Adeus, decoreba? Escolas públicas de Goiânia testam novo jeito de ensinar matemática aos alunos
Proposta usa situações-problema, investigação e recursos tecnológicos para mudar a forma como alunos aprendem a disciplina
Ir direto pra matéria
A matemática pode estar prestes a sair do lugar de disciplina temida por muitos estudantes para se tornar um exercício de investigação. Dez escolas municipais de Goiânia começaram a receber, nesta semana, aulas-modelo de uma nova metodologia de ensino da disciplina, que combina situações-problema, discussão entre os alunos e recursos tecnológicos.
A proposta está sendo testada em unidades da rede municipal entre os dias 22 e 24 de setembro. A ideia é aproximar o conteúdo matemático de situações que exijam dos estudantes mais do que a aplicação automática de fórmulas.
“O projeto é complementar, então ele não vai fazer parte da grade curricular, mesmo que ele seja implementado na rede. Nesse primeiro momento, ele está sendo trabalhado nas escolas de tempo integral na aula de matemática lúdica. Ele abrange 10 escolas com estudantes de 1º ao 4º ano, com idades entre 6 e 9 anos”, explicou Erlyene Dayane Moreira de Barros, gerente da Gerência de Educação Fundamental da Infância e da Adolescência da Secretaria Municipal de Educação.
LEIA MAIS
- Goiânia lidera déficit de vagas na educação infantil em Goiás; veja ranking
- Mães relatam falhas no sistema de matrícula e filhos ficam sem vagas em CMEIs de Goiânia
Em vez de apenas receber uma operação e buscar a resposta correta, os alunos são colocados diante de problemas que precisam ser explorados e discutidos. A partir daí, são estimulados a formular estratégias, testar possibilidades, argumentar e construir soluções.
A metodologia trabalha diferentes áreas da matemática, como álgebra, geometria, probabilidade e medidas. Também incorpora atividades relacionadas à educação financeira.

Novo método
Durante as aulas-modelo, os estudantes participam de atividades em que precisam encontrar caminhos para solucionar determinados problemas. O processo valoriza a investigação e a troca de ideias entre os próprios alunos.
Uma das atividades utilizadas é o chamado “Desafio das Aventuras”, que apresenta situações-problema para serem resolvidas a partir da exploração e da discussão de diferentes estratégias.
A tecnologia também entra como parte do processo. As atividades podem utilizar lousas digitais e tablets, equipamentos que já estão disponíveis na rede municipal.
A proposta não pretende apenas mudar a maneira como o conteúdo é apresentado. O objetivo é trabalhar habilidades que ultrapassam a própria disciplina, como comunicação, argumentação, resolução de problemas e capacidade de estabelecer conexões.
A metodologia será aplicada inicialmente em escolas municipais que funcionam em período integral e desenvolvem propostas relacionadas ao ensino lúdico da matemática. Paralelamente às aulas, está prevista a implementação de uma proposta curricular e de um programa de formação continuada para professores.
Fase de testes
As visitas didáticas desta semana passam por dez unidades da rede municipal:
- Escola Municipal Marlei Garcia;
- Escola Municipal Professor Lourenço Ferreira Campos;
- Escola Municipal Frei Nazareno Confaloni;
- Escola Municipal Lions Clube de Goiânia Tocantins;
- Escola Municipal Regina Helou;
- Escola Municipal Joaquim Câmara Filho;
- Escola Municipal Jardim das Aroeiras;
- Escola Municipal Maria Araújo de Freitas;
- Escola Municipal Amélia Fernandes Martins;
- Escola Municipal Marechal Ribas Júnior.
A aula-modelo desta quarta-feira (23) ocorreu na Escola Municipal Frei Nazareno Confaloni, na Vila União.
A experiência faz parte de uma tentativa de transformar a relação dos estudantes com a matemática. Em vez de começar pela fórmula e terminar na resposta, a proposta coloca o caminho até a solução no centro da aula — justamente onde entram a dúvida, o raciocínio e a discussão.