‘Achei que era trote’: engenheiro de Goiânia faz entrevista em bar e conquista oportunidade em Singapura
Flávio já conheceu mais de 30 países. Além da carreira internacional, foi em Singapura que ele conheceu a esposa
Uma ligação em um bar mudou completamente o rumo da vida do engenheiro eletricista Flávio Abrão, natural de Goiânia. A chamada, que ele diz ter pensado se tratar de um trote, foi porta de entrada para uma carreira internacional, que já soma passagens por mais de 30 países. A oportunidade também o levou a conhecer sua esposa, com quem tem dois filhos.
Em entrevista ao Mais Goiás, Flávio contou que colocou o currículo em um site internacional sem grandes expectativas. “Não imaginava que alguém em Singapura teria interesse em contratar um engenheiro brasileiro”, relembra.
Apesar do ambiente barulhento e da informalidade do momento, ele conseguiu se comunicar em inglês com as recrutadoras. “E elas notaram que eu estava embriagado. Me contaram pessoalmente depois: ‘Se ele consegue se comunicar bêbado, imagina sóbrio’. Enquanto os outros candidatos concorrentes não conseguiram se comunicar de jeito nenhum”, afirma.
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Formado em 2008, Flávio iniciou a trajetória profissional no ano seguinte, ao ser contratado por uma empresa de engenharia com sede em Belo Horizonte. Nos primeiros anos, atuou em obras em diferentes regiões do país, passando por Minas Gerais, Tocantins, Pará e pelo extremo norte, na construção da ponte binacional entre o Brasil e a Guiana Francesa.
Entre 2010 e 2014, trabalhou em um projeto no Nordeste, ligado ao setor de óleo e gás. Foi nesse período que decidiu buscar novas oportunidades e cadastrou o currículo em um site internacional da área, sem imaginar que aquilo daria certo.
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O contato das recrutadoras estrangeiras ocorreu por e-mail e, inicialmente, foi recebido com desconfiança. Mesmo assim, Flávio respondeu e marcou uma ligação para as 22h do dia seguinte. No horário combinado, ele estava em um bar, em Recife, e atendeu sem acreditar que se tratava de uma oportunidade real.
Pouco tempo depois, participou da entrevista formal e recebeu a proposta para trabalhar em Singapura. Menos de um mês após a demissão do emprego anterior, embarcou para o país asiático, em sua primeira experiência fora do Brasil.
“Voei para Singapura no dia 11 de maio de 2014 e nunca mais voltei. Voltei ao Brasil apenas em abril de 2025, com minha nova família. Enchi três passaportes brasileiros, sendo que o terceiro preciso trocar em breve.”
A mudança marcou o início de uma carreira internacional. Ao longo dos anos, o engenheiro atuou em projetos no Sudeste Asiático, Europa e Américas, com passagens por países como Índia, Noruega, Holanda, Estados Unidos e Canadá. Durante a pandemia de Covid-19, chegou a aceitar um trabalho na Índia justamente em um dos momentos mais críticos da crise sanitária.
Entre viagens a lazer e a trabalho, Flávio já passou diversos países. Na lista estão destinos como Omã, Catar, Argentina, Paraguai, Guiana, Guiana Francesa, Curaçao, Trinidad e Tobago, México, Estados Unidos, Panamá, Colômbia, Canadá, França, Espanha, Holanda, Bélgica, Noruega, Emirados Árabes Unidos, Índia, China, Myanmar, Tailândia, Macau, Hong Kong, Ilhas Maurício, Malásia, Indonésia, Coreia do Sul, Japão, Filipinas, Austrália, Brunei, Vietnã, Rússia, Laos, Sri Lanka, Camboja e Singapura.

Atualmente, Flavio possui cidadania canadense e atua no setor de óleo e gás com liberdade para escolher projetos ao redor do mundo. Segundo ele, a experiência acumulada permitiu construir uma rede global de contatos e assumir funções estratégicas, incluindo o recrutamento de equipes multinacionais.
“Meu último projeto nos EUA, eu sozinho recrutei gente do mundo inteiro e levei todo mundo pro Texas. No total, mais de 70, de nacionalidades diferentes”, destaca.
Depois de mais de uma década no exterior, Flávio retornou ao Brasil em 2025, agora acompanhado da esposa e dos filhos. Ainda assim, mantém uma rotina internacional, com novos projetos previstos na Ásia.
Para ele, a experiência, que começou de forma improvável, reforça a importância de estar preparado para oportunidades inesperadas. “Isso mostra a importância do Inglês. É o que define se você vai estacionar onde está pelo resto da vida, ou se vai voar”, conclui.
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