Segunda-feira, 24 de Agosto de 2026
MEMÓRIAS

‘Ela amava a vida’: família conta quem era Neifa, mulher que morreu atropelada por adolescente bêbado

Familiares contam detalhes da personalidade de Neifa, lembrada pela alegria, vaidade e carinho com quem estava ao seu redor

Por - Goiânia, GO
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Neifa aparece bem-vestida, usando maquiagem e batom vermelho em uma fotografia da família

Neifa Freitas de Farias Alves, de 50 anos, morreu após permanecer internada em estado grave no Hospital de Urgências Otávio Lage de Siqueira (Hugol), em Goiânia. Ela estava na motocicleta com o marido, Fábio Alves Barbosa, quando os dois foram atingidos por uma caminhonete conduzida por um adolescente de 17 anos, no dia 16 de agosto.

Para a irmã, Milene Farias, a perda representa a ausência de uma pessoa que estava presente nos detalhes mais simples de sua rotina. Era Neifa quem assistia aos vídeos que Milene publicava e perguntava sobre o cabelo, a maquiagem e as roupas. Também era quem percebia, apenas pelo tom de voz, quando a irmã não estava bem.

“Perdi minha irmã, perdi minha amiga, perdi minha ouvinte sem julgar. Perdi aquela que olhava meus vídeos e questionava meus cabelos, minha maquiagem, minha roupa, se estava ou não combinado comigo. Perdi quem me deixava confortável para ser quem eu sou ou quem eu quisesse ser”, afirmou Milene.

Neifa fazia questão de manter a família sempre por perto

Neifa tinha o hábito de se envolver nas relações familiares e não gostava de ver os parentes afastados. Quando surgia uma briga, procurava os envolvidos, ouvia os dois lados e tentava convencer quem estivesse magoado a deixar o conflito para trás. Para Milene, a irmã tinha uma espécie de papel de mediadora dentro da família.

“Ela era quem achava o ponto de vista de ambos os lados e apaziguava atitudes que, para mim, não tinham justificativa”, contou.

Esse jeito de cuidar dos vínculos fazia parte da rotina. Gostava de saber como estavam os familiares, acompanhava o que acontecia com cada um e fazia questão de manter os encontros entre as irmãs. A família era, segundo Milene, uma presença constante em sua vida.

As duas também costumavam fazer planos juntas. Antes do acidente, haviam conversado sobre uma nova viagem que pretendiam realizar. Para Milene, esses planos agora fazem parte das lembranças dos últimos momentos compartilhados com a irmã.

Neifa e as irmãs Milene e Martha mantinham uma relação marcada pela proximidade (Foto: Arquivo pessoal)

Outro sonho era ser avó. Ao observar a relação de Milene com as netas, perguntava se conseguiria construir o mesmo vínculo com os futuros netos.

“Será que vou ser boa avó como você, Milene? Será que meus netos vão querer ficar comigo como suas netas?”, lembrava.

O carinho entre as duas também aparecia em coisas pequenas. Neifa fazia arroz-doce para Milene, seu doce preferido, e preparava frango agridoce especialmente para ela. Eram formas simples de demonstrar afeto que hoje ganharam um significado diferente para a irmã.

Vaidosa, gostava de vestidos, batom vermelho, óculos grandes, sapatos diferentes e do perfume Chanel. Milene guarda essas características ao falar da irmã, mas também lembra de uma mulher que gostava de estar perto dos seus e de participar da vida da família.

Uma mulher apaixonada pela vida e pelos encontros em família

Duda guarda de Neifa uma imagem muito ligada à alegria e à maneira como ela aproveitava a própria vida. Em uma família grande, os encontros faziam parte da rotina: Natal, aniversários, almoços e jantares eram ocasiões para reunir os parentes, mas nem sempre era preciso haver uma data especial para que todos estivessem juntos.

Neifa gostava dessa movimentação. Tinha orgulho de ser mãe, era muito ligada aos sobrinhos e encontrava prazer nas situações em que podia estar perto deles. Duda conta que esse carinho se estendia para toda a família.

“Minha tia era uma pessoa que adorava a vida, ela adorava ser mãe, ela adorava ser tia. Era louca de amor por todos os sobrinhos”, contou.

Quem convivia com Neifa também reconhecia facilmente alguns de seus costumes. Ela chamava as pessoas de “boneca” e “amor”, gostava de contar histórias e tinha uma risada alta, que Duda descreve como uma das marcas mais características da tia.

A vaidade também fazia parte de sua personalidade. Neifa gostava de maquiagem, tinha preferência por batom vermelho e cuidava dos detalhes do visual. Duda conta que esse cuidado aparecia tanto nas roupas quanto na produção para as fotografias, algo que fazia parte do jeito de ser da tia.

Neifa era apaixonada por batom vermelho e fazia da cor uma de suas escolhas favoritas na maquiagem (Foto: Arquivo pessoal)

Além da vaidade, Neifa também tinha uma ligação especial com os idosos de quem cuidava. Duda conta que ela era apaixonada pelas pessoas que acompanhava e costumava criar vínculos com elas. O trabalho fazia parte da rotina, mas também revelava uma característica que a família reconhecia: a facilidade para se apegar e demonstrar afeto.

A relação com as irmãs também aparece entre as lembranças que Duda guarda da tia. Neifa, Milene e a mãe dela tinham uma brincadeira que virou uma espécie de apelido entre as três. Como cada uma usava um anel de uma cor diferente, diziam que eram as “Meninas Superpoderosas”.

Neifa, Milene e Martha usavam anéis de cores diferentes e brincavam que eram as “Meninas Superpoderosas” (Foto: Arquivo pessoal)

A brincadeira, segundo Duda, era uma forma de demonstrar a proximidade entre as três irmãs e acabou se tornando uma lembrança especial para a família.

No sábado anterior ao acidente, ela saiu com o marido para passear no shopping. Os dois aproveitaram o dia juntos e fizeram algumas fotos, que depois enviaram aos familiares.

“Parece que eles já estavam meio que se despedindo ali um do outro”, disse Duda.

Para ela, a tia era uma mulher que gostava de aproveitar a vida e estar perto das pessoas. Vaidosa, gostava de contar histórias, tinha uma risada marcante e criava vínculos com facilidade, inclusive com os idosos de quem cuidava.

“A gente está tentando se agarrar muito a isso, da felicidade dela em viver, do jeito que ela gostava de viver a vida, do jeito que ela gostava de todo mundo junto”, afirmou.

O jeito expansivo, a delicadeza, a vaidade, as histórias e a facilidade para demonstrar carinho são algumas das características que ficaram na memória dos familiares.

“Ela amava a vida, tinha a risada gostosa de ouvir, contava as melhores histórias, era apaixonada nos idosos que ela cuidava. Ela vivia com amor e felicidade.”



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