‘São falsas as afirmações’, diz defesa de advogada de Anápolis presa por suposto esquema de R$ 75 mi
Advogado de profissional presa em Anápolis repudia "condenação antecipada" em apuração sobre fraude milionária na Zema Financeira
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A defesa da advogada de Anápolis Jéssika Lorrane Bastos de Castro, presa durante uma investigação que apura um suposto esquema de fraude milionária, negou todas as acusações. Segundo as autoridades, a irregularidade ocorreria por meio de invasão de sistemas da Zema Financeira em Goiás, Minas Gerais e São Paulo, empresa ligada à família do ex-governador e candidato à presidência da República Romeu Zema (Novo). O prejuízo estimado está na casa dos R$ 75 milhões.
A investigada é companheira do empresário Douglas Silva de Oliveira Azara, de 26 anos, proprietário da fintech Naskar, alvo de mandado de prisão preventiva pela Justiça paulista. Conforme apurações, contudo, ele deixou o país antes do cumprimento da ordem judicial da Operação Phoenix e viajou para Dubai, nos Emirados Árabes.
Por meio de nota, o advogado Marcelo Teixeira de Sousa afirma que “são falsas as afirmações que apresentam Jéssika como integrante de organização criminosa ou participante de crimes de estelionato”. O texto diz, ainda, que “não procede a alegação de que teriam ocorrido movimentações financeiras vultosas em suas contas bancárias”.
Segundo ele, não foi apresentado, até este momento, qualquer documento, extrato bancário, comprovante ou outro elemento concreto que demonstre a existência dessas supostas movimentações.
Maycon Douglas Bastos de Castro, irmão da advogada, também foi preso na operação. O advogado dele, César Gratão de Oliveira, emitiu nota e alegou que ele “não participou, não colaborou e não tinha conhecimento de qualquer prática criminosa objeto da investigação”. (Confira as notas completas no fim da matéria).
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Caso
As investigações indicam que Jéssika e Douglas compõem um suposto esquema que envolvia a captação de recursos de investidores por meio da Naskar Gestão de Ativos, a qual prometia rendimentos considerados acima dos praticados no mercado. A apuração aponta que a empresa teria usado os valores recebidos dos clientes em uma operação que passou a apresentar problemas financeiros, com interrupção dos pagamentos e dificuldade de devolução dos recursos aplicados.
Este suposto esquema consistia no uso de credenciais de acesso comprometidas para invadir os sistemas da Zema Financeira e realizar transferências via Pix para contas ligadas ao grupo. O ataque causou um prejuízo estimado em R$ 75 milhões à instituição, dos quais cerca de R$ 60 milhões teriam sido desviados pelos envolvidos. A fraude foi identificada pela própria empresa no fim de 2025, após a detecção de movimentações financeiras atípicas, e o caso foi comunicado às autoridades competentes.

Com atuação profissional em Goiás, Jéssika passou a ser investigada pela ligação com o empresário e pela suspeita de que teria auxiliado na estrutura utilizada pelo grupo. A apuração aponta que ela teria participado de movimentações consideradas relevantes pelos investigadores, incluindo o uso de recursos financeiros e empresas associadas ao casal.
A advogada possui inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO), com registro em Anápolis. Conforme a investigação, parte das atividades analisadas pelas autoridades teria relação com a rotina do casal na cidade. Um imóvel onde os dois residiam, localizado em um condomínio fechado, entrou no conjunto de elementos avaliados durante as diligências.
A Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO) informa que não foi notificada previamente sobre a operação policial realizada em Anápolis, nos termos da legislação federal.
Prejuízo pode chegar a R$ 900 milhões
Segundo as investigações, em âmbito nacional, cerca de 3 mil investidores teriam sido afetados por um suposto esquema envolvendo a Naskar, com prejuízo estimado em R$ 900 milhões. O caso segue em apuração, e os clientes buscam na Justiça alternativas para reaver os valores investidos. Análises técnicas de registros digitais indicaram conexões associadas ao endereço do casal goiano durante operações que são consideradas suspeitas pela apuração. Esses dados fazem parte do trabalho para identificar como teria funcionado a dinâmica do grupo e a participação de cada investigado.
Além disso, a investigação apura a possível utilização de estruturas vinculadas à advogada para movimentações financeiras. Entre os pontos analisados estão contas bancárias e uma empresa registrada em nome dela, que teriam sido incluídas no rastreamento feito pelas autoridades para acompanhar o caminho dos valores.
Quanto a Douglas, proprietário da Naskar, ele também aparece ligado a outras empresas e propriedades rurais em Rio Verde (GO), Mato Grosso, Rondônia e Maranhão. Apontado como um dos principais alvos da investigação, ele deixou o Brasil após a decretação da prisão preventiva e passou a ser procurado pelas autoridades. Nas redes sociais, o empresário publicou registros da viagem e afirmou estar no exterior.
