Possibilidade de ir para a Papuda deixa Bolsonaro em pânico, dizem aliados
Temor do ex-presidente é passar mal no local e não ter atendimento médico apropriado, ou, ainda, de ser mal tratado por outros presos
Ir direto pra matéria
Aliados que estiveram com Jair Bolsonaro (PL) disseram que ele está em pânico com a possibilidade de ser condenado e enviado para uma cela do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. A informação foi divulgada pela coluna da Mônica Bérgamo, na Folha. Nesta terça-feira (9), os ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino votaram pela condenação do núcleo 1 da trama golpista em julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF).
Conforme a coluna, o temor do ex-presidente é passar mal no local e não ter atendimento médico apropriado, ou, ainda, de ser mal tratado por outros presos. Segundo uma das fontes, Bolsonaro também tem medo de morrer no complexo prisional. Para ele, o envio a um presídio comum seria uma humilhação.
Ainda não há definição sobre o local da prisão, caso haja a condenação. Contudo, Bolsonaro deverá ser enviado a alguma cela especial, se for realmente condenado. Os advogados dele, inclusive, já preparam um pedido para manutenção da prisão domiciliar, que cumpre atualmente.
Celas especiais
Os oito réus do núcleo 1 da suposta trama golpista terão celas especiais, caso ocorra a condenação pelo STF. Enquanto seis são militares (Jair Bolsonaro, Mauro Cid, Walter Braga Netto, Augusto Heleno, Almir Garnier e Paulo Sérgio Nogueira), cinco deles da alta cúpula, os outros dois são delegados da Polícia Federal (Alexandre Ramagem e Anderson Torres).
O general Braga Netto já está preso preventivamente no Comando da 1ª Divisão de Exército, no Rio de Janeiro. Os demais militares, se condenados, devem pedir para cumprir a pena em uma unidade militar. Já Ramagem e Torres, em caso de decisão desfavorável, terão uma cela especial, mas em um presídio comum.
No caso de Bolsonaro, capitão reformado do Exército, ele ainda tem a unidade militar ou poderá ficar preso em uma cela da superintendência da Polícia Federal, se condenado – como ocorreu com o presidente Lula (PT) à época em que foi detido na Lava Jato. Por ter mais de 70 anos e problemas de saúde, é esperado que a defesa peça para ele continuar em prisão domiciliar.
A sentença está prevista para 12 de setembro. O cumprimento, contudo, não é imediato, pois é necessária a publicação do acórdão, o que ocorre, normalmente, em cerca de 15 dias. Após isso, abre-se o prazo para as defesas, que podem ajuizar embargos de declaração ou embargos infringentes.
Voto de Moraes
Depois de mais de 5 horas de leitura, o ministro Alexandre de Moraes votou pela condenação de Bolsonaro e de outros sete réus por envolvimento em uma trama golpista para manter o ex-presidente no poder após a derrota nas eleições de 2022. Em seu voto, o relator apontou todos os crimes descritos pela Procuradoria-Geral da República (PGR): tentativa de golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado democrático de direito, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
No caso de Bolsonaro, pesa ainda a acusação de liderar a organização criminosa.
O ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem, foi poupado dos crimes ligados diretamente ao 8 de janeiro, já que havia sido diplomado deputado federal na época. Contra ele, seguem as acusações de tentativa de golpe, abolição violenta do Estado democrático de direito e organização criminosa armada.
A condenação será confirmada se a Primeira Turma do STF formar maioria de três votos. O ministro Flávio Dino votou com o relator, mas fez menções a penas menores para Alexandre Ramagem, Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira.
Ainda votam os ministros Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin. A definição do tempo de pena deve ficar para o último dia de julgamento, caso haja condenação.
LEIA TAMBÉM:
Flávio diz que Moraes vota com ‘ódio’ pela condenação de Bolsonaro