Quarta-feira, 22 de Julho de 2026
MAUS-TRATOS E CÁRCERE

Padrasto tenta fugir, mas é preso após adolescente autista ser achado acorrentado em Anápolis

Homem foi encontrado na rodoviária seis dias depois do resgate do enteado de 13 anos, que apresentava lesões pelo corpo e relatou sofrer agressões frequentes

Por - Goiânia,GO
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O padrasto de um adolescente de 13 anos com diagnóstico de autismo e esquizofrenia foi preso na terça-feira (21), em Anápolis, suspeito de manter o enteado acorrentado a um sofá e trancado sozinho em uma sala comercial. Segundo a Polícia Civil, o homem de 54 anos foi localizado na rodoviária da cidade enquanto tentava fugir. Ele é investigado pelos crimes de maus-tratos e cárcere privado e, se condenado, pode pegar até 13 anos de prisão.

A prisão aconteceu seis dias após o resgate do adolescente, encontrado em condições consideradas degradantes durante uma operação da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA).

De acordo com a delegada Aline Cardoso, responsável pela investigação, o garoto estava sozinho em uma sala comercial fechada por uma porta metálica trancada pelo lado de fora, sem janelas e sem saída de emergência. O local foi aberto com uma chave reserva fornecida pelo proprietário do imóvel, depois que policiais ouviram gritos e choros vindos do interior.

Acorrentado ao sofá

Assim que foi resgatado, o adolescente contou aos policiais que era mantido preso por correntes e agredido com frequência. Ele ainda mostrou os ganchos escondidos atrás de um sofá, onde, segundo relatou, as correntes eram presas para impedir que se movimentasse.

Os primeiros exames realizados na vítima apontaram diversas lesões pelo corpo, principalmente nas pernas, braços e peito. Conforme a investigação, uma das marcas no tórax teria sido provocada por um golpe com um cipó, conforme o próprio adolescente relatou aos policiais.

No imóvel, a equipe também encontrou indícios das condições em que o garoto vivia. Segundo a Polícia Civil, ele dormia em um sofá usando apenas uma coberta, enquanto a mãe e o padrasto utilizavam uma cama.

A investigação aponta que o casal deixou o local ao perceber a movimentação policial no dia do resgate. Desde então, o padrasto era considerado foragido até ser localizado na rodoviária de Anápolis.

Mãe é investigada

A mãe do adolescente foi levada para delegacia onde prestou depoimento. A investigação apura qual foi a participação dela no caso. Segundo a delegada, há indícios de que a mulher também seria vítima de violência doméstica e teria sido impedida pelo companheiro de procurar o filho.

O adolescente faz uso contínuo de medicamentos e tem diagnóstico confirmado de autismo e esquizofrenia, conforme prontuário médico. Após o resgate, ele foi encaminhado para atendimento médico e permaneceu internado devido ao estado de saúde. A Prefeitura de Anápolis também iniciou a busca por um cuidador, já que o menino ficou sem familiares aptos para assumir os cuidados.

A Polícia Civil também investiga se o adolescente recebia algum benefício em razão da condição de saúde e se os responsáveis utilizavam esses recursos.

A identidade do suspeito não foi divulgada.

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