Padrasto tenta fugir, mas é preso após adolescente autista ser achado acorrentado em Anápolis
Homem foi encontrado na rodoviária seis dias depois do resgate do enteado de 13 anos, que apresentava lesões pelo corpo e relatou sofrer agressões frequentes
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O padrasto de um adolescente de 13 anos com diagnóstico de autismo e esquizofrenia foi preso na terça-feira (21), em Anápolis, suspeito de manter o enteado acorrentado a um sofá e trancado sozinho em uma sala comercial. Segundo a Polícia Civil, o homem de 54 anos foi localizado na rodoviária da cidade enquanto tentava fugir. Ele é investigado pelos crimes de maus-tratos e cárcere privado e, se condenado, pode pegar até 13 anos de prisão.
A prisão aconteceu seis dias após o resgate do adolescente, encontrado em condições consideradas degradantes durante uma operação da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA).
De acordo com a delegada Aline Cardoso, responsável pela investigação, o garoto estava sozinho em uma sala comercial fechada por uma porta metálica trancada pelo lado de fora, sem janelas e sem saída de emergência. O local foi aberto com uma chave reserva fornecida pelo proprietário do imóvel, depois que policiais ouviram gritos e choros vindos do interior.
Acorrentado ao sofá
Assim que foi resgatado, o adolescente contou aos policiais que era mantido preso por correntes e agredido com frequência. Ele ainda mostrou os ganchos escondidos atrás de um sofá, onde, segundo relatou, as correntes eram presas para impedir que se movimentasse.
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Os primeiros exames realizados na vítima apontaram diversas lesões pelo corpo, principalmente nas pernas, braços e peito. Conforme a investigação, uma das marcas no tórax teria sido provocada por um golpe com um cipó, conforme o próprio adolescente relatou aos policiais.
No imóvel, a equipe também encontrou indícios das condições em que o garoto vivia. Segundo a Polícia Civil, ele dormia em um sofá usando apenas uma coberta, enquanto a mãe e o padrasto utilizavam uma cama.
A investigação aponta que o casal deixou o local ao perceber a movimentação policial no dia do resgate. Desde então, o padrasto era considerado foragido até ser localizado na rodoviária de Anápolis.
Mãe é investigada
A mãe do adolescente foi levada para delegacia onde prestou depoimento. A investigação apura qual foi a participação dela no caso. Segundo a delegada, há indícios de que a mulher também seria vítima de violência doméstica e teria sido impedida pelo companheiro de procurar o filho.
O adolescente faz uso contínuo de medicamentos e tem diagnóstico confirmado de autismo e esquizofrenia, conforme prontuário médico. Após o resgate, ele foi encaminhado para atendimento médico e permaneceu internado devido ao estado de saúde. A Prefeitura de Anápolis também iniciou a busca por um cuidador, já que o menino ficou sem familiares aptos para assumir os cuidados.
A Polícia Civil também investiga se o adolescente recebia algum benefício em razão da condição de saúde e se os responsáveis utilizavam esses recursos.
A identidade do suspeito não foi divulgada.
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