Goiás é referência em atenção especializada ao bebê prematuro
No Brasil, 11,7% do total de nascimentos acontecem antes de 37 semanas de gestação, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU).
Ir direto pra matériaOs nascimentos prematuros são responsáveis por quase metade das mortes de recém-nascidos no mundo. No Brasil, 11,7% do total de nascimentos acontecem antes de 37 semanas de gestação, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU).
Esses pequenos necessitam de suporte para adquirir peso e condições de sobrevivência, pois são crianças incapazes de mamar e com reflexos baixos que devem ser estimuladas para a recuperação plena das capacidades vitais. Nessa situação, o Método Canguru é de extrema importância para os prematuros porque garante uma recuperação mais rápida e eficiente ao reduzir o tempo de internação e a necessidade de intervenção em UTIs.
A assistência neonatal humanizada estimula o desenvolvimento físico e emocional do bebê, reduz o estresse, a dor e o choro do recém-nascido; estabiliza o batimento cardíaco, a oxigenação e temperatura do corpo do bebê; ao ouvir o som do coração e da voz da mãe, o bebê fica mais calmo e sereno; aumenta o vínculo mãe-filho; favorece o aleitamento materno; contribui para a redução do risco de infecção hospitalar; proporciona maior confiança dos pais nos cuidados com o bebê e contribui para a otimização dos leitos de UTI.
O programa é uma das medidas que complementam o cuidado integral de bebês, assim como a Rede Cegonha – estratégia que oferece atendimento humanizado à saúde das mulheres e crianças até dois anos na rede pública com acompanhamento do pré-natal, parto e puerpério.
Juliana Gonçalves Vieira deu à luz ao Davi prematuramente no Hospital Materno Infantil (HMI). O nascimento antecipado do filho a pegou de surpresa. “Durante uma viagem que fiz a casa de parentes, senti um forte mal estar e percebi que poderia ser algo com meu bebê. Passei por um período muito difícil depois que ele nasceu, mas recebi todos os cuidados que precisava aqui no hospital. A equipe que me atendeu foi maravilhosa”, disse, emocionada. Já no caso da dona de casa Sirlene Bento Moura, a hipertensão arterial foi a causa do parto da pequena Emanuele Vitória antes do previsto. A mãe contou que teve medo de perder a filha. “Os médicos que me atenderam foram muito bons”, revelou a mãe.
Médica neonatologista do HMI, Maria Bárbara Franco afirma que o método Canguru é a assistência humanizada ao recém-nascido de baixo peso (menos de 2,5 quilos) e consiste em estímulo ao empoderamento da família participando dos cuidados dos bebês mesmo que necessitem de longa permanência de internação hospitalar. “Assim, nós os preparamos para o cuidado a nível domiciliar, que ocorre mais precocemente quando utilizamos o método. Ele envolve o contato pele a pele no qual o bebê permanece na posição canguru com seus pais e familiares pelo tempo em que ambos acharem prazeroso e beneficia o ganho de peso, estimulando o aleitamento materno já que o leite da própria mãe é o melhor alimento para ele”, frisou a especialista. Ela afirma que apoia o método por acreditar ser a melhor estratégia de assistência – baseado em evidências científicas – aos recém-nascidos, que são extremamente vulneráveis.
A eficácia do método Canguru é baseada em estudos científicos. A médica reforça que dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam que se 95% das intervenções do método Canguru for aplicada, a redução de morte de prematuro chega a 48%. Por isso, a orientação sobre a estratégia começa durante o pré-natal. Na unidade, a metodologia é aplicada com regularidade pelo fato de ser referência para gestação de alto risco o que significa nascimentos de muitos prematuros.
O método Canguru é o nome mais comum para a chamada Norma de Atenção Humanizada ao Recém‑nascido de Baixo Peso, instituída no ano 2000. A medida tem como proposta contribuir para a mudança de postura dos profissionais, visando à humanização da assistência ao recém‑nascido. Com viés humanizado do atendimento, a estratégia engloba o protagonismo e responsabilidade da equipe assistencial, que deve promover a aproximação entre a mãe e o bebê com o objetivo de fortalecer o vínculo afetivo durante os cuidados intensivos e garantindo o alojamento conjunto.
“Esse contato direto, além de ser muito confortável à criança, remete à sensação de estar novamente dentro do útero da mãe, pois ele consegue sentir os batimentos cardíacos dela, o seu calor e a movimentação da sua respiração. Isso é muito importante, pois os prematuros costumam apresentar apneia e, com isso, esquecem de respirar com a frequência necessária. Daí, naturalmente eles se recordam”, lembra Maria Bárbara.
Referência
Por meio do HMI, Goiás é referência em oferecer atenção especializada à mãe e ao bebê prematuro. Em julho de 2016, o HMI recebeu uma placa que oficializa a unidade como referência na atenção especializada à mãe e ao bebê prematuro. O título foi entregue pelo consultor nacional do método Canguru do Ministério da Saúde, Sérgio Marba, em uma visita à unidade, onde Marba conheceu de perto a aplicação da assistência prestada aos recém-nascidos internados na Unidade de Cuidados Intermediários Neonatal Convencional (UcinCO) e Ucin Canguru (UcinCA).
Assim, entre as ações para reafirmar o protagonismo, o hospital promove frequentes cursos de capacitação para os profissionais que trabalham em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) Infantil e Unidade de Cuidados Intermediários Neonatal Convencional (UcinCO) com o objetivo de atualizar os conhecimentos na prática diária com o programa.