Temperatura pode chegar a 36ºC em Goiânia no fim de semana, diz Inmet
Capital terá máxima de 36°C e umidade a 12% após registrar 38,3°C e quebrar recorde de agosto
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O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) afirma que a temperatura deve permanecer alta em Goiânia no fim de semana. A máxima no sábado (15) deve ser de 36ºC e no domingo, de 35ºC. Além do calor, o Inmet chama atenção para o risco de baixa umidade. A combinação desses dois fatores amplia o risco de problemas respiratórios.
O sábado e o domingo chegam depois de uma semana histórica nos termômetros da capital. Goiânia marcou 38,3°C e quebrou o recorde de temperatura para agosto na série da estação meteorológica convencional do Inmet, iniciada em 1937. O registro superou os 37,7°C observados em 2011 e colocou agosto de 2026 no topo da série para o mês.
O calor também atingiu outras regiões do estado, com municípios goianos ultrapassando a marca dos 40°C. A sequência ocorre em um inverno para o qual já havia previsão de calor acima da média e umidade de até 10% em Goiás. Agora, além da temperatura, a combinação entre estiagem, vegetação seca e umidade baixa amplia a atenção para o fim de semana.
Sábado será o dia mais quente
O sábado deve concentrar as temperaturas mais altas do fim de semana em Goiânia. A previsão aponta mínima próxima de 19°C e máxima de 36°C, com predomínio de sol, poucas nuvens e ar seco. Entre o começo da manhã e o período mais quente da tarde, a diferença nos termômetros pode chegar a 17°C.
A amplitude térmica é característica do período seco no Centro-Oeste. Com pouca nebulosidade, a superfície perde calor durante a noite e a madrugada, o que permite temperaturas mais amenas nas primeiras horas do dia. Depois do nascer do sol, o processo se inverte e o aquecimento ocorre rapidamente.
É durante a tarde que temperatura e umidade formam a combinação mais crítica. Os termômetros avançam para valores acima dos 30°C enquanto a quantidade de umidade disponível na atmosfera diminui. O INMET mantém a baixa umidade entre os principais pontos de atenção para o Centro-Oeste neste período.
A condição já era prevista para Goiás ao longo deste inverno. Em junho, levantamento publicado pelo Mais Goiás mostrou que a umidade poderia chegar a 10% durante a estação, segundo projeções meteorológicas para o estado. O mesmo cenário apontava temperaturas máximas acima da média durante julho, agosto e setembro.
Domingo continua quente e sem chuva
O domingo não deve trazer uma mudança significativa no tempo. A máxima prevista fica em 35°C, apenas 1°C abaixo do sábado, enquanto a mínima deve permanecer próxima dos 21°C. O dia terá novamente predomínio de sol e não há expectativa significativa de chuva.
A baixa umidade também permanece como ponto de atenção. Durante as primeiras horas do dia, os índices tendem a ser maiores, mas diminuem conforme a temperatura aumenta. O período mais crítico deve ocorrer novamente durante a tarde.
Para quem pretende realizar atividades ao ar livre, a manhã tende a apresentar condições menos severas de temperatura. A situação muda ao longo do dia, quando o calor aumenta e a umidade diminui. Hidratação e redução da exposição ao sol durante os horários mais quentes estão entre as recomendações dos órgãos meteorológicos.
A segunda-feira (17) deve apresentar uma pequena redução nos termômetros, com máxima próxima de 33°C. Isso não significa, entretanto, o encerramento do período de calor e estiagem. O padrão de tempo seco permanece no horizonte meteorológico do Centro-Oeste.
Recorde coloca agosto de 2026 na história
O contexto do fim de semana ganha outra dimensão diante do que ocorreu nesta semana. Os 38,3°C registrados em Goiânia estabeleceram uma nova máxima para agosto na estação convencional do INMET. A série histórica começou em 1937, o que permite comparar o episódio atual com quase nove décadas de observações.
O recorde anterior era de 37,7°C, registrado em 2011. A nova marca ficou 0,6°C acima desse valor e mostra que o episódio não representou apenas uma tarde quente típica do inverno goiano. Tratou-se de um extremo para o mês dentro da série utilizada pelo instituto.
O calor não ficou restrito a Goiânia. A cidade de Goiás atingiu 41,4°C durante o episódio, enquanto outras áreas do estado também ultrapassaram os 40°C. Os registros colocaram Goiás entre os pontos de maior temperatura do país.
O Mais Goiás acompanha desde julho a intensificação desse cenário. Projeções meteorológicas já indicavam que Goiás poderia registrar temperaturas próximas dos 40°C e agravamento da seca ao longo do segundo semestre. A tendência apontava agosto como o início de um período de maior atenção, com possibilidade de intensificação entre setembro e outubro.
Por que faz tanto calor se ainda é inverno?
O calendário ainda marca inverno, mas a estação funciona de maneira diferente no Centro-Oeste em comparação com áreas do Sul do Brasil. Em Goiás, o principal elemento do período não é a permanência do frio, mas a redução acentuada das chuvas. Grandes áreas passam semanas sob domínio de ar seco e estabilidade atmosférica.
A falta de nuvens permite que a radiação solar alcance a superfície durante mais horas. O solo aquece e transfere calor para as camadas inferiores da atmosfera, provocando aumento rápido da temperatura durante o dia. À noite, a ausência de nuvens também facilita a perda do calor acumulado.
Essa dinâmica explica por que Goiânia pode amanhecer com 19°C e atingir 36°C poucas horas depois. No sábado, a diferença prevista entre mínima e máxima chega a 17°C. A amplitude térmica elevada torna-se mais perceptível justamente nos períodos de menor umidade.
