Irmão organiza surpresa e emociona militar ao reunir banda da PMGO na porta de casa
Veterano da PM foi surpreendido pelos colegas e pelo irmão mais novo, que idealizou a cerimônia para celebrar sua trajetória de mais de 30 anos na corporação
Uma homenagem organizada pelo próprio irmão transformou um dia comum em um momento inesquecível para o segundo-tenente da reserva Antônio Carlos Gerônimo, de 60 anos. Surpreendido pela chegada da Banda da Polícia Militar de Goiás e de veteranos da corporação em frente à sua casa, o policial aposentado não conteve a emoção ao receber o reconhecimento pela trajetória de mais de três décadas de serviço. A cerimônia, idealizada pelo tenente Gerônimo, irmão mais novo do homenageado, ganhou ainda mais significado por acontecer poucos meses após a morte da mãe dos dois e depois de Antônio Carlos enfrentar uma internação causada por dengue.
Ao ouvir os primeiros acordes da banda se aproximando, Antônio Carlos saiu de casa sem imaginar que seria o centro da solenidade.
“Sinceramente, eu não esperava um evento dessa grandeza. Eu estou tremendo até agora. É uma coisa tão emocionante porque me faz recordar quantas vezes eu toquei nessa banda e estive ali em forma. Nessa hora eu perdi o controle da situação, coisa que nunca perdi quando estava nas ruas. Me senti valorizado e muito emocionado”, afirmou o veterano.

O tenente Gerônimo, que hoje atua como um dos regentes do Corpo Musical da Polícia Militar, contou que a ideia surgiu ao perceber que a banda costuma levar alegria e reconhecimento para outras pessoas, mas raramente para seus próprios integrantes.
“Sempre fazemos homenagens para alguém. Dia das Mães, Dia dos Pais, aniversários, solenidades. A banda está sempre participando da festa dos outros. E eu pensei: por que não fazer uma homenagem para o meu irmão?”, relembrou.
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A proposta foi apresentada ao Batalhão de Valorização do Veterano, que prontamente aceitou participar da surpresa. A intenção inicial era realizar a homenagem no aniversário de 60 anos de Antônio Carlos, comemorado em 3 de junho. No entanto, o evento precisou ser adiado por questões operacionais. Ainda assim, o significado permaneceu o mesmo.
“No último dia 18 de abril nós perdemos a nossa mãezinha. Ela estava um pouco doente, um pouco acamada e não resistiu. Meu irmão estava muito perto dela nos últimos tempos, acompanhando consultas, cuidando dela. Ele se abateu muito com a perda. Logo depois da partida dela, ele teve uma dengue muito forte e ficou internado por quatro dias. A gente foi juntando tudo isso e entendemos que era o momento de fazer essa homenagem”, explicou.
Relação de irmãos
Ao falar sobre a relação entre os dois, a voz do irmão mais novo se mistura com admiração e gratidão.

“Ele representa o irmão mais velho, o paizão, aquele que cuida. Eu perdi meu pai quando tinha apenas dois anos de idade. Então meus irmãos mais velhos ajudaram a me criar, mas depois eu fiquei muito próximo dele. Ele é um camarada muito honesto, muito correto, firme na palavra. É uma pessoa de coração gigante. Eu não consigo imaginar minha vida sem o meu irmão do lado”, ressalta tenente Gerônimo.
O momento mais marcante da cerimônia, segundo ele, aconteceu justamente quando Antônio Carlos percebeu o que estava acontecendo.
“Ele ouviu a banda e saiu correndo de dentro de casa. Tremia igual vara verde. A gente conseguia ver a calça balançando. Os lábios ficaram sem cor. Ali foi o ápice da homenagem. Eu nunca vou esquecer aquela cena”, completa.
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Uma vida dedicada à Polícia Militar
A história de Antônio Carlos com a Polícia Militar começou em agosto de 1985. Na época, a corporação estruturava a Banda de Música e buscava músicos para compor o grupo. Ele ingressou como soldado e rapidamente passou a integrar o quadro musical da PM. Em 1991, concluiu o curso de formação de sargentos e passou a atuar no serviço operacional, trabalhando por quatro anos no 7º Batalhão.
Depois, retornou ao Corpo Musical, onde permaneceu até ir para a reserva remunerada em 2015. Ao longo da carreira, ocupou diferentes funções e acompanhou gerações de músicos.

“Meu irmão passou pela estante, foi regente, ajudou a formar músicos e deixou um legado muito bonito para a corporação”, destacou Gerônimo.
Ao relembrar a trajetória, Antônio Carlos afirma que o maior orgulho não está apenas no tempo de serviço, mas na forma como encerrou sua carreira. “Acredito que deixei uma história de perseverança, dedicação e muito cuidado com o serviço público”.