Primeiras mulheres alistadas são incorporadas às Forças Armadas em Goiás e outros 12 estados
Serviço é voluntário no momento do alistamento, mas, após a incorporação, se torna obrigatório pelo período de 12 meses
Goiás e outros 12 estados incorporaram às suas tropas as primeiras mulheres alistadas voluntariamente no serviço militar brasileiro. A cerimônia que marcou o início da carreira militar das jovens foi realizada na última segunda-feira (2/3) pelo Ministério da Defesa, em Brasília. Com isso, as voluntárias estão, agora, à serviço do Exército, Marinha e Aeronáutica nos municípios goianos, além de 12 estados e no Distrito Federal (DF).
Ao todo, 1.467 mulheres estão distribuídas por 51 municípios. Do total, 157 ingressaram na Marinha, 1.010 no Exército e 300 na Força Aérea. No Centro-Oeste, além de Goiás, há incorporações no Distrito Federal e em Mato Grosso do Sul. A iniciativa marca a primeira entrada conjunta e voluntária de mulheres nas Forças Armadas por meio do Serviço Militar Inicial Feminino (Smif), criado em 2024. O evento ocorreu junto à tradicional incorporação masculina.
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Serviço militar
O serviço é voluntário no momento do alistamento, mas, após a incorporação, torna-se obrigatório pelo período inicial de 12 meses. Durante esse tempo, as militares recebem soldo (remuneração básica mensal) conforme a graduação, além de férias, assistência médico-hospitalar, auxílios, licenças e contagem de tempo para aposentadoria. Há possibilidade de prorrogação do vínculo por até oito anos, condicionada à existência de vagas, interesse da militar e aprovação da respectiva Força.
A formação básica terá duração de três a quatro meses, conforme a instituição, e inclui adaptação à rotina militar, com horários rígidos, treinamento físico, instruções sobre manuseio de armamentos, serviço de guarda, ordem unida e atividades de campo. Também são trabalhados valores como disciplina, respeito à hierarquia, ética e patriotismo.
Efetivo feminino
Segundo o ministro da Defesa, José Múcio, a incorporação feminina representa um divisor de águas para a defesa nacional. Ele destacou que mais de 33 mil mulheres demonstraram interesse em participar do processo, mas reforçou que o serviço permanecerá voluntário para o público feminino, sem previsão de obrigatoriedade.
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O ministro também classificou a medida como uma vitória da sociedade brasileira. “Nesta turma de 2026, testemunhamos um marco histórico na evolução da Defesa do Brasil. Um feito inédito, uma nova conquista. Pela primeira vez, as mulheres que se alistaram como voluntárias para o Serviço Militar Inicial”, disse.
E lembrou: “As mulheres já representam cerca de 10% dos efetivos militares no país, somando cerca de 37 mil profissionais que ocupam segmentos específicos, como combatentes, médicas, enfermeiras, professoras e funções técnicas”.
Alistamento aberto
O alistamento militar para jovens que completam 18 anos em 2026 segue aberto até 30 de junho. A inscrição é obrigatória para homens e também está disponível de forma voluntária para mulheres. O processo pode ser feito pela internet ou presencialmente nas Juntas de Serviço Militar e é voltado para a incorporação nas Forças Armadas em 2027.