Grupo é suspeito de fraudar dados para furar fila do SUS em Goiás
Operação apura fraude em cirurgias ortopédicas, uso irregular de senhas do sistema de regulação e possível participação de servidores, profissionais da saúde e apoio político
Ir direto pra matéria
Cinco pacientes são investigados por terem conseguido passar na frente de pessoas que aguardavam por cirurgias de urgência no Sistema Único de Saúde (SUS), em Goiás. Segundo a Polícia Civil, o grupo teria fraudado o sistema de regulação de vagas. A corporação cumpriu, na sexta-feira (17), nove mandados de busca e apreensão em Caiapônia, Goiânia e Brazabrantes contra pacientes, servidores públicos e profissionais da saúde. As investigações apontam que dados foram alterados de forma ilegal para transformar cirurgias eletivas em procedimentos emergenciais, garantindo prioridade indevida na fila.
Segundo o delegado Ramon Queiroz, inicialmente, os cinco pacientes tiveram pedidos de cirurgias ortopédicas classificados como eletivos, ou seja, sem urgência imediata. Dias depois, os registros teriam sido modificados dentro do sistema de regulação para que os casos passassem a constar como emergenciais, permitindo que fossem operados antes de pacientes que realmente aguardavam atendimento prioritário.
As investigações apontam que o grupo usava acessos irregulares ao sistema de regulação para alterar informações dos pacientes. Entre as irregularidades identificadas está o uso da senha de uma servidora que morreu há três anos. A polícia tenta descobrir quem continuou utilizando esse acesso após a morte da funcionária e se outras credenciais também foram usadas de forma ilegal.
- Criança com risco de parada cardiorrespiratória espera há 3 anos por cirurgia em Goiânia
- MP aciona oftalmologista que cobrava por procedimentos pelo SUS em Rio Verde
Outra fraude identificada foi a alteração do endereço de alguns pacientes. Conforme a apuração, pessoas que moravam em Caiapônia passaram a constar como residentes de outros municípios, incluindo Brazabrantes, estratégia que teria facilitado o encaminhamento das cirurgias por diferentes centrais de regulação.
Médico está entre os investigados
Até o momento, quatro pessoas foram apontadas como participantes diretas na fraude, entre elas um médico que atuava na regulação do município de Goiânia. A Polícia Civil também investiga o envolvimento de outros servidores da saúde e não descarta a participação de agentes políticos. A suspeita é de que alguns pacientes tenham recorrido a influências políticas após terem os pedidos de cirurgia negados. Segundo o delegado, até o momento, não existem indícios de pagamento para obtenção da vantagem.

Durante a operação, celulares, computadores, documentos e outros materiais foram apreendidos e serão analisados para identificar novos envolvidos e esclarecer como funcionava o esquema.
Prefeitura de Caiapônia
Em nota, a Prefeitura de Caiapônia declarou que “também foi vítima da fraude”, sustentando que a regulação dos procedimentos era realizada por outro município e que a administração local não tinha acesso nem controle sobre os lançamentos feitos no sistema. A Secretaria de Saúde de Brazabrantes informou que “não tinha conhecimento prévio das irregularidades” e disse que está colaborando com as investigações.
A Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (SMS) disse que acompanha as investigações e que “irá adotar as medidas cabíveis caso seja confirmada qualquer irregularidade envolvendo servidores do município”.
Já a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES) informou, em nota, que “nenhum servidor estadual nem sistemas de regulação administrados pelo Estado são alvo da investigação”. A pasta afirmou ainda que apenas prestou apoio operacional para Polícia Civil durante a operação.
As investigações continuam para identificar todos os envolvidos e definir a responsabilidade de cada participante no esquema.