Ar de todas as cidades de Goiás tem partículas finas acima do recomendado pela OMS; entenda
Análise mostra concentração dos maiores índices na Região Metropolitana de Goiânia e no Entorno do Distrito Federal, além de aumento da poluição durante a estação seca
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Todos os 246 municípios de Goiás registraram, em 2025, concentração média anual de partículas finas no ar acima da referência estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O dado consta em levantamento da Secretaria de Estado da Saúde (SES) e ganha relevância neste mês: a análise aponta que o período entre agosto e outubro concentra os maiores níveis sazonais de PM2,5 no estado.
As chamadas PM2,5 são partículas sólidas e gotículas microscópicas suspensas no ar, como fuligem, fumaça e poeira, com diâmetro igual ou inferior a 2,5 micrômetros. Por serem extremamente pequenas, conseguem penetrar profundamente no sistema respiratório. A OMS recomenda concentração média anual de até 5 microgramas por metro cúbico (µg/m³). Segundo a SES, os 246 municípios goianos ficaram acima desse patamar em 2025.
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A maior concentração média foi registrada em Aparecida de Goiânia, com 14,15 µg/m³, valor próximo de três vezes a referência da OMS. Na sequência aparecem Abadia de Goiás, com 12,88 µg/m³; Valparaíso de Goiás, com 11,81 µg/m³; Guapó, com 11,67 µg/m³; e Goiânia, com 11,65 µg/m³.
Nova Gama também apresentou média de 11,65 µg/m³, seguida por Águas Lindas de Goiás, com 11,56 µg/m³; Aragoiânia, com 11,43 µg/m³; Trindade, com 10,94 µg/m³; e Hidrolândia, com 10,89 µg/m³. O levantamento mostra concentração dos maiores índices principalmente na Região Metropolitana de Goiânia e no Entorno do Distrito Federal.
Considerando os 246 municípios, a média dos índices foi de 8,07 µg/m³. Quando os valores são ponderados pela população, a média chega a 9,59 µg/m³, indicando maior exposição justamente nas áreas mais densamente povoadas.
Os números utilizados pela SES foram obtidos a partir do painel técnico do programa de Vigilância em Saúde Ambiental de Populações Expostas a Poluentes Atmosféricos (Vigiar). A base utiliza o modelo Goddard Earth Observing System Composition Forecast (GEOS-CF), da Nasa, agência espacial dos Estados Unidos.
Os resultados são produzidos por modelagem atmosférica e não correspondem à leitura de uma estação física instalada em cada município. O boletim utiliza os dados como instrumento para identificar diferenças territoriais, períodos críticos e áreas prioritárias para ações de vigilância.
Além da distribuição geográfica, a SES analisou a evolução das concentrações entre 2022 e 2025. A série mostra piora durante a estação seca, especialmente entre agosto e outubro. O maior pico mensal de todo o período foi observado em setembro de 2024.
O PM2,5 está entre os poluentes considerados prioritários pela vigilância em saúde. A exposição a essas partículas está associada a problemas cardiovasculares e respiratórios, justamente pela capacidade de elas penetrarem profundamente no sistema respiratório.
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