Polícia indicia filho acusado de matar pai para roubar caminhonete em Goiás
Investigação conclui que crime foi premeditado. Ao todo, seis pessoas foram indiciadas por participação no homicídio, ocultação de cadáver e receptação do veículo
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A Polícia Civil concluiu o inquérito sobre a morte do motorista aposentado da corporação João Lourenço de Oliveira, de 65 anos, e indiciou o filho da vítima, Flávio Lourenço de Oliveira, de 43 anos, por latrocínio e ocultação de cadáver. Segundo as investigações, o crime foi planejado para que o suspeito roubasse a caminhonete do pai, que se recusou a entregar o veículo. Ao todo, seis pessoas foram indiciadas por envolvimento direto ou indireto no caso.
De acordo com a Delegacia Estadual de Investigação de Homicídios (DIH), Flávio agiu de forma premeditada. Um dia antes do assassinato, ele alugou a arma usada no crime e enviou mensagens ao pai pedindo um empréstimo de R$ 3 mil, alegando que precisava ter uma conversa importante. No dia seguinte, foi até a casa da vítima levando o armamento escondido em uma sacola.
As investigações apontam que João Lourenço chegou a transferir os R$ 3 mil solicitados pelo filho. No entanto, quando Flávio pediu também a caminhonete Toyota Hilux e recebeu uma resposta negativa, atirou na cabeça do pai, que estava sentado e de costas. Em seguida, enrolou o corpo em lençóis, o colocou na carroceria do veículo e abandonou em uma área de mata às margens da GO-060, em Trindade.
Para dificultar a identificação da autoria, o suspeito estacionou o próprio carro a cerca de 500 metros da casa do pai antes de cometer o crime. Depois de abandonar o corpo, seguiu com a caminhonete até Bela Vista de Goiás.
Relação conturbada entre pai e filho

Durante o inquérito, a Polícia Civil também descobriu que Flávio mantinha uma relação conturbada com o pai. Conforme o delegado João Paulo Mendes, responsável pelo caso, testemunhas relataram que o investigado dependia financeiramente da vítima, fazia constantes pedidos de dinheiro e já havia furtado ou tentado furtar objetos da casa do pai em outras ocasiões. Em um desses episódios, chegou a ser encontrado escondido embaixo da cama após invadir o imóvel.
Caminhonete foi vendida
A caminhonete roubada foi vendida por um valor muito abaixo do mercado. O veículo foi localizado pela Polícia Militar no Jardim Goiás, em Goiânia, o que permitiu aos investigadores identificar a cadeia de negociação e chegar ao principal suspeito. Após ser preso em Bela Vista de Goiás, Flávio confessou o crime e indicou o local onde havia deixado o corpo do pai.
Além de Flávio, João Lucas Corrêa Rocha também foi indiciado por latrocínio. Segundo a investigação, ele alugou a arma utilizada no homicídio e participou da negociação da caminhonete roubada. Renan Rodrigues Pires, Anderson Alves Leme e Isac Lázaro vão responder por receptação, por integrarem a cadeia de ocultação e revenda do veículo.

Um sexto investigado foi indiciado por favorecimento pessoal e posse ilegal de arma de fogo. Conforme o delegado, ele ajudou um dos envolvidos após o crime e também mantinha uma arma sem registro.
João Lourenço trabalhou por cerca de 20 anos na Polícia Civil e era motorista aposentado da instituição. O desaparecimento dele mobilizou familiares e investigadores depois que parentes encontraram a casa com marcas de sangue, mas sem a caminhonete. A carteira da vítima permanecia no imóvel, enquanto cartões bancários e o veículo haviam desaparecido.
A defesa de Flávio Lourenço informou que não fará manifestações públicas em razão do sigilo do processo e todos os argumentos jurídicos serão apresentados apenas para a Justiça.
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