Empresário morto em acidente na GO-414 era agiota e dinheiro achado no carro vinha de cobrança de dívidas, diz delegado
Delegado confirmou ao Mais Goiás que Wilker atuava como agiota; relatos apontam ainda dívidas envolvendo compra de tecidos e confecções
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A busca por um dinheiro que nunca existiu acendeu um alerta sobre a origem do fictício R$ 1 milhão que Robeilton Junio, irmão de Wilker Renato Almeida da Silva, afirmou ser seu durante as investigações do acidente que matou o empresário e as duas filhas na BR-414, em Cocalzinho de Goiás. A apuração, no entanto, revelou que a vítima era agiota, segundo confirmação do delegado Carlos Alfama ao Mais Goiás. Uma denúncia recebida pela reportagem aponta ainda que Wilker utilizava o irmão como “laranja’ em processos judiciais para cobrar dívidas.
Segundo o relato dessa testemunha que não quis ser identificada, Wilker emprestava dinheiro a pessoas de Goiânia e região e depois recorria à Justiça quando os valores não eram pagos. Robeilton apareceria como parte em ações de execução relacionadas a essas cobranças vinculadas à empresa. A reportagem apura os processos judiciais mencionados e busca identificar os valores envolvidos, os devedores e a eventual participação do irmão nas cobranças.
Comentários publicados nas redes sociais e informações encaminhadas ao Mais Goiás também levantam suspeitas sobre valores que teriam sido acumulados por Wilker e posteriormente utilizados em empréstimos com cobrança de juros. Relatos afirmam que ele teria comprado peças de tecido jeans e emitido cheques que não teriam sido compensados. Há ainda alegações de que várias confecções não teriam recebido pelos serviços na produção de roupas. Segundo as fontes, parte do dinheiro obtido nessas atividades teria sido posteriormente destinada a pratica de agiotagem.
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A mentira
A revelação sobre a atividade financeira do empresário ocorre após Robeilton afirmar inicialmente que R$ 1 milhão, sendo R$ 870 mil em espécie, estaria na Ford Ranger. Ele disse que a quantia seria resultado de pagamentos feitos por clientes em bazares de venda de calças jeans e que havia pedido ao irmão para levar o dinheiro até a casa da mãe, na zona rural de Cocalzinho de Goiás.
Confrontado pelo investigador, porém, Robeilton admitiu que inventou a história. Segundo ele, a informação surgiu de comentários feitos por pessoas que estiveram no local do acidente, onde teria circulado o boato de que havia mais de R$ 1 milhão na caminhonete.
No veículo, a Polícia Civil encontrou R$ 67 mil. O valor será depositado em juízo e ficará à disposição dos herdeiros de Wilker para partilha no processo de inventário.
Robeilton será indiciado por falso testemunho. Em depoimento gravado pelo delegado, ele admitiu a mentira, pediu perdão às corporações e declarou que, “Fiquei com medo de tá saindo no prejuízo, porque muitas pessoas tavam falando desse dinheiro. Por isso eu menti”, afirmou.
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