Sexta-feira, 25 de Setembro de 2026
DECISÃO JUDICIAL

Justiça cobra explicações sobre falta de medicamentos em UPAs e Cais de Goiânia

TCM-GO também abriu procedimento para apurar questões relacionadas ao abastecimento das unidades de saúde na capital

Inglid Martins
Por - Goiânia, GO
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Mesmo após duas inspeções realizadas em 11 unidades de urgência e emergência de Goiânia, medicamentos, insumos e equipamentos continuam em falta nos serviços de saúde da capital. As vistorias também apontaram que o exame de hemogasometria, usado principalmente no atendimento de pacientes em estado grave, não está disponível nessas unidades. Diante da permanência dos problemas, a Justiça deu 72 horas para o município e a Secretaria Municipal de Saúde se manifestarem sobre o pedido de medidas para regularizar o abastecimento e a oferta do exame.

A primeira vistoria ocorreu em 25 de maio e encontrou problemas no estoque de medicamentos, materiais e equipamentos, além de dificuldades na realização de exames e falta de profissionais. Após a fiscalização, os gestores das unidades foram orientados a adotar providências para garantir o abastecimento.

Segundo o Ministério Público de Goiás, porém, parte dos problemas não foi resolvida. O município informou que estavam em andamento processos de compra, licitações, registros de preços, dispensas e contratos emergenciais para regularizar o fornecimento.

Uma nova inspeção foi realizada em 31 de agosto e mostrou que a falta de medicamentos ainda persistia nas mesmas unidades. Durante a fiscalização, profissionais também relataram que não havia hemogasometria disponível. O exame é utilizado para verificar os níveis de oxigênio e gás carbônico no sangue e pode auxiliar na avaliação de pacientes em estado grave, especialmente aqueles atendidos na sala vermelha.

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UPAs, CAIS e CIAMS da capital foram vistoriados durante fiscalizações sobre o abastecimento da rede municipal (SMS/Divulgação)

TCM investiga situação na rede municipal

As inspeções foram realizadas em UPAs, CAIS e CIAMS que funcionam como portas de entrada para atendimentos de urgência e emergência em diferentes regiões da capital. Diante da persistência dos problemas, o Tribunal de Contas dos Municípios de Goiás (TCM-GO) também abriu procedimento para apurar as responsabilidades relacionadas ao abastecimento das unidades de saúde. O órgão analisa o cumprimento de uma medida que determinava o fornecimento de medicamentos e insumos na rede municipal.

Na ação judicial, o MP pediu que o município adote medidas para garantir a disponibilidade dos medicamentos, materiais e equipamentos necessários ao funcionamento das unidades, além da realização da hemogasometria.

O pedido prevê multa diária individual de R$ 5 mil para cada item que continue em falta e também para os casos de ausência do exame. A Justiça, neste momento, determinou a intimação do município, do prefeito Sandro Mabel e do secretário municipal de Saúde, Luiz Gaspar Machado Pellizzer, para que apresentem manifestação no prazo de 72 horas.

Depois desse prazo, o processo deverá retornar para análise judicial sobre as próximas medidas.

O que diz a SMS

Em nota ao Mais Goiás, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Goiânia informou que ainda não foi oficialmente notificada sobre a decisão. Segundo a pasta, após a notificação, serão apresentadas, dentro do prazo estabelecido, as informações e os esclarecimentos solicitados no processo.

A SMS também informou que os apontamentos serão analisados pela equipe técnica e respondidos formalmente nos autos, conforme os trâmites processuais.

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