Sexta-feira, 07 de Agosto de 2026
OBRA INACABADA

Paralisação da obra agravou danos e pode ter condenado viaduto da Leste-Oeste em Goiânia, diz Crea-GO

Segundo Lamartine Moreira, estrutura principal do viaduto não apresenta comprometimento no laudo preliminar; problema teria sido agravado pela interrupção da obra e exposição às chuvas

Rafael Oliveira
Por - Goiânia, GO
Publicado em:
Lamartine Moreira, presidente do Crea-GO, diz que obra do viaduto Leste-Oeste tem solução, mas depende do custo ser viável (Foto: redes sociais)

A paralisação das obras do viaduto da Avenida Leste-Oeste com a Avenida Castelo Branco, em Goiânia, agravou os problemas estruturais que hoje colocam em discussão o futuro da construção. A avaliação é do presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Goiás (Crea-GO), Lamartine Moreira, que atribui o avanço dos danos ao longo período em que a estrutura permaneceu inacabada e exposta ao tempo.

Em entrevista ao Mais Goiás, Moreira explicou que o laudo técnico preliminar não aponta, a princípio, comprometimento da estrutura principal do viaduto. Os problemas estariam concentrados nas contenções laterais do aterro, que sofreram deterioração após a interrupção dos trabalhos.

“O problema foi a paralisação da obra. Com as intempéries, acabaram se acentuando as manifestações patológicas nessa parte da contenção, onde foi feito o confinamento do aterro para a cabeceira do viaduto”, afirmou.

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Segundo ele, caso a obra tivesse sido concluída dentro do cronograma, a água da chuva não teria alcançado as estruturas de concreto e aço da mesma forma.

“Provavelmente isso não teria acontecido. Os acabamentos impediriam que a água percolasse pela terra e chegasse aos materiais. Como a obra não foi concluída, começaram a aparecer essas manifestações em parte da construção.”

O viaduto da Leste-Oeste não está totalmente concluído ou aberto para tráfego superior, mas a Prefeitura de Goiânia liberou a primeira pista lateral na região da Avenida Leste-Oeste com a Avenida Castelo Branco (Foto: Prefeitura de Goiânia)
O viaduto não está totalmente concluído ou aberto para tráfego superior, mas a Prefeitura de Goiânia liberou a primeira pista lateral na região da Avenida Leste-Oeste com a Avenida Castelo Branco (Foto: Prefeitura de Goiânia)

Recuperação é possível

Na avaliação do presidente do Crea-GO, a recuperação da estrutura é tecnicamente viável. O que ainda precisa ser definido é se o investimento necessário justificará a intervenção. “Na engenharia tudo tem jeito. Recuperar, dá. Agora precisamos saber quanto será investido para recuperar essa obra.”

Lamartine Moreira explica que os próximos estudos irão detalhar quais intervenções serão necessárias e qual será o custo para executá-las. “Em obras de infraestrutura, normalmente estamos falando de intervenções bastante onerosas. Pode ser necessário desmontar parte das placas de contenção, refazer aterros e executar novas estruturas. Ainda há muito serviço pela frente”, disse.

A expectativa é que o grupo técnico formado por representantes da Prefeitura de Goiânia, do Crea-GO, do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM-GO), da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra) e especialistas em engenharia apresente uma conclusão em até 45 dias. Caso a obra seja retomada, Moreira estima que o viaduto ficará pronto em 2027.

Vias laterais foram liberadas para tráfego nesta sexta-feira (7/8). Foto: divulgação
Vias laterais do viaduto Leste-Oeste foram liberadas para tráfego nesta sexta-feira (7/8). Foto: Prefeitura de Goiânia

Estrutura reavaliada

Embora o diagnóstico inicial indique que pilares, fundações e superestrutura possam ser aproveitados, o presidente do conselho afirma que uma análise mais aprofundada será feita antes da definição sobre o futuro da obra.

“O laudo que temos hoje indica que, a princípio, o viaduto em si não apresenta problemas. Mas os técnicos vão aprofundar os estudos para que possamos indicar a melhor solução para esse patrimônio público.”

Segundo ele, o papel do Crea-GO será oferecer suporte técnico aos demais órgãos envolvidos na avaliação, buscando uma solução que garanta segurança e evite novos prejuízos aos cofres públicos.

Paralisação

A obra do complexo viário da Avenida Leste-Oeste começou em 2023 e foi interrompida em julho de 2024. Na ocasião, a Prefeitura de Goiânia atribuiu a paralisação a dificuldades financeiras da empresa contratada e a pendências relacionadas às desapropriações de imóveis no entorno.

Meses depois, a administração municipal informou que esses entraves haviam sido superados e autorizou a retomada da obra, afirmando que cerca de 80% da estrutura já estava concluída.

Com o avanço das inspeções técnicas, no entanto, foram identificados problemas como desalinhamento das placas de contenção, erosões no aterro e falhas no sistema de drenagem, segundo o presidente do Crea. Os laudos também apontaram inconformidades em parte dos materiais utilizados na contenção.

Diante do cenário, o Tribunal de Contas dos Municípios passou a acompanhar o caso e a fiscalizar a aplicação dos cerca de R$ 20 milhões já investidos no empreendimento. Na última sexta-feira (7), o prefeito Sandro Mabel anunciou a criação de uma mesa técnica para decidir se a estrutura poderá ser recuperada ou se a demolição será inevitável.

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