Ministério Público e DGAP buscam soluções para superlotação de presídio em Aparecida de Goiânia
CPP está com o dobro de presos da capacidade máxima. Situação do semiaberto também preocupa
Ir direto pra matériaA superlotação da Casa de Prisão Provisória (CPP) de Aparecida de Goiânia tem sido objeto de reuniões entre o Ministério Público de Goiás (MP-GO) e da Diretoria-Geral de Administração Penitenciária do Estado de Goiás (DGAP). O objetivo das conversas é firmar um termo de ajustamento de conduta (TAC) para sanar a questão.
De acordo com o promotor de Justiça Marcelo Celestino, a CPP deveria abrigar, no máximo, 1.460 presos. Hoje o número de detentos é de 3.100. “A atual lotação é limitada judicialmente desde 2015”, explica.
“Essa decisão se mantém até hoje, apesar dos recursos apresentados. No final de 2018, entrei com uma ação pedindo a execução dessa limitação com multa de R$ 30 mil por dia, com o bloqueio de verbas”, afirmou Marcelo.
O promotor alegou que o objetivo da ação foi construir um acordo que possibilitasse a solução do problema. Ele explicou que o TAC ainda está em processo de formulação, mas que prevê a destinação de R$ 900 mil por mês, até o final da gestão do atual governo estaadual. Esse valor seria para a ampliação de vagas. De acordo com o MP-GO, esse TAC deve ser firmado no prazo de 30 dias.
Semi-aberto
Outra preocupação do MP-GO é com a Colônia Industrial do Semiaberto do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia. O promotor Marcelo afirmou que a situação do complexo é “caótica” e que existe “necessidade urgente de construção de uma nova unidade prisional”.
Para solucionar o problema, o MP-GO firmou um TAC com a DGAP, em fevereiro de 2018. No acordo está prevista a construção de uma nova unidade prisional ao lado da entrada do Complexo Prisional.
A nova unidade terá capacidade de 400 presos. O prazo para a entrega é de dois anos. A previsão é que sejam gastos R$ 43 milhões.
Para construir a nova unidade, foi realizada uma permuta entre a DGAP e a Companhia de Desenvolvimento Econômico do Estado de Goiás (Code). Essa permuta envolve o terreno onde será construída a nova unidade e foi autorizada pelo Governo de Goiás em novembro de 2018.
Para a conclusão do acordo falta ainda a realização de uma assembleia da Codego autorizando a permuta, que deve acontecer no próximo dia 19 de março. A previsão de início das obras é para agosto.
População carcerária
De acordo com dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em todo o estado existem 20.920 presos. Destes, 10.411 são provisórios, ou seja, ainda aguardam julgamento. Esse número representa 49,77% do total de pessoas encarceradas.
Existem, ainda, 2.020 pessoas (9,66% do total) em execução provisória da pena, ou seja, a execução da pena antes do trânsito em julgado. O restante 8.489, está em execução definitiva e representa 40,58% dos presos.