Paralisação da obra agravou danos e pode ter condenado viaduto da Leste-Oeste em Goiânia, diz Crea-GO
Segundo Lamartine Moreira, estrutura principal do viaduto não apresenta comprometimento no laudo preliminar; problema teria sido agravado pela interrupção da obra e exposição às chuvas
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A paralisação das obras do viaduto da Avenida Leste-Oeste com a Avenida Castelo Branco, em Goiânia, agravou os problemas estruturais que hoje colocam em discussão o futuro da construção. A avaliação é do presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Goiás (Crea-GO), Lamartine Moreira, que atribui o avanço dos danos ao longo período em que a estrutura permaneceu inacabada e exposta ao tempo.
Em entrevista ao Mais Goiás, Moreira explicou que o laudo técnico preliminar não aponta, a princípio, comprometimento da estrutura principal do viaduto. Os problemas estariam concentrados nas contenções laterais do aterro, que sofreram deterioração após a interrupção dos trabalhos.
“O problema foi a paralisação da obra. Com as intempéries, acabaram se acentuando as manifestações patológicas nessa parte da contenção, onde foi feito o confinamento do aterro para a cabeceira do viaduto”, afirmou.
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Segundo ele, caso a obra tivesse sido concluída dentro do cronograma, a água da chuva não teria alcançado as estruturas de concreto e aço da mesma forma.
“Provavelmente isso não teria acontecido. Os acabamentos impediriam que a água percolasse pela terra e chegasse aos materiais. Como a obra não foi concluída, começaram a aparecer essas manifestações em parte da construção.”

Recuperação é possível
Na avaliação do presidente do Crea-GO, a recuperação da estrutura é tecnicamente viável. O que ainda precisa ser definido é se o investimento necessário justificará a intervenção. “Na engenharia tudo tem jeito. Recuperar, dá. Agora precisamos saber quanto será investido para recuperar essa obra.”
Lamartine Moreira explica que os próximos estudos irão detalhar quais intervenções serão necessárias e qual será o custo para executá-las. “Em obras de infraestrutura, normalmente estamos falando de intervenções bastante onerosas. Pode ser necessário desmontar parte das placas de contenção, refazer aterros e executar novas estruturas. Ainda há muito serviço pela frente”, disse.
A expectativa é que o grupo técnico formado por representantes da Prefeitura de Goiânia, do Crea-GO, do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM-GO), da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra) e especialistas em engenharia apresente uma conclusão em até 45 dias. Caso a obra seja retomada, Moreira estima que o viaduto ficará pronto em 2027.

Estrutura reavaliada
Embora o diagnóstico inicial indique que pilares, fundações e superestrutura possam ser aproveitados, o presidente do conselho afirma que uma análise mais aprofundada será feita antes da definição sobre o futuro da obra.
“O laudo que temos hoje indica que, a princípio, o viaduto em si não apresenta problemas. Mas os técnicos vão aprofundar os estudos para que possamos indicar a melhor solução para esse patrimônio público.”
Segundo ele, o papel do Crea-GO será oferecer suporte técnico aos demais órgãos envolvidos na avaliação, buscando uma solução que garanta segurança e evite novos prejuízos aos cofres públicos.
Paralisação
A obra do complexo viário da Avenida Leste-Oeste começou em 2023 e foi interrompida em julho de 2024. Na ocasião, a Prefeitura de Goiânia atribuiu a paralisação a dificuldades financeiras da empresa contratada e a pendências relacionadas às desapropriações de imóveis no entorno.
Meses depois, a administração municipal informou que esses entraves haviam sido superados e autorizou a retomada da obra, afirmando que cerca de 80% da estrutura já estava concluída.
Com o avanço das inspeções técnicas, no entanto, foram identificados problemas como desalinhamento das placas de contenção, erosões no aterro e falhas no sistema de drenagem, segundo o presidente do Crea. Os laudos também apontaram inconformidades em parte dos materiais utilizados na contenção.
Diante do cenário, o Tribunal de Contas dos Municípios passou a acompanhar o caso e a fiscalizar a aplicação dos cerca de R$ 20 milhões já investidos no empreendimento. Na última sexta-feira (7), o prefeito Sandro Mabel anunciou a criação de uma mesa técnica para decidir se a estrutura poderá ser recuperada ou se a demolição será inevitável.