SAÚDE E ACOLHIMENTO

Casa de apoio em Goiânia acolhe mais de 400 pacientes com HIV por ano

Unidade recebe pessoas que viajam até 500 km para consultas. Relatos mostram que, sem o suporte, muitos não conseguiriam continuar tratamento

casa de apoio
Assistente Social recebendo um hóspede na Casa de Apoio do Centro Estadual de Atenção Prolongada, em Goiânia (Foto: Divulgação/CEAP-SOL)

Pacientes que percorrem até 500 quilômetros para conseguir atendimento em Goiânia encontram na Casa de Apoio do Centro Estadual de Atenção Prolongada (Ceap-SOL) um suporte decisivo para não abandonar o tratamento contra o HIV. A unidade acolhe mais de 400 pessoas por ano, oferecendo hospedagem gratuita, alimentação e transporte para consultas e exames.

O serviço atende principalmente moradores do interior de Goiás, onde há menos acesso a acompanhamento especializado. “Nosso objetivo é garantir que o paciente consiga se tratar com dignidade. A gente oferece estrutura, mas principalmente segurança para que ele não interrompa o acompanhamento”, explica a gerente operacional da unidade, Bruna Karlla Almeida.

Ao chegar à unidade, o paciente passa por triagem do serviço social, que organiza toda a rotina durante a estadia. São definidos horários, locais de atendimento e o transporte até hospitais e clínicas. Além da hospedagem, a estrutura inclui alimentação diária, acompanhamento de equipe multidisciplinar, apoio psicológico e atividades que ajudam no bem-estar. A casa recebe, em média, 35 pacientes por mês, vindos de diversas regiões do estado.

A importância desse suporte fica ainda mais evidente diante das dificuldades enfrentadas por quem vive com HIV fora dos grandes centros. “Muitos ainda lidam com preconceito, medo de expor o diagnóstico e falta de informação. Em algumas cidades, o acesso ao tratamento é limitado, e isso pode levar ao abandono”, destaca Bruna.

“Sem esse apoio, seria muito difícil continuar”

A realidade é sentida na prática por quem depende do serviço. Marcos Sousa (nome fictício para preservar a identificação), de 60 anos, que vive com HIV há 36 anos e faz tratamento no Hospital de Doenças Tropicais (HDT) desde 2000, afirma que a casa foi fundamental para manter sua saúde ao longo do tempo.

“Essa casa me acolheu e aqui eu fiz amigos. Antes era muito complicado, não tinha esse suporte. Era difícil vir para Goiânia por causa da locomoção e também não tinha o apoio de profissionais como os do serviço social, psicologia, fisioterapia, enfermagem. Depois que passei a ficar aqui, tudo melhorou. A gente tem alimentação, atendimento, transporte. Não tenho gastos e consigo focar só na minha saúde”, diz.

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Segundo ele, que precisa vir para a capital de três em três meses, o convívio com outros pacientes também faz diferença. “A gente vê histórias de superação, troca experiência. Isso fortalece muito. O tratamento faz toda a diferença, mas para isso a gente precisa conseguir chegar até ele”, destaca Marcos.

Vagas disponíveis

Casa de Apoio do Centro Estadual de Atenção Prolongada, localizada no Jardim Europa, em Goiânia (Foto: Divulgação)

Para a equipe do Ceap-SOL, a casa de apoio funciona como um elo entre o paciente e o sistema de saúde. Porém, a falta de informação ainda é um dos principais desafios. “Muita gente ainda não sabe que pode contar com esse suporte. Por isso, fazemos um trabalho constante de orientação dentro das unidades de saúde”, explica Bruna.

A estrutura atual é considerada suficiente para atender à demanda, inclusive parte dos leitos da Casa de Apoio segue disponível.

Criado em 1995, o Ceap-SOL é referência no atendimento a pessoas que vivem com HIV em Goiás. Além da casa de apoio, a unidade oferece internação de longa permanência e atendimento individualizado.