Esquema desvia 54 carros zero km de montadora em Anápolis e causa prejuízo de R$ 8,7 milhões, diz MP
Investigação aponta que automóveis eram comprados por valores abaixo do mercado e desmontados para revenda de peças
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Um esquema que teria desviado 54 veículos zero quilômetro de uma montadora em Anápolis e provocado um prejuízo estimado em R$ 8,7 milhões voltou a ser alvo do Ministério Público de Goiás (MP-GO). Na terça-feira (29), o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) cumpriu 12 mandados de busca e apreensão em São Paulo e São Bernardo do Campo, onde os carros eram recebidos após serem retirados da fábrica por meio de notas fiscais fraudulentas. Segundo a investigação, os automóveis eram adquiridos por valores abaixo do mercado e desmontados para a venda das peças. A ação também culminou no bloquear bens e valores dos investigados.
A operação é resultado do avanço das apurações iniciadas na primeira fase, quando o Gaeco identificou inconsistências no controle de estoque da montadora e chegou à estrutura responsável pela retirada dos automóveis e pelo recebimento deles em território paulista. Os investigadores identificaram comerciantes de autopeças e sucatas que teriam adquirido os carros. Parte do material era mantida em oficinas e galpões, enquanto outros veículos eram desmontados e tinham componentes anunciados em lojas físicas e redes sociais.
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As ordens judiciais foram cumpridas em endereços comerciais e residenciais nos dois municípios paulistas por policiais do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), da Polícia Civil de São Paulo, com apoio do Gaeco do Ministério Público de São Paulo.

Ex-funcionário teria criado esquema
Conforme o processo, o plano teria sido elaborado por um ex-funcionário da montadora, que aproveitou o acesso e a confiança decorrentes da função para retirar os automóveis. Para justificar a movimentação, ele teria emitido documentos indicando remessa para industrialização por encomenda, modalidade utilizada quando os veículos são encaminhados para serviços como blindagem ou instalação de acessórios antes da venda.
Ainda segundo o Gaeco, o investigado criou um perfil falso atribuído a um suposto analista de marketing e enviou solicitações fraudulentas por e-mail. Os carros eram então liberados da fábrica e transportados para São Paulo.
Denúncia foi apresentada à Justiça
Com o avanço das apurações, o Gaeco do MPGO ofereceu denúncia criminal à Vara Criminal de Anápolis. O ex-funcionário apontado como responsável pelo esquema e empresários que teriam adquirido os automóveis foram denunciados por associação criminosa, furto mediante fraude e abuso de confiança continuado e receptação qualificada no exercício de atividade comercial.
As acusações ainda serão analisadas pela Justiça, e os denunciados têm direito à defesa e ao contraditório.

Bloqueio busca garantir ressarcimento
Além das buscas, a Justiça determinou o sequestro e a indisponibilidade de bens móveis, imóveis e valores dos investigados. As medidas foram cumpridas por meio do Sisbajud, para bloqueio de ativos financeiros, e do Renajud, utilizado para impor restrições judiciais sobre veículos. Segundo o MP, o objetivo é alcançar o patrimônio relacionado ao suposto esquema e garantir recursos para uma eventual reparação dos danos causados à empresa.
A operação também busca verificar se parte dos automóveis desviados ainda está armazenada nos locais investigados ou permanece em processo de desmonte.
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