ASSISTA AO DOCUMENTÁRIO

Fazendo a Diferença: Depois de ver filha vencer câncer raro, moradora de Goiânia transforma dor em missão e passa a atender mulheres de graça

Maria Cecília Pajaro decidiu transformar tudo o que viveu em combustível para ajudar outras mulheres de maneira gratuita

WhatsApp Image 2026-01-01 at 10.33.33

Quando a vida para, algumas pessoas desabam. Outras, renascem. E há quem encontre um propósito novo justamente no epicentro da dor. É o caso de Maria Cecília Pajaro, moradora de Goiânia, que viu a filha vencer um câncer raro e decidiu transformar tudo o que viveu em combustível para ajudar outras mulheres de maneira gratuita.

A pergunta que abre essa história poderia estar em qualquer debate sobre saúde emocional: o cérebro humano é capaz de transformar dor em motivação? A ciência diz que sim, e Maria Cecília confirma isso na prática.

LEIA TAMBÉM: Fazendo a Diferença conta a trajetória de grupo que ajuda moradores da ocupação no Parque Santa Rita

O choque que muda tudo

Em 2016, a filha dela, Carolina Pajaro, então com 30 anos, cheia de planos e no auge da vida pessoal e profissional, recebeu um diagnóstico inesperado: um câncer de mama raro e agressivo, incomum para a idade.

A partir dali, a família apertou o botão de pausa. O ritmo acelerado deu lugar ao silêncio, à união e ao entendimento de que aquela luta só seria vencida a muitas mãos. Maria Cecília lembra, emocionada, do dia em que ouviu da filha: “Esse câncer é nosso.”

Veja mais: Fisioterapia e reabilitação: devolvendo a qualidade de vida dos pacientes | Fazendo a Diferença

Quando a doença vira espelho

Em um vídeo publicado anos depois, já casada e mãe de uma menina, Carolina reflete sobre o que viveu. Disse que enfrentar um câncer na mama esquerda, “a mama do coração”, como ela descreve, foi um alerta sobre como lidava com emoções profundas que vinha ignorando.

Essa compreensão abriu um caminho novo tanto para a filha quanto para a mãe. Ao final do tratamento, com Carolina recuperada, Cecília sentiu que precisava devolver ao mundo parte do bem que recebeu. E decidiu fazer isso como psicóloga, atendendo, de forma voluntária, mulheres com câncer de mama.

“Foi uma conversa com Deus”, conta. “Entendi que, se minha filha recebeu a cura, eu precisava retribuir.”

A escuta que cura

Entre as pacientes atendidas no Instituto de Mastologia e Oncologia (IMO), em Goiânia, está Fernanda, que recentemente tocou o sino após a última sessão de quimioterapia, um ritual simbólico que marca o fim do tratamento. Para ela, Cecília ajudou a enxergar que viver o luto emocional sem se exigir força o tempo todo também faz parte da cura.

Outra sobrevivente é a enfermeira Emí Tsuchiya, que encerrou o tratamento há seis anos. Ela diz que as conversas e o grupo de apoio foram “remédios tão importantes quanto os médicos”, e se emociona ao lembrar dos abraços compartilhados com Cecília.

Dor que se transforma

Em cada sessão, Cecília repete algo que aprendeu no momento mais vulnerável da sua própria história: sentir não é fraqueza. Acolher emoções é parte do processo. E ajudar mulheres a atravessarem esse caminho é, hoje, sua forma de fazer a diferença.

A história de Maria Cecília, de Carolina e das muitas mulheres que tocam o sino no IMO deixa um ensinamento que permanece: O câncer te desfaz, mas também pode te refazer.