Quase 60% dos servidores de Anápolis apresentaram atestados médicos em 2025
Casos sob investigação apontam servidores afastados do município que continuavam trabalhando em outros órgãos públicos
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A prefeitura de Anápolis iniciou uma auditoria para revisar os afastamentos por licença médica de servidores municipais após identificar um número elevado de atestados apresentados ao longo de 2025. Dados do município mostram que, dos 7.605 servidores ativos no ano passado, 4.550 ficaram afastados em algum momento por motivo de saúde — o equivalente a 58,8% do quadro de funcionários.
O impacto também aparece nas contas públicas. Segundo a administração municipal, a folha de pagamento gira em torno de R$ 54 milhões por mês. Desse total, aproximadamente R$ 27 milhões foram destinados ao pagamento de servidores que estavam afastados por licença médica.
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Os números, por si só, não significam irregularidades, já que parte dos afastamentos pode ser decorrente de doenças comprovadas. No entanto, a prefeitura afirma que a auditoria encontrou situações que levantaram suspeitas e motivaram o encaminhamento de informações aos órgãos de investigação.
Entre os casos apurados está o de um médico concursado que, segundo levantamento da TV Anhanguera, está afastado por licença médica desde 2024. Nesse período, ele recebeu mais de R$ 360 mil do município sem exercer as funções. Ao mesmo tempo, de acordo com a investigação administrativa, o profissional continuou trabalhando normalmente em um cargo no governo federal, pelo qual recebe remuneração superior a R$ 20 mil mensais.
Outro caso envolve um professor da rede municipal que estaria afastado desde 2025. Ele teria recebido cerca de R$ 265 mil durante o período de licença médica, enquanto mantinha atividades em um cargo no governo estadual, onde também é remunerado.
A acumulação de cargos públicos não configura irregularidade quando permitida pela legislação. A suspeita investigada é a de que servidores tenham sido considerados incapazes para exercer apenas a função municipal, permanecendo aptos para trabalhar normalmente em outros órgãos públicos.
Pelas regras do Estatuto dos Servidores de Anápolis, o afastamento por licença médica pode durar até dois anos, desde que o servidor passe por avaliações periódicas da junta médica oficial. Ao fim desse prazo, caso a incapacidade permaneça, o servidor pode ser aposentado por invalidez ou readaptado para exercer outra função compatível com suas condições de saúde.
Em entrevista à TV Anhanguera, o prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa, afirmou que a auditoria será estendida a todos os casos de afastamento e que os procedimentos administrativos já foram iniciados.
Segundo o prefeito, a prefeitura pretende instaurar processos disciplinares, solicitar o ressarcimento dos valores pagos nos casos em que forem comprovadas irregularidades e encaminhar as informações ao Ministério Público e à Polícia Civil para investigação. Márcio Corrêa também defendeu a apuração da atuação de todos os envolvidos na concessão das licenças consideradas suspeitas e afirmou que o controle sobre esse tipo de afastamento deverá ser permanente.
As investigações seguem em andamento e, até o momento, os nomes dos servidores envolvidos não foram divulgados pelas autoridades.