Anvisa aprova 12 novas canetas para diabetes e obesidade; veja quais são e os preços
Escolha deve considerar indicação, efeitos colaterais e possibilidade de manter o tratamento
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A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) ampliou em 2026 as opções de medicamentos injetáveis usados no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade. Impulsionado pela queda da patente da semaglutida, princípio ativo do Ozempic e do Wegovy, o mercado brasileiro recebeu novos registros de genéricos e similares, além de opções à base de liraglutida.
Ao todo, 12 novas canetas foram aprovadas pela Anvisa em 2026: dez à base de semaglutida e duas de liraglutida. A multiplicação de marcas, no entanto, não significa que todos os medicamentos sejam intercambiáveis ou que a escolha deva ser feita apenas pelo preço.
Segundo especialistas, a definição do tratamento deve considerar o diagnóstico, a necessidade de perda de peso, outras doenças apresentadas pelo paciente, os possíveis efeitos colaterais e a possibilidade de manter o uso do medicamento por longos períodos.
Obesidade e diabetes são doenças crônicas e, em muitos casos, o tratamento farmacológico pode precisar ser mantido por meses ou anos. Por isso, medicamentos com maior potencial de perda de peso nem sempre são a melhor escolha se o paciente não conseguir manter o tratamento.
Semaglutida: veja as 10 canetas aprovadas em 2026
A principal mudança no mercado brasileiro ocorreu com a semaglutida, substância conhecida principalmente pelas marcas Ozempic e Wegovy, da farmacêutica Novo Nordisk.
A substância imita a ação do GLP-1, hormônio produzido naturalmente pelo organismo que participa do controle da glicose e da saciedade. Com isso, ajuda a controlar a glicemia, reduz o apetite e aumenta a sensação de saciedade, podendo contribuir para a perda de peso.
Até março deste ano, a fabricação de medicamentos com semaglutida no Brasil estava concentrada nos produtos da Novo Nordisk. A exclusividade terminou no dia 20 de março, abrindo caminho para a entrada de outras farmacêuticas.
Veja a lista das 10 canetas de semaglutida aprovadas pela Anvisa em 2026:
- Ozivy, da EMS
- Semavy, da Cosmed
- Owozy, da Ávita Care
- Zempneo, da Brainfarma
- Seemasun, da Sun Farmacêutica
- Orsema, da Ranbaxy
- Semaglutida genérica da EMS
- Semaclique, da Germed
- Semaglutida genérica da Germed
- Yluméc, da EMS
O Ozivy, primeiro medicamento à base de semaglutida registrado após a queda da patente, chegou às farmácias com preços anunciados entre R$ 452 e R$ 498 por caneta.
Já o Ozempic custa entre R$ 975, nas versões de 0,25 mg e 0,5 mg, e R$ 999 na apresentação de 1 mg, segundo valores anunciados no programa Preço NovoDia.
No caso dos medicamentos genéricos, a legislação determina que o preço seja, no mínimo, 35% inferior ao do medicamento de referência. Os demais produtos aprovados ainda precisam cumprir outras etapas antes de chegarem às farmácias, incluindo a definição de preços pela CMED.
Liraglutida ganhou dois novos genéricos
Outra substância que ganhou novas opções em 2026 foi a liraglutida, também pertencente à classe dos agonistas do receptor de GLP-1.
Na última terça-feira (8), a Anvisa aprovou dois medicamentos genéricos de liraglutida produzidos pela EMS, destinados ao tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2.
Os produtos têm como referência os medicamentos Olire e Linux, também da EMS, que começaram a chegar às farmácias no fim de 2025. O Olire é destinado ao tratamento da obesidade, enquanto o Linux é indicado para diabetes tipo 2.
Uma das principais diferenças da liraglutida em relação à semaglutida e à tirzepatida é a frequência de aplicação. Enquanto os medicamentos mais recentes costumam ser administrados uma vez por semana, a liraglutida exige aplicação diária.
Segundo o endocrinologista Júlio Américo Batatinha, a necessidade de aplicação todos os dias ajudou a reduzir o espaço da substância no mercado diante de medicamentos mais recentes.
“A liraglutida tem um efeito intermediário na perda de peso e também tem um efeito bom no controle do diabetes. A principal desvantagem é que ela exige uso diário, então o paciente precisa fazer a aplicação todos os dias”, afirma.
Mounjaro é a única opção com tirzepatida
A tirzepatida é o princípio ativo do Mounjaro, medicamento aprovado pela Anvisa para o tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade, conforme as indicações autorizadas.
Diferentemente da semaglutida, a substância atua sobre dois hormônios envolvidos no controle metabólico: o GLP-1 e o GIP.
A tirzepatida continua protegida por patente no Brasil. Por isso, o Mounjaro, da Eli Lilly, segue como a única opção aprovada pela Anvisa com esse princípio ativo no país.
Dulaglutida tem menor efeito na perda de peso
A dulaglutida também pertence à família dos agonistas do receptor de GLP-1. No Brasil, o principal medicamento de referência é o Trulicity, indicado para o tratamento do diabetes tipo 2.
Até o momento, não há versões genéricas ou similares aprovadas no país. Segundo especialistas, a substância apresenta menor potência para a redução do peso quando comparada à semaglutida e à tirzepatida, o que fez seu uso para essa finalidade perder espaço com a chegada de medicamentos mais potentes.
Especialistas reforçam que a escolha entre Ozempic, Wegovy, Mounjaro, medicamentos genéricos e outras canetas não deve ser feita sem avaliação médica. Além da eficácia, o tratamento precisa considerar as doenças associadas, a tolerância aos possíveis efeitos colaterais e a possibilidade de continuidade do uso.