Quinta-feira, 30 de Julho de 2026
JUSTIÇA

Irmãs conseguem reconhecimento de paternidade após morte do pai em Goiás 

Embora Gonçalo Francisco Guajajara sempre tenha participado da vida das filhas, jamais houve formalização nos registros civis

Por - Goiânia, GO
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Irmãs conseguem reconhecimento de paternidade após morte do pai em Goiás 

A Justiça garantiu o reconhecimento formal da paternidade a três irmãs após a morte do pai, em Minaçu. Quem conseguiu a decisão foi a Defensoria Pública do Estado de Goiás (DPE-GO), que divulgou a história na quarta-feira (29). Embora Gonçalo Francisco Guajajara sempre tenha participado da vida das filhas, jamais houve formalização nos registros civis.

Segundo a DPE, o defensor público Bruno Malta conseguiu demonstrar o direito ao reconhecimento post mortem da paternidade de Gonçalo por meio de exame de DNA. Ele explica que foi possível comprovar o vínculo biológico mesmo após a morte do suposto pai por meio de reconstrução genética.

A produção de prova genética ocorreu durante a ação itinerante da DPE em Minaçu. Na ocasião, as irmãs Sebastiana de Paula, Valdivina de Paula e Abadia de Paula, que vivem no município, iniciaram o procedimento. Mesmo sem a participação da terceira irmã, Luciana de Paula, naquele momento, que vive em Goiânia, foi possível subsidiar a reconstrução genética com a coleta de material.

Abadia, a quarta filha, também participou da coleta para o DNA. Contudo, ela não quis incluir o nome do pai em seus documentos por motivos particulares.

Quanto ao procedimento, Bruno afirma que “essa estratégia otimizou a logística da prova pericial e acelerou o reconhecimento da filiação. Mais do que incluir um nome na certidão de nascimento, esse procedimento concretiza direitos fundamentais ligados à identidade, ao pertencimento, à memória familiar e aos efeitos jurídicos decorrentes da filiação”.

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Gonçalo faleceu em 2015. Após sua morte, a família descobriu que o reconhecimento poderia ter sido realizado gratuitamente em cartório, caso tivesse recebido orientação quando ele ainda era vivo. Como isso não era mais possível, as irmãs buscaram a Defensoria Pública. O exame confirmou o vínculo biológico entre as irmãs e o genitor.

“Nunca tivemos dúvidas de quem era nosso pai, porque ele sempre esteve presente em nossas vidas. O exame apenas confirmou aquilo que sempre soubemos”, afirma uma das irmãs. Para elas, que são descendentes de povos indígenas e quilombolas, o registro representa a preservação da história e ancestralidade da família. “Queríamos registrar nossa origem e garantir que essa história fosse transmitida aos nossos filhos e netos. Esse reconhecimento representa nossa identidade e nossa ancestralidade”, afirma Luciana.

Segundo a DPE, além da inclusão do nome do pai, Gonçalo Francisco Guajajara, nas certidões de nascimento, a decisão garante às três irmãs todos os efeitos jurídicos decorrentes da filiação.

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