INVESTIGAÇÃO

Operação contra fraude no Detran mira alvos em GO, no DF e em outros dois estados

Organização criminosa realizou mais de 600 acessos ilegais para "limpar" multas e restrições judiciais com senha invadida de funcionária

Imagem ilustrativa
O bando cobrava uma taxa de R$ 2 mil por veículo (Foto: reprodução TST)

Uma operação da Polícia Civil mira investigados por fraudar o sistema do Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF). Ao longo de um ano, o grupo criminoso realizou mais de 600 acessos ilegais para “limpar” a ficha de automóveis, cobrando uma taxa fixa de R$ 2 mil por cada transação ilícita. Ordens Judiciais foram cumpridas em Goiás, Piauí, Rio Grande do Sul e no Distrito Federal. A direção do Detran confirmou o bloqueio das credenciais e a abertura de um processo administrativo que deve resultar na demissão do servidor que liderava o esquema.

As investigações apontam que o mentor intelectual e operacional da organização criminosa era Alexandre Macedo da Rosa, servidor de carreira do próprio Detran. Aproveitando-se das prerrogativas do cargo e do livre acesso às repartições, Alexandre operava as fraudes diretamente dos computadores do órgão. O prejuizo estimado é de R$ 1 milhão.

Para não deixar rastros financeiros em seu nome, o servidor utilizava a conta bancária de sua esposa, Shana Rodrigues Macedo, como destino final do dinheiro arrecadado com as fraudes. Além do casal, a polícia identificou e indiciou outros dois comparsas que atuavam na captação de clientes e na logística do esquema: Caio Raffael Furtado e Pedro Cruz Filho.

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Imagem dos procurados
Alexandre e Shana teriam movimentado mais de R$ 1 milhão com as fraudes (Divulgação PCDF)

A ofensiva, que mobilizou forças policiais em uma ação coordenada, tentou cumprir cinco mandados de prisão preventiva e 11 de busca e apreensão. Os agentes realizaram buscas em endereços estratégicos localizados em Brasília no Distrito Federal, Valparaíso em Goiás, Teresina no Piauí e Santiago em Rio Grande do Sul, cidades onde o grupo possuía ramificações ou ocultava patrimônio.

Apesar do forte aparato policial, os quatro principais integrantes do bando — Alexandre, Shana, Caio e Pedro — não foram localizados em suas residências e passaram a ser considerados foragidos da Justiça.

imagem dos comparsas
Pedro e Caio também estão foragidos (Divulgação PCDF)

Auditoria, afastamento e severas punições criminais

O esquema começou a desmoronar após os mecanismos de controle e auditoria interna do Detran detectarem o volume atípico de transações concentradas em um único perfil. Diante das evidências, a direção do órgão de trânsito bloqueou imediatamente todas as senhas envolvidas e isolou o sistema para perícia técnica.

O órgão informou que o funcionário foragido já foi formalmente afastado de suas funções públicas e responderá a um Processo Administrativo Disciplinar (PAD), cuja penalidade máxima prevista é a demissão a bem do serviço público. No âmbito judicial, os quatro procurados pela Justiça, foram denunciados pelo Ministério Público e responderão pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva além de lavagem de dinheiro.

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