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Mais de 12 ações desde maio de 2026
Medidas judiciais foram adotadas contra pessoas físicas e jurídicas relacionadas ao grupo investigado, incluindo bloqueios patrimoniais determinados pela Justiça em ações que buscam preservar valores enquanto o caso é analisado.
Em Goiás, empresas vinculadas ao empresário aparecem em processos que tramitam no Tribunal de Justiça do Estado. Pelo menos 15 ações foram identificadas desde maio deste ano envolvendo companhias e pessoas relacionadas ao caso, com registros empresariais em municípios como Rio Verde e outras cidades de diferentes estados.
A investigação ainda está em andamento e contou com apoio da Polícia Civil de Goiás no cumprimento das medidas relacionadas ao caso. Os envolvidos poderão apresentar defesa ao longo do processo, e a responsabilização criminal depende da análise das provas e de uma decisão judicial definitiva.
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Nota da defesa de Jéssika:
“A defesa de Jéssika Lorrane Bastos de Castro, representada pelo advogado Dr. Marcelo Teixeira de Sousa, vem a público esclarecer que são falsas as afirmações que a apresentam como integrante de organização criminosa ou participante de crimes de estelionato.
Não procede a alegação de que teriam ocorrido movimentações financeiras vultosas em suas contas bancárias. Até o presente momento, não foi apresentado qualquer documento, extrato bancário, comprovante ou outro elemento concreto que demonstre a existência dessas supostas movimentações.
A defesa confia que, ao longo da instrução processual, ficará demonstrada a absoluta ausência de elementos que vinculem Jéssika à organização criminosa ou à prática de estelionatos, prevalecendo o devido processo legal, a presunção de inocência e a necessária individualização das condutas.
Alertamos para os graves prejuízos causados pela judicialização midiática e pela condenação antecipada promovida por veículos de comunicação, práticas que comprometem o direito à ampla defesa e à presunção de inocência.
As teses acusatórias relativas aos supostos crimes de estelionato qualificado, organização criminosa e lavagem de capitais serão integralmente rebatidas no devido processo legal, sob o crivo do contraditório e da ampla defesa.
A defesa repudia o sensacionalismo, confia no Poder Judiciário e assegura que a verdade prevalecerá, destacando, ainda, que a inscrição profissional de Jéssika na OAB-GO permanece plenamente ativa.
Anápolis – GO, 03 de agosto de 2026.“
Dr. Marcelo Teixeira de Sousa
OAB 53967
Nota da defesa de Maycon Douglas:
“A defesa de Maycon Douglas Bastos de Castro, diante das notícias relacionadas à denominada Operação Phoenix, esclarece que ele não participou, não colaborou e não tinha conhecimento de qualquer prática criminosa objeto da investigação.
Douglas Silva de Oliveira era cunhado de Maycon e, sob o pretexto de que ambos desenvolveriam empreendimentos no ramo da construção civil em Anápolis/GO, obteve acesso aos documentos pessoais de Maycon e aos dados de sua empresa. Posteriormente, Maycon descobriu que Douglas estaria utilizando essas informações indevidamente e sem sua autorização, inclusive em possíveis práticas de estelionato.
Assim que tomou conhecimento da utilização irregular de seus documentos, Maycon procurou espontaneamente a Polícia Civil e registrou boletim de ocorrência contra Douglas. O registro foi realizado meses antes de sua prisão e demonstra que Maycon já se apresentava perante as autoridades como possível vítima da atuação de seu então cunhado.
Desde o registro da ocorrência, Maycon não manteve qualquer contato com Douglas. Nos últimos meses, estava afastado inclusive de sua irmã, a advogada Jéssika Lorrane, também presa na Operação Phoenix, justamente para evitar qualquer aproximação, convivência ou contato com Douglas Azara.
Maycon é engenheiro civil, empresário do ramo da construção e pessoa reconhecidamente trabalhadora, que sempre cumpriu suas obrigações pessoais e profissionais na cidade de Anápolis/GO. Também prestou esclarecimentos formalmente à Polícia Civil, acompanhado por advogado, colaborando com a apuração dos fatos.
A defesa está adotando todas as medidas jurídicas necessárias para demonstrar, com a maior brevidade possível, que Maycon foi indevidamente envolvido em atos praticados por terceiros e que em nada contribuiu para a execução dos crimes investigados.
Por fim, a defesa confia no esclarecimento dos fatos e solicita que sejam respeitados o direito de defesa, a presunção de inocência e a imagem de Maycon e de seus familiares, evitando-se conclusões antecipadas enquanto a investigação permanece em andamento.“
César Gratão de Oliveira
OAB/GO – 20.569