Goiano que dá vida ao Palhaço Siriguela volta a Anápolis com espetáculo gratuito
A última apresentação de Siriguela no município ocorreu em 2018
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Antes de levar seu circo a 15 estados brasileiros e a países como Grécia e Israel, Israel Stallin aprendeu a fazer malabares, mágicas e a andar de perna de pau em Anápolis. Foi na cidade natal que nasceu o Palhaço Siriguela, personagem que o acompanha há mais de três décadas. Em 2001, o artista fundou a companhia Tem Sim Sinhô, que completa 25 anos de trajetória com apresentações, oficinas e viagens pelo país. Nesta quarta-feira (21), Israel retorna a Anápolis para apresentar o espetáculo O Circo Só, com entrada gratuita, às 19h30, no Teatro Municipal.
A apresentação integra a programação da Quarta Cultural, que também contará com feira de artesanato, opções de alimentação e encontro de crocheteiras na área externa do teatro, a partir das 17h.
A relação de Israel com a arte começou cedo. Aos oito anos, ele passou a frequentar a Escola de Artes Oswaldo Verano, onde estudou desenho, pintura, modelagem em argila e escultura. Durante esse período, teve contato com diferentes linguagens artísticas e começou a construir o caminho que, anos mais tarde, o levaria ao circo.
A descoberta das artes circenses aconteceu por volta dos 11 anos, quando conheceu Washington, integrante da companhia Boca em Boca, que morava ao lado da casa de sua avó. A proximidade fez com que Israel começasse a frequentar a casa do artista e a aprender técnicas como andar de perna de pau, fazer malabares e rola-rola.

Primeira apresentação no Dia do Palhaço
O convite para a primeira apresentação, no entanto, veio acompanhado de insegurança. “Teve um dia que ele me chamou para fazer uma apresentação na matinha. Ele falou: ‘Você já anda de perna de pau, já joga malabares, já faz rola-rola, você já faz um monte de coisa, você não quer apresentar não?’ E eu falei: ‘De jeito nenhum, eu morro de vergonha, não quero apresentar, as pessoas vão rir de mim’”, relembra.
Washington, então, propôs uma solução: faria uma maquiagem capaz de transformar a aparência do jovem para que ninguém o reconhecesse. Israel aceitou o desafio. Em 10 de dezembro de 1992, Dia do Palhaço, fez sua primeira apresentação e deu vida ao personagem Siriguela.
O nome surgiu pouco antes da estreia. Washington e Mauro, que também integrava a companhia Boca em Boca, sugeriram que o palhaço recebesse o nome de uma fruta. Entre as possibilidades pensadas por Israel estavam caju, mutamba e candombá, até que a escolha recaiu sobre siriguela.
Assim nasceu o personagem que marcaria sua trajetória artística. “O nome do Siriguela é Siriguela, palhaço de altaria, pinga-fogo poesia, cravo branco da alegria. Todo tempo, todo dia, toda vida, toda hora, sempre chega para brincar em alguma hora”, explica o artista.
De Anápolis para o Brasil
A brincadeira iniciada na infância se transformou em profissão e, posteriormente, na criação de uma companhia própria. Com o passar dos anos, Israel passou a percorrer diferentes regiões do país, levando espetáculos, oficinas e atividades ligadas à cultura popular.
A trajetória itinerante já soma mais de 200 mil quilômetros percorridos pelo Brasil. Além das apresentações, Israel se dedica à formação de novos artistas e à transmissão de saberes populares. Ele estima já ter ensinado mais de 3 mil pessoas a andar de perna de pau, além de compartilhar técnicas de malabares e de confecção de brinquedos tradicionais.
O trabalho reúne diferentes expressões artísticas. Israel atua como palhaço, artesão, bonequeiro, músico e educador, combinando equilibrismo, mágica, teatro, música e brincadeiras populares em suas apresentações.
A companhia Tem Sim Sinhô mantém atualmente sua sede em Juazeiro do Norte, no Ceará, onde também desenvolve atividades com a comunidade. Ao longo da carreira, o artista levou sua produção a 15 estados brasileiros e a países como Grécia e Israel.
Em 2021, a relação entre arte, deslocamento e natureza ganhou uma experiência especial. Israel percorreu de bicicleta cerca de 300 quilômetros do Caminho de Cora Coralina, passando por oito cidades goianas. Durante o trajeto, realizou apresentações, contou histórias e distribuiu sementes, unindo a arte popular ao contato com o meio ambiente.
O reencontro com a cidade natal
Voltar a Anápolis tem um significado especial para o artista, principalmente pela possibilidade de reencontrar pessoas que acompanharam o início de sua trajetória. Ao longo de mais de três décadas, o público também mudou: crianças que assistiam às primeiras apresentações cresceram e hoje retornam aos espetáculos com os próprios filhos.
“É prazeroso reencontrar as pessoas, porque, quando comecei, havia várias crianças que hoje já são pais. No espetáculo, provavelmente vai acontecer isso: vão chegar crianças que conheci quando eram pequenas e que hoje são pais e mães de família. Isso é sensacional”, afirma.
Apesar do carinho pela cidade, Israel também aponta as dificuldades enfrentadas pelos artistas para manter e ampliar as atividades culturais em Anápolis. Para ele, a falta de incentivo limita a realização de projetos e a estruturação de espaços voltados à formação circense.
“É prazeroso estar na cidade, mesmo sabendo que santo de casa não faz milagre. Aqui, eu nunca vou conseguir a valorização que a gente deseja, nem buscar equipamentos para a nossa área, como uma escola de circo e um festival”, diz.
O artista também promoveu em Anápolis um encontro de palhaços e circo, iniciativa que, segundo ele, chegou a ter previsão de alcançar a 12ª edição, mas acabou interrompida por falta de apoio.
O Circo Só
Criado em 2005, o espetáculo O Circo Só é um dos trabalhos mais conhecidos da companhia. Na apresentação, Siriguela reúne mágicas, malabares, monociclo, perna de pau, bonecos e brincadeiras tradicionais, em uma combinação de humor e interação com o público.
A música também ocupa lugar de destaque. O artista toca instrumentos como sanfona, zabumba, triângulo e pandeiro e, em determinado momento, convida pessoas da plateia para formar uma banda e participar da apresentação.
Serviço
Espetáculo: O Circo Só, com o Palhaço Siriguela
Data: quarta-feira (21)
Horário: 19h30
Local: Teatro Municipal de Anápolis
Entrada: gratuita
A programação da Quarta Cultural contará ainda com feira de artesanato, opções de alimentação e encontro de crocheteiras na área externa do teatro, a partir das 17h.