O comportamento já vinha sendo observado ao longo da estação. Em julho, o Mais Goiás mostrou que Goiás enfrentaria uma sequência de calor, tempo seco e baixa umidade. A ausência de chuva e a elevação das temperaturas também aumentavam, naquele momento, o risco de queimadas no estado.
Umidade de 12% pode ser o dado mais preocupante
Os 36°C previstos para sábado chamam atenção, mas o percentual de umidade pode representar o principal risco meteorológico do fim de semana. Os índices podem atingir a faixa de 12% durante os períodos mais secos. Quanto menor o percentual, menor é a quantidade de vapor d’água presente no ar em relação ao máximo possível naquela temperatura.
O INMET mantém a baixa umidade entre os principais fenômenos observados no Centro-Oeste e informa que a condição deve persistir em grande parte da região. O instituto também acompanha a possibilidade de uma onda de calor, mas ressalta que o fenômeno ainda não está confirmado. Para essa caracterização, as máximas precisam permanecer pelo menos 5°C acima da média por cinco dias consecutivos.
O ar seco pode provocar ressecamento da pele, olhos, boca e vias respiratórias. Entre as recomendações estão o aumento da ingestão de líquidos, a redução de atividades físicas intensas nos horários mais secos e menor exposição ao sol durante o período de maior calor. Crianças e idosos exigem atenção adicional durante episódios prolongados de baixa umidade.
Há também um componente ambiental. Depois de semanas com pouca precipitação, folhas, gramíneas e outras partes da vegetação perdem umidade e favorecem a propagação do fogo. O risco aumenta quando calor, ar seco e vento aparecem simultaneamente.
Calor urbano pode variar dentro da própria Goiânia
A temperatura registrada em uma estação meteorológica não significa que todos os bairros apresentem exatamente a mesma condição térmica. A ocupação urbana interfere no armazenamento e na liberação de calor, fazendo com que regiões da mesma cidade apresentem diferenças. Vegetação, quantidade de edifícios e impermeabilização do solo estão entre os fatores envolvidos.
O fenômeno é conhecido como ilha de calor urbana. Levantamento já publicado pelo Mais Goiás mostrou que áreas com muitos prédios e pouca vegetação podem ser mais quentes em Goiânia. A reportagem apontou diferenças de até 4°C entre setores da capital em determinadas condições.
Isso significa que os efeitos de uma tarde de 36°C não são necessariamente percebidos da mesma forma em toda a cidade. Áreas arborizadas tendem a apresentar condições diferentes de regiões com grande concentração de concreto e asfalto. O desenho urbano passa, portanto, a integrar a discussão sobre adaptação a períodos de temperaturas elevadas.
A relação ganha importância diante da repetição de extremos. Quanto maior a frequência de dias quentes, maior é a relevância de fatores como arborização, sombreamento, áreas permeáveis e planejamento urbano. A questão ultrapassa a previsão diária e entra no debate sobre a capacidade das cidades de enfrentar episódios prolongados de calor.
Onda de calor ainda não está confirmada
Apesar das temperaturas elevadas, ainda não é correto afirmar que Goiânia enfrenta oficialmente uma onda de calor. O INMET informou nesta semana que monitora a possibilidade de ocorrência do fenômeno em partes do Centro-Oeste, Sudeste e Norte. A confirmação depende da persistência e da intensidade das temperaturas em relação à climatologia de cada região.
Segundo o instituto, é necessário que as temperaturas máximas permaneçam pelo menos 5°C acima da média durante cinco dias consecutivos para a caracterização considerada no monitoramento atual. Portanto, um recorde isolado, mesmo de 38,3°C, não basta para definir uma onda de calor. A duração do episódio é parte fundamental da análise.
A diferença é importante porque recorde de temperatura e onda de calor medem fenômenos distintos. Um recorde indica o maior valor observado para determinado período em uma série histórica. A onda de calor exige persistência de temperaturas anormalmente altas durante vários dias.
Para Goiânia, o dado confirmado até agora é o recorde de agosto e a permanência de temperaturas elevadas no fim de semana. A eventual configuração de uma onda de calor dependerá das próximas medições. O acompanhamento é feito pelo INMET a partir das estações meteorológicas e modelos de previsão.
Quando o calor começa a diminuir?
A previsão indica uma redução moderada a partir de segunda-feira. Depois dos 36°C de sábado e dos 35°C de domingo, a máxima deve recuar para aproximadamente 33°C. A queda, porém, não representa uma mudança estrutural do padrão meteorológico.
Agosto permanece no núcleo do período seco de Goiás. Mesmo com oscilações de temperatura provocadas pela passagem de sistemas atmosféricos, longos intervalos sem chuva fazem parte da climatologia do estado. A retomada regular das precipitações ocorre gradualmente durante a transição para a primavera.
A atenção também permanece voltada para os meses seguintes. As projeções divulgadas para o inverno apontam calor acima da média, umidade baixa e aumento do risco de queimadas em Goiás. Setembro historicamente integra o período de maior calor e estiagem antes da consolidação das chuvas.
Para este fim de semana, entretanto, o cenário está concentrado em três números: 36°C no sábado, 35°C no domingo e umidade que pode atingir 12% nos períodos mais críticos. A chuva permanece fora da previsão significativa. Depois de uma semana em que Goiânia chegou aos 38,3°C e reescreveu seu recorde de agosto, o calor diminui alguns graus, mas continua determinando o tempo na capital.