, Rhavenna permaneceu em silêncio.

A Justiça de Mato Grosso proibiu a família e outras quatro pessoas de participar de atividades de assistência religiosa em presídios. Os demais grupos cadastrados continuam autorizados a realizar visitas.

A Secretaria de Justiça de Mato Grosso informou ainda que reforçou a fiscalização para impedir a entrada e o uso de celulares na Penitenciária Central de Cuiabá.

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