Aluno cadeirante se destaca e conquista cargo de Chefe Geral em colégio militar de Aparecida
O Chefe Geral é responsável por centralizar as informações das turmas e repassá-las à direção
O estudante Luiz Augusto Mateus, de 14 anos, assumiu a função de Chefe Geral no Colégio Estadual da Polícia Militar de Goiás (CEPMG) Nader Alves dos Santos, em Aparecida de Goiânia. O aluno nasceu com mielomeningocele e hidrocefalia e utiliza cadeira de rodas, mas participa ativamente das atividades escolares e conquistou o cargo, considerado uma das maiores lideranças estudantis da unidade, após se destacar pelo desempenho escolar, disciplina e comportamento exemplar.
O cargo é considerado a mais alta distinção entre os alunos da instituição e exige responsabilidades diárias. Entre as funções de Luiz Augusto estão fiscalizar a conduta dos estudantes, conferir uniformes, registrar faltas, acompanhar a organização dos ambientes e comandar formações durante cerimônias oficiais.
Segundo o subcomandante do colégio, o processo de escolha dos líderes estudantis segue critérios claros de desempenho e comportamento. O militar explicou que a estrutura de liderança começa na função de fiscal de turma. “O aluno quando está com a média acima de 8 e bom comportamento, ele é escolhido para ser fiscal. Os fiscais fazem rodízio entre subchefe e chefe geral”, explicou o subcomandante Arion Roldão.
O que faz o Chefe Geral?
Ele detalha ainda que o Chefe Geral é responsável por centralizar as informações das turmas e repassá-las à direção. “O chefe geral é aquele que recebe a apresentação de todos os alunos e apresenta para o comandante”, afirmou.
O subcomandante também destacou que a escola busca envolver todos os estudantes nas funções de liderança, independentemente de limitações físicas ou cognitivas. “A escola é inclusiva. Eu achei por bem colocar todos para participar. Já tivemos aluno do TEA, aluno com deficiência visual e agora ele”, completou.

Segundo ele, a escolha de Luiz Augusto também foi influenciada pela evolução do estudante dentro da rotina escolar. “Ele foi melhorando muito a apresentação pessoal. Começou a vir bem fardado, bem arrumado, a chegar mais cedo e acabou sendo escolhido para o cargo”, relatou.
A família afirma que Luiz passou pelo mesmo processo exigido dos demais alunos para chegar à função: manter boas notas, frequência regular e comportamento disciplinado. “O Luiz Augusto conquistou tudo pelo mérito dele”, afirma o pai, André Mateus.
O estudante ingressou no colégio militar em 2023, aos 10 anos, quando iniciou o 6º ano. A adaptação inicial foi desafiadora. Segundo a família, nos primeiros meses houve notificações frequentes sobre comportamento e adaptação à nova rotina, já que ele vinha da rede municipal de ensino, onde tinha um acompanhamento mais individualizado por ser cadeirante.
“No militar esses privilégios não existem. Ele recebe atenção e cuidado como qualquer outro aluno, respeitando as limitações dele, mas sempre sendo tratado de forma igual”, relata o pai.

Família relata dificuldades em outras escolas
Antes de ingressar no colégio militar, a trajetória escolar de Luiz Augusto foi marcada por desafios. Segundo a família, situações de exclusão e preconceito foram recorrentes em outras instituições de ensino.
“O discurso da inclusão é bonito no papel, mas na prática muitas vezes não funciona”, desabafa o pai. Ele conta que ainda na educação infantil precisou recorrer à Justiça para garantir a matrícula do filho em um centro municipal, após ter o acesso negado por conta da deficiência.
Ao longo dos anos, também enfrentou resistência de profissionais da educação e de outros pais. “Já tivemos coordenadores sugerindo mudança de escola porque não sabiam lidar com um aluno cadeirante. Teve professor que questionava o comportamento dele sem perceber que ele estava até mais avançado que os colegas”, explica Andre.
Disciplina e inclusão no Colégio Militar
Apesar das dificuldades anteriores, a família avalia positivamente a experiência no colégio militar. Para o pai, a disciplina e a hierarquia da instituição contribuíram para o desenvolvimento do filho.
“A atenção dada à disciplina, às regras e à hierarquia oferece valores e motivos para buscar melhorias. Isso obriga o aluno a ser correto e respeitoso, e esse comportamento vai para fora da escola também”, afirma.
Segundo ele, a rotina organizada sempre fez parte da criação de Luiz Augusto, que vive apenas com o pai desde os dois anos de idade.
Nas aulas de educação física, por exemplo, já atuou como goleiro, participou de partidas de vôlei e basquete e também integrou atividades de atletismo. “Os professores sempre encontram formas de incluí-lo, e os colegas acompanham isso naturalmente”, conclui o pai.
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