Sexta-feira, 07 de Agosto de 2026
Detalhes do massacre

Chacina de Doverlândia: relembre caso ligado à queda de helicóptero da PCGO

Vítimas foram amarradas e, então, degoladas por Aparecido de Souza Alves, 22. Criminoso confesso também morreu na queda do helicóptero

Pedro Moura
Por - Goiânia, GO
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Aparecido de Souza Alves, autor da chacina - (Foto: reprodução)

Depois de 14 anos, a chacina de Doverlândia, praticada em 2012, ainda é considerada uma das maiores tragédias da história do Estado. Além de sete pessoas terem sido mortas em uma propriedade rural do município, sete profissionais da segurança pública e o principal suspeito do massacre na época também morreram em decorrência da queda do helicóptero da Polícia Civil de Goiás (PCGO). O acidente aéreo ocorreu em 8 de maio de 2012, em Piranhas, quando investigadores e o prisioneiro voltavam para Goiânia após realizarem a segunda etapa da reconstituição do crime, ocorrido em 29 de abril daquele ano.

Relatório do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) revelou a causa do acidente quatro anos depois, já em 2016. O motor da aeronave, que transportava cinco delegados, dois peritos e o então investigado, parou de funcionar a cerca de 300 metros de altura. Os pilotos, Osvalmir Carrasco e Bruno Rosa Carneiro, ambos delegados, não tiveram tempo de reagir. A aeronave explodiu após ter contato com o chão, no acidente que não teve sobreviventes.

Chacina de Doverlândia

Na ocasião, sete pessoas foram mortas na fazenda Nossa Senhora de Aparecida, a cerca de 400 km de Goiânia. Dois dias depois, Aparecido de Souza Alves foi preso como principal suspeito do crime e confessou o massacre. Segundo ele, o objetivo era roubar o dinheiro das vítimas. Na época, o investigado, que tinha apenas 22 anos, concluiu apenas aa primeira fase da reconstituição.

Ele afirmou à época que matou o dono da fazenda, Lázaro de Oliveira Costa, 57, e o filho dele, Leopoldo Costa, 22, por ‘ganância’, e chegou a afirmar que teria sido contratado para eliminar a família do pecuarista. A versão, no entanto, foi descartada pela Polícia Civil, que constatou o latrocínio.

Dinâmica não revelada

Aparecido revelaria a dinâmica dos demais óbitos na segunda reconstituição. No entanto, os dados se perderam com o acidente. Sabe-se, no entanto, que Tames Marques, na época com 24 anos, noiva de Adriano Carneiro, foi morta junto com o pretendente e a sogra, mãe dele, Miraci Carneiro. Na sequência, Tames ainda teve o corpo violado por Aparecido.

Joaquim Carneiro, pai de Adriano, também foi executado. Ele e os familiares faziam uma visita aos amigos e proprietários da fazenda e levaram um presente para Leopoldo, que iria se casar. Heli Francisco da Silva, era o caseiro da propriedade, e também acabou morto.

Brutalidade

Dois dos corpos foram encontrados em um banheiro da fazenda. Os demais foram arrastados por Aparecido até uma estrada próxima à propriedade. Todas as vítimas tiveram as mãos amarradas e foram degoladas. Os cortes eram tão profundos que por pouco não atingiram as colunas cervicais.

Vítimas do massacre em Doverlândia

  • Lázaro de Oliveira Costa;
  • Leopoldo Rocha Costa;
  • Joaquim Manoel Carneiro;
  • Miraci Alves Carneiro;
  • Adriano Alves Carneiro;
  • Tames Marques Mendes da Silva;
  • Heli Francisco da Silva. 
Delegados e peritos mortos na queda do helicóptero da PCGO em Piranhas (Foto: reprodução)

Fim do inquérito

A corporação só concluiu o inquérito em janeiro de 2013. A investigação apontouquue Aparecido agiu sozinho. Peritos encontraram apenas o perfil genético do suspeito em materiais encontrados na fazenda, como cigarros e copos. A desfecho ocorreu oito meses após o acidente que matou o investigado e parte da equipe que investigava o caso, sendo:

  • Osvalmir Carrasco, delegado e piloto;
  • Bruno Rosa Carneiro, delegado e piloto;
  • Antônio Gonçalves, delegado; 
  • Vinícius Batista Silva, delegado;
  • Jorge Moreira, delegado;
  • Marcel de Paula Oliveira, perito criminal;
  • Fabiano de Paula Silva, perito criminal.

Arquivamento 

Ainda em abril de 2013, a promotora de Justiça Teresinha de Jesus Paula Sousa formalizou o pedido de arquivamento do inquérito contra Aparecido, em decorrência da morte dele. No documento, a promotora seguiu a linha investigatória da PC, que apontou que ele agiu sozinho.

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