Terça-feira, 27 de Outubro de 2026
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Gestante entra em trabalho de parto após 12 dias à espera de vaga para bebê com cardiopatia em Goiânia

Sucessivos desencontros na regulação dificultam a transferência de gestante de alto risco, que está em trabalho de parto nesta terça (27)

Inglid Martins
Por - Goiânia, GO
Publicado em: • Atualizado em:
Imagem da gestante e do hospital

Uma gestante de 38 semanas entrou em trabalho de parto e precisou ser encaminhada para a sala de parto após aguardar 12 dias por uma transferência para uma unidade especializada no atendimento à filha, diagnosticada com uma grave cardiopatia congênita. Internada no Hospital das Clínicas (HC), em Goiânia, desde 15 de outubro, Raquel Geane Dias Rodrigues aguardava uma vaga que permitisse à bebê Aurora nascer em um hospital com estrutura especializada em cardiologia neonatal. Ao Mais Goiás, uma prima de Raquel contou que a cardiopatia congênita de Aurora foi identificada durante um exame de rotina, na 30ª semana de gestação. “A partir daquele momento, a nossa vida virou de cabeça para baixo”, relatou a mãe.

Segundo a família, a bebê precisa nascer em uma unidade com UTI neonatal cardíaca e equipe de cirurgia cardíaca pediátrica. Os parentes tentaram viabilizar uma transferência particular, mas não conseguiram reunir a documentação necessária. “O Ministério Público pediu para fazer três orçamentos, para tentar uma transferência particular, porém nem conseguimos laudo de um cardiopediatra”, afirmou a prima.

Vaga depende de regulação

Na segunda-feira (26), a familiar conversou com o diretor do HC, identificado como Dr. Jhonata. “Ele falou que depende da regulação. Ele próprio falou que o parto só vai ser realizado se tiver em sofrimento fetal, porque, do contrário, temos que esperar sair a vaga”, relatou. Segundo a família, a única profissional do hospital habilitada para o atendimento necessário estaria de licença-maternidade.

A situação mudou na manhã desta terça-feira (27), quando Raquel entrou em trabalho de parto e foi encaminhada à sala de parto. Conforme a família, uma equipe do HUGOL chegou ao HC para que um cardiologista avaliasse a condição da bebê e verificasse quais procedimentos poderiam ser realizados. A possibilidade de transferência para São Paulo, caso o atendimento necessário não pudesse ser oferecido em Goiás, ainda dependia de confirmação das equipes médicas e da regulação.

A reportagem entrou em contato com o HUGOL para confirmar a presença da equipe no Hospital das Clínicas (HC) e os procedimentos previstos para o atendimento da bebê, mas não obteve retorno até a última atualização.

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Pedido inicial foi para o HEMU

Inicialmente, foi solicitada a transferência da gestante para o Hospital Estadual da Mulher Dr. Jurandir do Nascimento (HEMU), em Goiânia. No entanto, segundo as informações apuradas, embora houvesse a possibilidade de disponibilização de uma vaga na unidade, o hospital não contaria com a estrutura necessária para o atendimento especializado da bebê. Após essa solicitação inicial, não foram identificados novos pedidos na regulação estadual.

Saúde estadual

Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) informou que recebeu, em 22 de outubro, um pedido de transferência feito pela Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (SMS), mas que, após avaliação no HEMU, não houve indicação para interromper a gestação naquele momento. Segundo a pasta, a paciente deve permanecer internada no HC, que tem estrutura para atender gestantes de alto risco. A SES-GO afirmou ainda que não há solicitação de transferência ativa na regulação estadual e que, após o nascimento, eventual necessidade de transferência da bebê para cirurgia será avaliada conforme indicação médica e inserção no fluxo de regulação.

Em nota enviada ao Mais Goiás, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Goiânia informou que a paciente, identificada pelas iniciais R.G.D.R. e residente em outro município, está temporariamente no Hospital das Clínicas (HC), onde, segundo a pasta, recebe toda a assistência necessária enquanto aguarda transferência para outro estado.

De acordo com a secretaria, a transferência está sendo articulada com a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO), por meio do Tratamento Fora do Domicílio (TFD), para que o parto seja realizado em uma unidade com estrutura adequada e segura.

O Mais Goiás solicitou esclarecimentos ao Hospital das Clínicas (HC) sobre a situação da paciente, as providências adotadas para viabilizar a transferência e aguarda retorno.

Leia na íntegra a nota do SES-GO:

“A Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) informa que foi registrada solicitação de transferência pela SMS Goiânia em favor da paciente, que já estava internada em unidade com capacidade assistencial para condução de gestação de alto risco (Hospital das Cínicas/HC), para a regulação estadual, no dia 22/10, com demanda relativa a procedimento obsetétrico/parto. Após avaliação assistencial em unidade de referência da rede SUS sob gestão da SES (Hemu​), não foi indicada a interrupção da gestação neste momento, devendo a paciente permanecer internada na unidade de origem (HC).

Atualmente, não há solicitação de transferência para a regulação estadual, nem indicação para abertura de nova solicitação, uma vez que a paciente permanece assistida no HC. A informação pode ser consultada no sistema de Transparência da Regulação: https://indicadores.saude.go.gov.br/public/transparencia_regulacao.html

A SES-GO ressalta que o HC, habilitado pelo Ministério da Saúde para atendimento a gestantes de alto risco, deve manter estrutura e equipe compatíveis com seu perfil assistencial. A unidade tem como mantenedor o governo federal, e sua regulação é de responsabilidade exclusiva da Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (SMS).

Destacamos que, após nascimento do bebê e condução pela equipe médica especializada em saúde neonatal existente no HC, onde também há suporte de UTI neonatal, caso haja indicação de transferência para procedimento cirúrgico no fluxo de urgência e emergência, a regulação municipal de Goiânia procederá à inclusão junto ao Estado e será realizada a devida priorização na busca da vaga.”

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