Sexta-feira, 04 de Setembro de 2026
SAÚDE

Hospital de Anápolis usava furadeiras domésticas em cirurgias; MP recomenda suspensão

Vigilância Sanitária apreendeu 11 perfuradoras que seriam utilizadas nos procedimentos

Luanna Marques
Por - Goiânia, GO
Publicado em:
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O Hospital Municipal Alfredo Abrahão (HMAA), em Anápolis, utilizava furadeiras e perfuradoras de uso doméstico adaptadas para a realização de cirurgias ortopédicas. A prática foi identificada em fiscalizações da Vigilância Sanitária de Anápolis (Visa) e, diante da reincidência, levou o Ministério Público de Goiás (MPGO) a recomendar a suspensão completa do uso desses equipamentos na unidade. No relatório mais recente, elaborado em fevereiro de 2026, a Visa classificou a situação como uma “não conformidade recorrente, reiterada e de alto risco” e determinou que o hospital interrompesse imediatamente o uso dos equipamentos.

A recomendação foi expedida pela 9ª Promotoria de Justiça de Anápolis à Fundação Universitária Evangélica (Funev), organização social responsável pela gestão do hospital. O documento foi assinado pelo promotor de Justiça Marcelo de Freitas. A informação foi divulgada na quinta-feira (3).

O caso começou a ser apurado pelo MPGO após relatórios de inspeção da Vigilância Sanitária apontarem que ferramentas de uso doméstico estavam sendo utilizadas durante procedimentos ortopédicos. As fiscalizações ocorreram entre 2022 e 2026 e, segundo o Ministério Público, demonstraram que a situação não era pontual.

Durante as fiscalizações, a Vigilância Sanitária chegou a apreender 11 perfuradoras supostamente utilizadas nas cirurgias, por considerar que os instrumentos apresentavam alto risco sanitário. De acordo com o inquérito civil, posteriormente houve ainda violação dos lacres colocados nos equipamentos apreendidos.

Furadeiras eram adaptadas para os procedimentos

Em uma reunião com a Promotoria de Justiça, o diretor executivo da Funev confirmou que o hospital utilizava furadeiras domésticas adaptadas nos procedimentos. Segundo ele, a prática estava relacionada ao custo elevado das furadeiras pneumáticas próprias para uso cirúrgico e à necessidade constante de manutenção desses equipamentos.

Para o Ministério Público, porém, a justificativa não afasta os riscos envolvidos. A recomendação cita uma nota técnica da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que aponta que equipamentos domésticos não foram desenvolvidos para funcionar como produtos médicos e não possuem registro sanitário para essa finalidade.

Outro problema apontado é a esterilização. De acordo com a documentação citada pelo MPGO, ferramentas de uso doméstico não podem ser adequadamente esterilizadas para utilização em procedimentos cirúrgicos, o que pode aumentar o risco de infecções nos pacientes.

Por isso, a Promotoria recomendou que a Funev cesse completamente o uso das furadeiras domésticas e perfuradoras e passe a utilizar equipamentos cirúrgicos específicos nos procedimentos ortopédicos realizados no hospital.

Funev terá prazo para apresentar plano

A partir do recebimento da recomendação, a Funev terá dez dias úteis para apresentar à 9ª Promotoria de Justiça de Anápolis um plano de ação para corrigir a situação. A execução das medidas deverá ocorrer em, no máximo, 90 dias. A entidade também terá três dias úteis para informar por escrito se irá ou não cumprir a recomendação.

Caso a medida não seja atendida ou não haja resposta dentro do prazo, o Ministério Público poderá recorrer à Justiça para buscar a suspensão da prática.

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