Terça-feira, 21 de Julho de 2026
CACHOEIRA ALTA

Comandante do COD acusa defesa de mentir em recurso que anulou condenação de caminhoneiro 

Jhonatan Murilo Leite havia sido condenado a 52 anos de prisão pela morte de quatro policiais em acidente

Por - Goiânia, GO
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Comandante do COD acusa defesa de mentir em recurso que anulou condenação de caminhoneiro 

O comandante do Comando de Operações de Divisas (COD), tenente-coronel Hugo Bravo, publicou um vídeo em seu Instagram, na segunda-feira (20), no qual acusou a defesa do caminhoneiro Jhonatan Murilo Leite de apresentar informações falsas no recurso que levou à anulação do júri do rapaz. O acusado conduzia o caminhão que colidiu com uma viatura do COD na BR-364, no Sudoeste goiano, em abril de 2024, e causou a morte de quatro policiais. Ele foi condenado a 52 anos de prisão durante julgamento na Comarca de Cachoeira Alta em abril deste ano.

Na sexta-feira (17), contudo, o Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) anulou o júri. Na decisão do relator, o desembargador Wilson da Silva Dias, ele destacou que a presença massiva de policiais militares no julgamento pode ter influenciado o júri. Segundo o magistrado, “as mídias audiovisuais acostadas aos autos revelam que os jurados dirigiam o olhar para a plateia onde se concentravam os policiais fardados, circunstância que evidencia, de forma concreta e objetiva, que a presença daqueles agentes era elemento de destaque visual e psicológico no ambiente do julgamento, e não um dado neutro ou ignorado pelo Conselho de Sentença”. Para ele, a situação criou um vício insanável no julgamento.

Bravo disse em seu vídeo que a defesa utilizou fotografias da primeira sessão do júri, de 16 de dezembro, anulada por uma irregularidade na votação. O comandante cita que, naquela ocasião, cerca de 20 policiais do COD acompanhavam o julgamento em solidariedade às famílias das vítimas. Contudo, o militar afirma que no segundo julgamento, quando houve a condenação, apenas cinco integrantes da corporação estavam presentes. “Eu e os outros quatro policiais representando os filhos das vítimas”, narrou.

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Conforme o comandante do COD, as informações apresentadas pela defesa foram mentirosas. Ele também pediu providências ao Ministério Público. “Então, concito ao Ministério Público que recorra dessa decisão. Espero que o Tribunal de Justiça reconsidere, que seja inclusive instaurado procedimento para apuração de possível crime de fraude processual contra esse advogado, por todas as alegações que ele fez nessa peça que não são correspondentes à verdade.”

O Mais Goiás procurou a defesa de Jhonatan Murilo Leite. O espaço segue aberto para manifestação.

Júri do caso Jhonatan dissolvido

Originalmente, a sessão foi iniciada em dezembro, mas foi dissolvida 19 horas após o início do julgamento. A decisão do juiz Filipe Luis Peruca ocorreu após ele perceber que uma jurada embaralhava as cédulas de votação para colocá-las na urna.

Indagada, ela disse que era seu primeiro júri e que não expressou sua vontade, votando aleatoriamente. O representante do Ministério Público, então, requereu “a dissolução do Conselho de Sentença, ao argumento de violação à regularidade do procedimento de votação, por comprometimento da livre e consciente manifestação de vontade da jurada”.

Conforme o magistrado, “nos termos da legislação processual penal que rege o procedimento do Tribunal do Júri, o voto do jurado deve consistir na expressão direta, pessoal e consciente de sua convicção”. Desta forma, o magistrado determinou a dissolução do conselho de sentença.

Na ocasião, a defesa de Jhonatan sustentou que ele dirigia em velocidade compatível e que a colisão ocorreu porque a viatura tentou ultrapassar outro veículo. No entanto, um laudo técnico anexado ao processo contradiz essa versão.

Liziano José Ribeiro Júnior, Diego Silva de Freitas, Gleidson Rosalen Abib e Anderson Kimberly Dourado de Queiroz (Foto: Reprodução)
Liziano José Ribeiro Júnior, Diego Silva de Freitas, Gleidson Rosalen Abib e Anderson Kimberly Dourado de Queiroz (Foto: Reprodução)

Caso

Sobre o caso, o acidente aconteceu na noite de 24 de abril, quando o caminhão carregado com 70 toneladas de milho bateu de frente com a viatura dos militares. As vítimas foram o subtenente Gleidson Rosalen Abib, o 1º sargento Liziano José Ribeiro Junior, o 3º sargento Anderson Kimberly Dourado de Queiroz e o cabo Diego Silva de Freitas.

Inicialmente, outro homem assumiu a direção do veículo, mas testemunhas confirmaram que Jhonatan era o verdadeiro condutor. Ele dirigia sem a categoria adequada na CNH e teria contado com a ajuda de terceiros para encobrir sua participação no acidente.

A perícia apontou que o caminhão trafegava acima da velocidade permitida e invadiu a pista contrária. Marcas de frenagem de 30 metros reforçam essa versão. Para o promotor responsável pela denúncia do Ministério Público de Goiás (MPGO), o motorista tinha plena ciência dos riscos e ignorou as normas de trânsito, colocando em perigo a própria vida e a de terceiros. Além disso, o órgão descartou a hipótese de ultrapassagem irregular por parte da viatura.

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