Perícia revela revela causa da morte de tartarugas em Jataí; uma estava amarrada com fio
Polícia Civil investiga como tartarugas de espécie amazônica chegaram ao município
Uma perícia descartou que as duas tartarugas encontradas mortas, na última terça-feira (7), às margens do Lago Diacuí, em Jataí, no sudoeste de Goiás, tenham sido vítimas de maus-tratos. O laudo concluiu que os animais morreram por causas naturais, possivelmente em decorrência de uma infecção ou da ingestão de alguma planta tóxica. A Polícia Civil investiga como a espécie, nativa da Amazônia, chegou no município.
Um dos animais, uma fêmea com cerca de 40 quilos, estava com um fio amarrado ao corpo, enquanto o outro foi localizado dentro de um saco. Equipes do Corpo de Bombeiros, da Guarda Civil Municipal (GCM) e da Secretaria Municipal de Meio Ambiente recolheram os corpos e os encaminharam para necropsia na Universidade Federal de Jataí (UFJ). As tartarugas são da espécie tracajá.
Segundo a GCM, além de apontar a possível causa da morte, a perícia indicou que a fêmea morreu algumas horas antes do macho. Os ferimentos observados inicialmente também foram esclarecidos. De acordo com a bióloga e guarda civil municipal Anastácia Leite, as lesões na barriga de um dos animais ocorreram após a morte.
Segundo ela, um morador, que não foi identificado, utilizou um fio de televisão para retirar o corpo de dentro do lago, devido ao peso do tracajá, que mede cerca de 70 centímetros e pode chegar a 40 quilos. O atrito do animal com o solo durante a retirada provocou as marcas que levantaram a suspeita inicial de maus-tratos.
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Ainda conforme Anastácia, os animais estavam boiando no local havia cerca de dois dias antes de serem encontrados.
Com a hipótese de maus-tratos descartada, a Polícia Civil passou a investigar como os tracajás chegaram a Jataí. A suspeita é de que os animais possam ter sido retirados ilegalmente do habitat natural e levados para a região.
“Se trata de uma tartaruga de água doce, predominante da Amazônia. Isso levantou uma suspeita muito grande para outro crime, que é o tráfico de animal silvestre. Alguém pode ter retirado esses animais do habitat natural e levado para Jataí, onde eles acabaram se adaptando às águas doces do Cerrado”, explicou Anastácia.
O caso marcou uma das primeiras atuações do Grupo de Patrulhamento Ambiental da Guarda Civil Municipal de Jataí, criado em 1º de junho deste ano. A equipe é especializada em ocorrências envolvendo crimes ambientais, como maus-tratos a animais, desmatamento e outras infrações contra a fauna e a flora.
A GCM orienta que, ao encontrar animais silvestres mortos, a população não remova os corpos e acione imediatamente os órgãos responsáveis pelo telefone 153.
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