Sábado, 24 de Outubro de 2026
"Invenção pra fugir do que fez"

“Nunca vi falar que entidade gosta de telefone”, diz mulher agredida por homem que alegou estar possuído em Inhumas

Thais Soares contesta explicação do companheiro para a agressão e relata episódios anteriores de gritos, xingamentos e destruição de objetos

Por - Goiânia,GO
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thais x bruno

A mulher agredida pelo homem que afirmou que uma entidade controlava o corpo dele afirma que a explicação não faz sentido e serve apenas para tentar escapar da responsabilidade pela violência. Segundo Thais Soares, o comportamento agressivo do companheiro não começou naquela noite e, ao longo dos quase oito anos de relacionamento, ela revela ter enfrentado gritos, xingamentos e episódios em que ele dava socos em portas e quebrava janelas e objetos. O casal tem dois filhos e havia reatado o relacionamento dois meses antes da agressão, após seis meses separado.

“Tem como uma pessoa estar possuída e sair mandando áudio para os outros? Não. Nunca vi falar isso. Isso aí foi invenção pra ele fugir do que ele fez, da covardia que ele fez, porque isso aí não tem lógica. Nunca vi falar que entidade gosta de telefone”, desabafa a vítima.

Na noite do episódio, segundo Thais, os dois participaram de uma confraternização familiar na casa da mãe dela. O ambiente estava tranquilo, e não houve briga entre eles. Ela se recuperava de uma cirurgia na vesícula e não estava bebendo. O comportamento de Bruno Lopes Rodrigues teria mudado quando chegaram em casa.

“Estávamos na casa da minha mãe, jantando com a família. Todo mundo estava bem, conversando, rindo e brincando. Não teve discussão, não teve briga. Quando chegamos em casa, ele mudou o jeito dele”, relata.

Vítima diz que ainda sofre com os ferimentos

Depois da agressão, Thais foi até uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Ela afirma que ficou com os dois olhos inchados e sofreu cortes na parte interna da boca. Os problemas, segundo ela, continuaram mesmo após o atendimento inicial.

“Meus dois olhos ficaram muito inchados, e minha boca ficou muito cortada por dentro. Até hoje minha bochecha continua inchada e está cheia de pus. Vou precisar fazer tratamento com antibiótico e, quando melhorar, fazer uma drenagem para tirar o excesso que ficou. Ainda estou lidando com as consequências do que aconteceu”, conta.

Thais também relata que, depois da agressão, Bruno enviou mensagens pedindo desculpas e afirmando que não era ele quem estava agindo. Em uma ligação, segundo ela, o irmão conversou com o homem, que chorava e pedia perdão. Para a vítima, as explicações não mudam a responsabilidade pelo ataque.

agressao x mensagem
Mensagem enviada para a vítima (Foto: Arquivo Pessoal)

Mulher deixou a própria casa e busca apoio

Após o episódio, Thais registrou boletim de ocorrência e recebeu medidas protetivas de urgência. Ela relata que precisou mudar completamente a rotina, deixar a casa onde morava e ir para a casa de familiares com os filhos. Também está sem trabalhar e afirma que ainda não recebeu o apoio social que procurou.

“Eu tinha minha casa e hoje moro com a minha mãe. Não estou trabalhando e estou com meus filhos. Procurei o CRAS, passei pelo atendimento social e fui atrás de informações sobre o Goiás Por Elas, mas ainda estou esperando um retorno para saber se posso entrar no programa”, conta.

A vítima afirma que recebeu ajuda de mulheres que organizaram uma vaquinha solidária, mas diz que não recebe apoio financeiro do companheiro nem da família dele para as despesas das crianças. Ela afirma que já recorreu à Justiça para cobrar pensão alimentícia.

“Eu tive ajuda de mulheres que se mobilizaram e fizeram uma vaquinha, e sou grata por isso. Mas, em relação aos meus filhos, ele nunca me ajudou financeiramente, nem a família dele. Ele tem responsabilidade com as crianças. Eu estou tentando me reorganizar, cuidar da minha saúde e garantir o que eles precisam, mas não é fácil fazer tudo isso depois do que aconteceu”, diz.

Thais afirma que soube que Bruno estaria nas proximidades de Caturaí, a cerca de 35 km da capital, mas não sabe informar exatamente onde ele está. Segundo ela, o homem mudou de número de telefone e de redes sociais desde a agressão.

Não há confirmação, até o fechamento da reportagem, de que ele tenha sido localizado ou preso. O caso segue sob investigação da Polícia Civil.

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