Bombeiros recebem uma ligação indesejada por segundo nos três primeiros meses de 2026
Apenas 7,5% das quase 140 mil ligações se tornaram ocorrências operacionais
O Corpo de Bombeiros de Goiás recebeu, em média, uma ligação indesejada por segundo entre janeiro e março de 2026. Ou seja, 1,4 mil atendimentos que não resultaram em ocorrências por dia. Os dados são referentes aos registros nas cidades de Goiânia e Aparecida de Goiânia.
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Neste período de 90 dias, a corporação registrou 139.358 chamadas recebidas pelo COB/GYN, mas apenas 10.467 resultaram em atendimentos reais. O dado representa apenas 7,5% das ligações atendidas pelo Corpo de Bombeiros, que efetivamente demandaram atendimento operacional das equipes.
No total, 128.891 chamadas foram equivocadas, envolvendo pedidos de orientação, informações, ligações erradas e até trotes. Segundo a tenente-coronel Helaine Vieira, situações simples e sem gravidade ainda ocupam linhas telefônicas e mobilizam equipes que poderiam estar atendendo incêndios, acidentes, salvamentos e outras emergências.
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Entre os exemplos relatados pela oficial está o caso de uma moradora que acionou o Corpo de Bombeiros acreditando haver uma cobra na caixa de correio da residência. Ao chegar ao local, a equipe constatou que se tratava apenas de um calango, que é um animal inofensivo.
“O telefone 193 deve ser utilizado apenas em situações reais de emergência. Quando uma equipe é deslocada sem necessidade, isso pode atrasar o atendimento de quem realmente precisa de socorro”, reforça.
Falsos acionamentos
A militar afirma que é comum casos de pessoas que ligam para retirar cães de casa em momentos de agitação, pedidos para remoção de válvulas de botijão de gás já orientadas por telefone e até situações de conflitos entre vizinhos.
Conforme a tenente-coronel, em alguns casos, moradores colocam fogo em pequenas quantidades de lixo e acionam os bombeiros informando um grande incêndio. “Quando a equipe chega ao local, encontra apenas pequenos focos, muitas vezes relacionados a desentendimentos entre vizinhos”, afirma a militar.
Para combater as ligações indesejadas, os atendentes realizam uma triagem com uma série de questionamentos, que ajudam a identificar os trotes e, consequentemente, evitar desperdício de dinheiro público e danos à população.