Mounjaro e Ozempic reduzem risco de câncer? Veja o que dizem especialistas
Entenda o que dizem os estudos sobre GLP-1 e a incidência de câncer
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O uso de medicamentos como Mounjaro e Ozempic, da classe dos chamados GLP-1, tem levantado dúvidas sobre uma possível relação com a redução do risco de câncer. Embora estudos recentes tenham sugerido resultados promissores, especialistas afirmam que as evidências ainda são insuficientes para confirmar esse efeito.
A discussão ganhou força após a divulgação de pesquisas apresentadas em eventos científicos internacionais, que analisaram dados de milhões de pacientes. Apesar do volume de informações, a interpretação dos resultados exige cautela, segundo médicos e epidemiologistas.
Estudos indicam possíveis reduções em alguns tipos de câncer
Pesquisas observacionais recentes apontaram taxas menores de determinados tipos de câncer entre pessoas que utilizam medicamentos GLP-1. Um estudo de 2024, com mais de 1,6 milhão de pacientes com diabetes tipo 2, identificou redução em 10 dos 13 cânceres relacionados à obesidade quando comparados a pacientes que utilizavam insulina.
Outro levantamento, de 2025, com cerca de 87 mil adultos, indicou uma redução geral de 17% nos casos de câncer entre usuários desses medicamentos, com destaque para tumores de endométrio e ovário. Já uma pesquisa de 2026, com mais de 110 mil mulheres, apontou risco cerca de 30% menor de câncer de mama entre usuárias.
Apesar disso, alguns dados também levantam alertas. No mesmo estudo de 2025, foi observado aumento de 38% no risco de câncer renal, embora os autores indiquem a necessidade de análises mais amplas para confirmar esse achado.
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Riscos iniciais e dúvidas sobre segurança
Antes da atual hipótese de benefício, havia preocupação de que os medicamentos pudessem aumentar o risco de câncer, especialmente de tireoide. Estudos em roedores identificaram o desenvolvimento de tumores, o que levou órgãos reguladores dos Estados Unidos a incluírem alertas sobre o uso em pessoas com histórico da doença.
No entanto, análises em humanos não confirmaram essa associação. Revisões com dezenas de ensaios clínicos e estudos em primatas não encontraram relação clara entre o uso de GLP-1 e câncer de tireoide ou pâncreas.
Especialistas destacam, porém, que esses medicamentos ainda são relativamente novos e que o câncer pode levar anos ou até décadas para se desenvolver, o que limita conclusões definitivas.
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Por que os resultados podem ser interpretados de forma equivocada
Um dos principais pontos levantados por pesquisadores é o chamado “viés do usuário saudável”. Pessoas que utilizam medicamentos como Ozempic e Mounjaro tendem a ter melhor acesso à saúde, acompanhamento médico mais frequente e, em geral, melhores condições socioeconômicas.
Outro fator é a comparação entre tratamentos. Em alguns estudos, usuários de GLP-1 foram comparados a pacientes que usam insulina, geralmente indicada para casos mais avançados de diabetes — condição que, por si só, já aumenta o risco de câncer.
Além disso, o tempo de acompanhamento ainda é considerado curto. Muitos estudos analisam períodos de poucos anos, enquanto o desenvolvimento de tumores pode levar décadas. Em alguns casos, a redução aparente do risco surge logo após o início do uso, o que levanta dúvidas sobre causalidade.
Ensaios clínicos mostram cenário mais cauteloso
Quando analisados ensaios clínicos randomizados — considerados mais confiáveis —, os resultados são mais discretos. Meta-análises publicadas em 2025, reunindo dados de dezenas de estudos, encontraram poucas evidências de que medicamentos GLP-1 aumentem ou reduzam o risco de câncer.
Esses estudos, no entanto, também apresentam limitações, como curto tempo de acompanhamento e baixo número de casos registrados, o que dificulta conclusões definitivas.
Conclusão: não há comprovação de prevenção
Com base nas evidências atuais, especialistas consideram que os medicamentos GLP-1 não parecem aumentar o risco geral de câncer, o que é visto como um dado positivo. Por outro lado, a hipótese de que possam prevenir a doença ainda não foi comprovada.
Para responder a essa questão com mais precisão, seriam necessários estudos de longo prazo, com grande número de participantes e acompanhamento por vários anos. Até lá, a relação entre Mounjaro, Ozempic e câncer deve ser tratada com cautela.