Filha relata prejuízo da mãe goiana após investimento de milhares de euros em consórcios: ‘ela nunca viu o dinheiro’
Filha conta que a mãe investiu em cartas de consórcio após contato com corretora pelo Instagram e teria descoberto irregularidades
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A filha de uma goiana que vive em Portugal há 27 anos afirma que a mãe perdeu dinheiro após investir em cartas de crédito oferecidas pela corretora de consórcios Julliana de Freitas Pinheiro. Ao Mais Goiás, ela contou que a mãe acreditava estar adquirindo os créditos e fazendo lances para ser contemplada. A promessa era que, depois da contemplação, as cartas poderiam ser vendidas com lucro.
A história começou há cerca de um ano e meio, quando a mãe viu um vídeo patrocinado de Julliana no Instagram. O conteúdo era voltado para brasileiros que moram fora do país. Ela apenas curtiu a publicação e, no dia seguinte, recebeu uma mensagem da corretora.
A partir daí, a corretora passou a apresentar propostas de consórcio, marcar reuniões e conversar frequentemente com a mãe. Como não conhecia esse tipo de investimento e tinha pouca familiaridade com as redes sociais, ela acabou confiando nas orientações recebidas.
Com o tempo, a relação entre as duas ficou mais próxima. A corretora passou a chamar a mãe de “amiga” e mantinha contato praticamente diário.

Promessa de contemplação de R$ 1 milhão
A filha pediu documentos que comprovassem a contemplação e passou a questionar Julliana sobre o dinheiro. Conforme o relato, a corretora dizia que a mãe precisava confiar no trabalho e chegou a reclamar que estava sendo pressionada.
“Ela falava: ‘Sua filha está me pressionando muito. Para mim, dessa forma não dá. Eu não gosto de trabalhar assim. Para mim, o cliente tem que ser na base da confiança’”, relata.
Depois de um desentendimento com a mãe por causa das cobranças, decidiu se afastar do assunto. Nesse período, Julliana teria afirmado que a carta precisava permanecer investida por seis meses dentro da administradora.
Passado esse prazo, uma nova estratégia foi apresentada: a chamada “alavancagem financeira”. A proposta, de acordo com o relato, era adquirir cartas de crédito, fazer lances com dinheiro próprio, ser contemplada e, posteriormente, vender os créditos por um valor maior.
A partir daí, a mãe começou a adquirir novas cartas e a enviar valores para os lances. Os pagamentos aumentaram gradualmente e chegaram a € 4 mil ou € 5 mil por vez nos últimos meses, segundo a filha.
Apesar das supostas contemplações, os valores não chegavam às mãos da investidora. Quando questionava sobre o dinheiro, a corretora dizia que ele permanecia dentro da administradora para ser usado em novos lances.
As justificativas também teriam mudado ao longo do tempo. Em algumas ocasiões, Julliana dizia enfrentar problemas pessoais, como brigas com o marido e dificuldades dentro de casa. Em outra situação, teria afirmado estar com câncer e enviado fotos de hospital.

Foi nesse período que a filha começou a perceber as contradições nos relatos e passou a investigar por conta própria. Entre as situações que chamaram sua atenção, estava uma publicação recente encontrada no perfil do marido de Julliana, que, segundo ela, não correspondia à informação de que os dois estariam separados.
Filha procura administradoras e descobre cartas canceladas
A situação mudou quando a filha passou a cobrar diretamente informações sobre as cartas de crédito. Em fevereiro do ano passado, conforme contou, Julliana admitiu que a primeira contemplação de R$ 1 milhão não existia.
A partir daí, a filha procurou as empresas responsáveis pelos consórcios para conferir os contratos e os pagamentos feitos pela mãe. Nos documentos recebidos, segundo ela, havia registros de cartas que não existiam e de outras que tinham sido canceladas por falta de pagamento.
“Algumas nem existiam. Minha mãe pagava parcelas de cartas que nem existiam. E outras já tinham sido canceladas por falta de pagamento”, afirma.
A consulta também revelou problemas nos dados cadastrados nos contratos. Números de telefone e endereços de e-mail teriam sido registrados de forma incorreta, o que, segundo a filha, impedia que a mãe recebesse diretamente os comunicados das administradoras.
Outro ponto que chamou a atenção foi a forma como alguns pagamentos eram solicitados. Julliana dizia que já havia quitado determinada parcela e pedia que a mãe transferisse o valor diretamente para ela.
“Ela falava: ‘Amiga, eu já paguei sua parcela aqui, você pode mandar diretamente para mim, viu?’”, conta.
A corretora também teria enviado áudios de pessoas apresentadas como clientes que elogiavam seu trabalho. Posteriormente, a família afirma ter descoberto que algumas delas também diziam ter sido prejudicadas.
Ao procurar outros relatos, a filha diz ter encontrado mais de 30 pessoas em situações semelhantes. Cerca de cinco estariam dispostas a falar publicamente sobre o caso, enquanto as demais preferem não se identificar.
A maior parte dessas pessoas, conforme contou, vive fora do Brasil. A distância dificulta o registro de ocorrências e a busca por orientação jurídica, especialmente para quem não tem alguém de confiança no país para ajudar presencialmente.
O que diz a defesa
Procurado pelo Mais Goiás, o advogado Marcus Vinicius Holanda Serra, que representa Julliana, enviou uma nota sobre o caso:
“A família está abalada com a situação que a Sra. Juliana está enfrentando.
Em razão disso contrataram um escritório de Advocacia que vai tratar dos assuntos da Julliana.
No que tange os casos de violência doméstica, a justiça já se encarrega disso.
Sobre a questão financeira. Ela não cometeu crimes e sim teve um desacerto comercial e problemas no casamento.
Hoje ela se encontre em estado de vulnerabilidade emocional, e todos estão sendo ressarcidos assim como se comprova pela pagamentos já feitos.”
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