89% dos cursos d’água de Goiânia estão em situação crítica por causa de ação humana, diz Cimehgo
Mananciais são responsáveis por abastecer 641 bairros da Região Metropolitana de Goiânia
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Impactados pela ação humana, cerca de 76 dos 85 cursos d’água que correm pela capital estão em situação crítica devido à poluição. Em pleno período de estiagem, os mananciais são responsáveis por abastecer 641 bairros, conforme o Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo).
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O gerente do órgão, André Amorim, explica que grande parte dos mananciais sofrem com a ação humana, como o descarte irregular de lixo e o assoreamento. O lançamento de esgoto e resíduos de forma ilegal nos córregos e reiberões, como observado no Ribeirão João Leite e o Rio Meio Ponte, também é outro fator preocupante. Apenas a Companhia de Urbanização Urbana (Comurg) retira, em média, 500 kg de mato e lixo por dia em ações preventivas realizadas desde abril deste ano.
“No Jardim Novo Mundo, o pessoal joga sofá e entulho lá perto do manancial. Depois, quando ele fica todo soterrado, as pessoas reclamam que o manancial sumiu, mas a culpa é de algumas pessoas que insistem ainda na prática da poluição. Preservar é mais barato, recuperar é muito caro, já que foi uma vez destruído, é necessário recompor a mata, o canal”, afirma.
André também reforça que a canalização dos cursos d’água é outro problema grave na capital. Isso porque, conforme ele, a ação é como se fosse um “sepultamento” do manancial. A canalização, aliada a impermeabilização do solo, inclusive, são um dos principais fatores de um dos problemas crônicos e mais conhecidos de Goiânia: os alagamentos. Sem ter para onde correr, devido ao “desaparecimento” dos mananciais, a água da chuva se acumula pelas ruas e avenidas de Goiânia durante o período chuvoso.
“Por conta da seca, estiagem e do El Niño, os mananciais estão em uma situação mais complicada. Se ocorrer de os cursos secarem, infelizmente algumas pessoas vão ficar sem água. O estado e os municípios estão todos empenhados para manter esses mananciais funcionando, saudáveis, mas é preciso a ajuda da população”, reforça André.
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Nascentes correm risco
A falta de proteção aos recursos hídricos também é refletida nas nascentes de Goiânia. Um levantamento feito junto ao Sistema de Informações Geográficas de Goiânia (Siggo) e divulgado em 2023, demonstra que pelo menos 20 nascentes da cidade não possuem a condição que garante a sua manutenção, como o respeito à sua área de proteção permanente (APP) quanto a existência de mata ciliar com vegetação nativa.
De acordo com o Plano Diretor de Goiânia, toda nascente deve ter uma APP de 100 metros de raio. Ou seja, não é possível realizar ocupação urbana nesse perímetro, que deve ser preservado com a mata nativa. No entanto, há assentamentos nas nascentes dos córregos.
“Todos os mananciais, independente se sejam esses que estão na Região Metropolitana ou no Estado de Goiás, todos eles são importantes. Eles fazem parte de uma bacia hidrográfica, então a gente não pode olhar um manancial por si só. Tem que imaginar que a somatória de vários córregos formam ribeirões, e de ribeirões nós temos os rios. Eles têm uma função conjunta de manter o abastecimento das cidades, manter a reserva hídrica e até a questão do subsolo”, concluiu André.