GO: Mulher contaminada com fungo aguarda há mais de 400 dias por cirurgia para amputar pé
Problema começou com uma pequena lesão no pé, quando ela vivia na zona rural de Alexânia. Desde então, situação se tornou cada vez pior
Uma mulher contaminada com fungo luta por uma cirurgia para amputação do pé há mais de 400 dias, em Águas Lindas de Goiás. Há quase três décadas, Maria Aparecida, de 52 anos, foi diagnosticada com Micetoma Eumicótico. O problema comprometeu completamente a mobilidade e qualidade de vida dela. Sem conseguir andar ou trabalhar, ela aguarda por uma vaga na rede pública de saúde de Goiás e do DF.
O problema enfrentado por Maria começou, segundo familiares, a partir de uma pequena lesão no pé, quando ela vivia na zona rural de Alexânia. O diagnóstico foi de Micetoma Eumicótico, uma infecção fúngica associada, de acordo com médicos, à exposição a solos contaminados.
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Ao longo dos anos, o quadro tem se agravado cada vez mais. A filha de Maria, Denise Dutra, relatou em conversa com a reportagem do jornal Metrópoles, que a enfermidade teve início como um “caroço” discreto, que aumentou progressivamente diante da dificuldade de diagnóstico e da ineficácia dos medicamentos prescritos.
A família busca, desde então, atendimento médico tanto na rede pública de Goiás quanto na do Distrito Federal (DF). Com o avanço da infecção para o sistema ósseo, a equipe indicou a amputação do pé como única alternativa. Isso porque, segundo os profissionais, há risco de a infecção atingir a corrente sanguínea e provocar sepse, quadro grave que pode levar o paciente à morte se não tratado rapidamente. Apesar da urgência, Maria aguarda na fila do Sistema Único de Saúde (SUS) desde 13 de janeiro de 2025, somando 405 dias de espera.
Impacto físico e emocional
Segundo a filha, Maria vive em constante angústia e medo da morte. “Ela fica muito agoniada, diz que sente os fungos andando pelo corpo dela e toma analgésicos todos os dias”, relata. Denise explica que a mãe passou a apresentar comportamento compatível com hipocondria, solicitando atendimento hospitalar constantemente por medo de agravamento do quadro.
Sem andar há três anos, Maria depende de cadeira de rodas para se locomover. Atividades simples do dia a dia se transformaram em obstáculos constantes para a paciente. A família afirma já ter recorrido à ouvidoria do SUS, mas recebeu como resposta que a ordem da fila pode sofrer alterações em razão da inclusão de casos prioritários, mudanças na classificação de risco, cancelamentos ou redução de vagas disponíveis.
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Infeção fúngica crônica
O micetoma eumicótico é uma infecção crônica causada por fungos que atingem principalmente a pele e os tecidos subcutâneos, podendo avançar para músculos e ossos quando não tratada adequadamente. É uma forma específica de micetoma, doença inflamatória progressiva, provocada por agentes fúngicos presentes no solo e em matéria orgânica.
A enfermidade é mais comum em regiões tropicais e afeta, sobretudo, trabalhadores rurais que mantêm contato frequente com terra contaminada, geralmente sem o uso de equipamentos de proteção.
A infecção costuma começar após pequenos ferimentos na pele, como cortes ou perfurações provocadas por espinhos ou lascas de madeira. No início, manifesta-se como um nódulo ou inchaço discreto, que evolui lentamente ao longo dos anos, podendo formar lesões profundas e deformidades.
Sem tratamento adequado, o micetoma eumicótico pode comprometer estruturas ósseas e causar limitações severas de mobilidade, dor crônica e risco de complicações graves, como infecções generalizadas. O tratamento envolve medicamentos antifúngicos por longos períodos e, em casos avançados, pode exigir intervenção cirúrgica, inclusive amputação, como é o caso de Maria.