Moradores denunciam retirada de abrigos para cães em parque de Goiânia; Amma aponta irregularidades e riscos
Prefeitura diz que casinhas podem estimular o abandono de animais e causar impactos ambientais
Um grupo de moradores do Parque Nova Esperança, em Goiânia, denuncia a retirada de casinhas utilizadas como abrigo para cães abandonados na região. A Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma), responsável pela administração dos parques da capital, afirma que as estruturas eram irregulares e que a manutenção de abrigos e pontos de alimentação permanentes pode estimular o abandono de animais e causar impactos ambientais e sanitários.
Ao Mais Goiás, a diretora de moda Daianny Barbosa, de 36 anos, contou que as estruturas estavam no local há mais de um ano e foram removidas entre os dias 19 e 20 de junho.
Segundo a moradora, cerca de cinco cães vivem permanentemente no parque e recebem alimentação e cuidados custeados por voluntários da comunidade. Ela afirma que as casinhas foram instaladas após autorização do então diretor responsável pelo parque. “Na época pedimos para colocar e ele autorizou, porque seria um local ‘morto’, que não se utiliza”, relatou.

Daianny afirma que os abrigos ficavam em uma área que não interferia na circulação dos frequentadores e permaneciam presos por correntes e cadeados. Há cerca de 40 dias, porém, o atual diretor teria começado a pressionar os cuidadores para que retirassem as estruturas.
A moradora diz que não recebeu qualquer justificativa para a remoção. “Ele não explicou o motivo nem sugeriu que fossem colocadas em outro local”, acrescentou.
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Preocupação com segurança dos animais
Além da retirada das casinhas, os cuidadores demonstram preocupação com a segurança dos animais. Em outubro do ano passado, dois cães teriam sido vítimas de ataques com faca dentro do parque. Um deles foi socorrido por um funcionário que ajuda a cuidar dos animais, enquanto o outro desapareceu ferido e retornou dias depois.
Um boletim de ocorrência enviado à reportagem aponta que, em 20 de outubro de 2025, funcionários do parque encontraram um dos cães com um ferimento grave na pata dianteira direita, compatível com um corte profundo. O documento, registrado na Polícia Civil, também relata que testemunhas viram um homem agredindo os animais com um pedaço de pau. O caso foi registrado como maus-tratos.
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O que diz a Amma
Em nota enviada ao Mais Goiás, a Amma informou que a retirada ocorreu porque a instalação de estruturas particulares em parques municipais não é permitida. Segundo a agência, os parques são unidades de conservação voltadas à preservação ambiental, ao lazer e à convivência da população com a natureza, não sendo destinados à permanência de animais domésticos.
A Amma afirmou ainda que, embora a preocupação dos moradores com os cães seja legítima, a manutenção de abrigos e pontos permanentes de alimentação pode incentivar o abandono de animais nesses locais. De acordo com a agência, algumas pessoas passam a enxergar os parques como espaços adequados para deixar cães e gatos, acreditando que eles receberão assistência da comunidade.
Riscos ambientais e sanitários
Outro ponto destacado pela autarquia é que a concentração de animais sem controle sanitário pode representar riscos aos frequentadores. A agência cita a possibilidade de acidentes envolvendo crianças, ciclistas e praticantes de atividades físicas, além da transmissão de zoonoses, conflitos com a fauna silvestre e impactos ambientais causados pelo descarte inadequado de alimentos.
Segundo a Amma, a oferta contínua de abrigo e alimento favorece a permanência e o aumento da população de animais abandonados, o que dificultaria as ações de manejo realizadas pelo poder público.
Por fim, a agência ressaltou que o cuidado com animais em situação de rua deve ocorrer por meio de políticas públicas específicas, como programas de adoção responsável, castração, identificação e acolhimento em locais apropriados. A agência afirmou permanecer comprometida com a preservação ambiental, a segurança dos frequentadores e o bem-estar animal, buscando soluções para a questão em conjunto com outros órgãos competentes.
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