Mineradora que extrai amianto paralisa atividades na jazida de Minaçu
Paralisação ocorreu após a publicação do acórdão que proíbe o amianto no Brasil. Entidades entraram com pedidos de embargos para que mina seja desativada de forma gradativa
Ir direto pra matériaA Sama Minerações Associadas S.A. paralisou as atividades de exploração na Mina de Cana Brava, em Minaçu, a 504 quilômetros de Goiânia. A decisão veio após o vencimento de uma liminar que autorizava os trabalhos até a publicação do acórdão no dia 1º, por parte do Supremo Tribunal Federal (STF), que proíbe o amianto no Brasil.
Após a decisão, dada em 29 de novembro de 2017, a ministra Rosa Weber concedeu liminar para estados que não possuem leis que proíbem o amianto continuassem a sua produção até a publicação do acórdão, que ocorreu no início deste mês. Goiás era beneficiado.
Porém, com a publicação da sentença, 385 trabalhadores estão de braços cruzados e isso pode causar um prejuízo “imensurável”, é o que afirma o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Extrativas e Beneficiamento de Minaçu, Aldemar Araújo Filho. De acordo com ele, a única indústria para tal extração na América Latina fica na cidade. Além disso, ele conta que toda a produção é voltada para o mercado de exportação, dando destaque para a Índia e Indonésia.
“Tememos para que, durante esse tempo em que a mina não funcionar, isso atrapalhe no pagamento dos direitos trabalhistas. Desde sábado passado os trabalhadores só batem ponto e ficam à disposição da empresa”, conta.
Aldemar explica que eles não querem ir contra a decisão do STF, mas que seja estabelecido um prazo para realizar o fechamento da mina. Segundo ele, dez anos seria o suficiente para que sejam cumpridas todas as responsabilidades trabalhísticas e ambientais. “Fechar uma mina não é do dia para noite. Tem um aparato. Tem alguns funcionários que estão trabalhando há 44 anos. Além disso, não pode deixar a mina aberta, tem um trabalho ambiental que deve ser realizado e que demanda determinado tempo”, destaca.
Ele explica que 70% da arrecadação de Minaçu é decorrente da exploração da mina e que esse prazo de uma década também servirá para que a cidade encontre uma outra forma para se gerar empregos. “Para se ter uma ideia, em 2015, produzimos cerca de 300 mil toneladas. Após isso, passamos a produzir 120 mil toneladas por ano. Caiu muito. Além disso, a demora na decisão pode gerar atrasos aos nossos clientes e fazê-los procurar outros fornecedores”, afirma.
Aldemar contou que será realizada um Audiência Pública com os moradores e funcionários da mineradora para tentar sensibilizar os ministros sobre a questão. “Estamos buscando todas essas questões para que nenhuma das partes saiam prejudicadas”.
O Instituto Brasileiro de Crisotila (IBC) entrou com pedidos embargos para que o fechamento da mina seja realizado de forma gradativa. Por meio de nota, o instituto alegou que “aguarda com muita expectativa, como toda a sociedade de Minaçu, o posicionamento da Corte diante dos embargos de declaração apresentados e confia que irá prevalecer o bom senso dos srs. e sras. ministros.”
Governo
O governador Ronaldo Caiado (DEM) esteve em Brasília (DF) para se reunir com a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, nesta quarta-feira (13). Na ocasião, foi tratado possíveis soluções para o impasse e que a mina volte a funcionar até o julgamento final dos embargos pela Suprema Corte. Como resposta, Raquel pediu maiores informações para que a questão seja avaliada junto ao STF.