Conheça o bairro mais antigo de Goiânia que deu abrigo, comércio e chão à nova capital
Fundada em 1810, a antiga Campininha das Flores oferece moradia, comércio e serviços aos trabalhadores que constroem Goiânia a partir da década de 1930
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Antes de Goiânia surgir como projeto urbanístico, Campinas já possuía ruas, casas, igreja, comércio e vida comunitária. A antiga Campininha das Flores começou a ser formada em 1810, enquanto a pedra fundamental da nova capital foi lançada apenas em 24 de outubro de 1933. São 123 anos de diferença entre as duas histórias.
A trajetória explica por que Campinas não pode ser vista apenas como um bairro tradicional. O antigo povoado forneceu parte do território, recebeu trabalhadores, abrigou repartições e ofereceu alimentos, ferramentas, moradia e serviços durante a construção de Goiânia.
A própria legislação municipal reconhece que a formação da Campininha das Flores teve início em 1810, muito antes da decisão de Pedro Ludovico Teixeira de transferir a capital. A Lei Municipal nº 8.967/2010 identifica a Igreja Matriz e a Praça Joaquim Lúcio entre os pontos de interesse histórico de Campinas.
Campinas já existia

A antiga Campininha surgiu ao redor da atual Basílica Nossa Senhora da Conceição. O povoado esteve ligado inicialmente a Bonfim, hoje Silvânia, e depois a Barro Preto, atual Trindade.
Ao longo do século XIX e do início do século XX, Campinas passou por diferentes categorias administrativas. Tornou-se vila e, posteriormente, município, com organização política e econômica própria. Na década de 1920, já reunia cerca de 4 mil habitantes, comércio, escolas e instituições religiosas.
A Praça Coronel Joaquim Lúcio funcionava como espaço de convivência e centro político da antiga cidade. A região concentrava a igreja, atividades comerciais, festas religiosas e decisões administrativas.
Quando o governo de Goiás começou a discutir a transferência da capital, Campinas não era um território vazio. Era um município estabelecido, localizado em uma área que oferecia água, relevo, terras e condições para receber um novo núcleo urbano.
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Nova capital

Após a Revolução de 1930, Pedro Ludovico Teixeira assumiu o governo de Goiás e retomou o projeto de transferência da capital da antiga Vila Boa para uma área com maior possibilidade de expansão econômica e urbana.
Em 1932, uma comissão analisou diferentes localidades, entre elas Bonfim, atual Silvânia; Pires do Rio; Ubatan, hoje parte de Orizona; e Campinas. O relatório indicou uma área próxima ao povoado campineiro como a mais adequada.
O Decreto Estadual nº 3.359, de 18 de maio de 1933, definiu que Goiânia seria construída nas terras das fazendas Crimeia, Vaca Brava e Botafogo, então pertencentes ao município de Campinas. O local ficava às margens do Córrego Botafogo. A história oficial de Goiânia registra que a pedra fundamental foi lançada cinco meses depois, em 24 de outubro.
Isso significa que Campinas não ficou apenas próxima à nova cidade. Parte do território sobre o qual Goiânia foi erguida pertencia ao antigo município.
Bairro recebeu trabalhadores e repartições
Nos primeiros anos da construção, Goiânia ainda não possuía estrutura suficiente para atender engenheiros, servidores, pedreiros, carpinteiros e outros trabalhadores que chegavam à região.
Campinas assumiu essa função. Moradores cederam casas para o funcionamento de repartições públicas, enquanto a Vila Operária recebeu parte dos trabalhadores envolvidos nas obras. O comércio local fornecia alimentos, tecidos, ferramentas e itens de uso diário.
Material educativo da Secretaria Municipal de Educação registra que Campinas serviu como centro de apoio à construção da capital. Era no antigo município que trabalhadores compravam mantimentos e procuravam espaços de lazer enquanto Goiânia ainda estava em formação.
O apoio não se limitava à atividade comercial. Campinas oferecia moradia, escolas, igrejas, relações comunitárias e uma estrutura urbana anterior ao plano elaborado por Attilio Corrêa Lima.
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De cidade a bairro
Com a consolidação de Goiânia, Campinas perdeu a autonomia municipal e foi incorporada à nova capital. A promessa era de que a integração aproximaria a antiga cidade do projeto de modernização iniciado pelo governo estadual.
A mudança alterou a organização administrativa e urbana da região. Repartições foram transferidas para o centro planejado, enquanto Campinas consolidou sua vocação comercial.
A Avenida 24 de Outubro e as ruas próximas passaram a concentrar lojas, mercados e serviços. Ao longo das décadas, o bairro tornou-se um dos principais polos de comércio popular da capital.
A transformação, no entanto, também reduziu a visibilidade de parte da história local. Campinas passou a ser lembrada mais pelas lojas e pela circulação de consumidores do que pelo papel desempenhado na construção de Goiânia.
Memória permanece
Alguns pontos ajudam a reconstruir a história de Campinas. A Praça Coronel Joaquim Lúcio permanece como referência do antigo município. A Basílica Nossa Senhora da Conceição mantém a ligação entre a formação religiosa e o crescimento urbano do povoado.
O bairro também abriga o Centro Cultural Gustav Ritter, instalado na antiga Casa dos Padres Redentoristas; o Mercado de Campinas, inaugurado em 1954; o Estádio Antônio Accioly; o Cemitério Santana; e um imóvel construído em 1925, apontado como a casa mais antiga de Goiânia.
Esses lugares mostram que a memória campineira não ficou restrita a documentos. Ela permanece no traçado das ruas, nas construções e na relação de moradores com a região.
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Antes de 1933
A fundação oficial de Goiânia ocorreu em 1933, mas a estrutura necessária para os primeiros anos da cidade já existia em Campinas.
O antigo município ofereceu chão para o projeto, comércio para abastecer as obras e abrigo para parte dos trabalhadores. Também recebeu repartições, servidores e moradores durante o período em que o centro da capital ainda estava sendo construído.
Campinas não é apenas o bairro mais antigo de Goiânia. É o lugar que existia antes dela e que forneceu parte das condições para que a nova capital deixasse o papel e começasse a ocupar o território.