IA ajuda Polícia Civil a identificar e prender suspeitos de homicídio em Goiânia
Sistema de inteligência artificial garantiu mais precisão às buscas e contribuiu para a prisão de dois suspeitos
A inteligência artificial (IA) foi decisiva para que a Polícia Civil de Goiás (PCGO) identificasse e prendesse dois suspeitos de um homicídio em Goiânia, recentemente. Com o uso de ferramentas tecnológicas voltadas à análise e cruzamento de dados, as equipes conseguiram direcionar as buscas, acelerar diligências e localizar tanto os investigados quanto o corpo da vítima.
O avanço das apurações contou com o apoio do programa IA Contra o Crime, ligado à Secretaria de Segurança Pública de Goiás (SSP-GO). As ferramentas utilizadas pelos investigadores auxiliaram na triagem de informações, no cruzamento de vestígios e na identificação de elementos relevantes ao inquérito, otimizando o trabalho das equipes e fortalecendo a atuação integrada da polícia.
Neste caso, que começou com o desaparecimento de um funcionário de uma pamonharia, em Goiânia, em 7 de fevereiro, a ferramenta possibilitou aos investigadores analisar e descartar veículos inicialmente sob suspeita, e direcionar as buscas com maior precisão. Ao identificar o automóvel utilizado no crime, a tecnologia também possibilitou o monitoramento contínuo do investigado, o que levou à abordagem dos suspeitos.
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“O uso de soluções tecnológicas tem sido um importante aliado das nossas forças de segurança, ampliando a capacidade de análise e reduzindo o tempo de resposta às ocorrências. A tecnologia não substitui o trabalho policial, mas qualifica e potencializa a tomada de decisões, garantindo mais eficiência na proteção da sociedade”, destaca o subsecretário de Segurança Pública de Goiás, Gustavo Carlos Ferreira.
O delegado da Polícia Civil, Danilo Wendel, também ressaltou a importância do suporte tecnológico no andamento do caso. “A utilização de ferramentas especializadas contribui para dar mais celeridade às apurações e fortalecer a produção de elementos técnicos que embasam a investigação”, afirmou.
Homicídio com ocultação de cadáver
O caso teve início com o desaparecimento de Nilson Evangelista Gonçalves, de 54 anos, funcionário de uma pamonharia em Goiânia. O sumiço foi registrado no dia 7 de fevereiro de 2026, no Setor Residencial Itaipu, e inicialmente tratado como possível desaparecimento voluntário, sendo comunicado ao Grupo de Investigação de Desaparecidos (GID). Com o avanço das diligências, surgiram indícios de homicídio com ocultação de cadáver, e o inquérito foi encaminhado à Delegacia Estadual de Investigação de Homicídios (DIH).

As investigações apontaram que a vítima foi retirada da própria residência mediante violência e transportada em um veículo utilizado na ação criminosa. O automóvel foi localizado, apreendido e submetido à perícia técnica para coleta de material genético, vestígios biológicos e impressões digitais. Testemunhas relataram ameaças e tentativas de ocultação de imagens que poderiam auxiliar na elucidação do crime.
No último sábado (14), agentes da DIH localizaram e prenderam o primeiro investigado. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão. Nesta semana, foi a vez do segundo suspeito terminar preso pela polícia. Ele estava escondido no município de Goianira. As diligências também levaram os policiais ao corpo da vítima, enterrado em uma área de mata na capital. Clique aqui para ler mais sobre o caso.
Brasil afora
O uso de inteligência artificial em investigações não é exclusivo de Goiás. Após a megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão no ano passado, a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) passou a auxiliar a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCRJ) com recursos tecnológicos desse tipo.
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O coordenador de Inteligência da PCDF, delegado Maurílio Coelho, disse, à época, em entrevista ao Metrópoles, que a corporação realiza, por exemplo, reconhecimento facial com uso de IA para identificar criminosos que não haviam sido detectados. Segundo ele, o investimento da PCDF em inteligência chegou a R$ 15 milhões nos últimos cinco anos.
Em São Paulo, a Polícia Civil de São Paulo (PCSP) também recorreu à tecnologia para esclarecer um homicídio. Recentemente, a corporação identificou um homem suspeito de matar uma estudante na capital paulista por meio de um retrato falado gerado por inteligência artificial, elaborado a partir de imagens captadas por câmeras de segurança.
Regulação
O avanço do uso dessas ferramentas ocorre em paralelo à regulamentação federal. Também no ano passado, o Ministério da Justiça e da Segurança Pública publicou uma portaria que estabelece normas para o uso de soluções tecnológicas em investigações criminais e em atividades de inteligência na área de segurança pública.

Assinada pelo ministro Ricardo Lewandowski, a medida define parâmetros específicos para a aplicação de inteligência artificial por órgãos como Polícia Federal (PF), Polícia Rodoviária Federal (PRF), Polícia Penal Federal e Força Nacional, além de secretarias vinculadas à pasta. Estados e municípios que utilizem recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública ou do Fundo Penitenciário Nacional também devem seguir as diretrizes.
Entre as aplicações previstas estão a detecção e localização de dispositivos móveis emissores de radiofrequência em unidades prisionais, o acesso a dados armazenados em aparelhos apreendidos, mediante controle judicial, além do apoio na recaptura de réus, cumprimento de mandados de prisão e identificação de vítimas de crimes e pessoas desaparecidas.